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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados neste feriado

Mesmo com a B3 sem negociações, eventos importantes repercutirão no movimento dos papéis na reabertura do mercado acionário brasileiro

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SÃO PAULO – Apesar do feriado do Dia da Consciência Negra, que manterá a B3 fechada para negociações, a segunda-feira (20) tem um noticiário movimentado e deve atrair a atenção dos investidores que não querem ser pegos de surpresa na reabertura da bolsa no dia seguinte. Para fugir de maiores imprevistos, embora não haja movimentações de ações no mercado brasileiro, é vital acompanhar o desempenho das bolsas internacionais e, principalmente, o comportamento dos ADRs de ações de companhias brasileiras negociadas em Wall Street. O pregão na maior economia do mundo começa às 12h30 (horário de Brasília) e vai até as 19h. O InfoMoney acompanhará de perto para mantê-lo bem informado.

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Confira os cinco assuntos para monitorar neste feriado:

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1. Bolsas mundiais

O dia é levemente positivo para os principais índices acionários do mercado internacional. Na Europa, expectativas positivas geradas por planos de investimentos de companhias do setor automobilístico e o otimismo do setor de saúde em meio às apostas em menores condições de o presidente Donald Trump conseguir promover uma revogação do Obamacare animam os investidores. Os ganhos, contudo, são moderados por conta das preocupações com o fracasso da chanceler alemã Angela Merkel em alcançar um acordo para a formação da coalizão governista com outros dois partidos, o que tragou o país a uma crise política e a maior economia europeia a uma possível nova eleição.

Na Ásia, as bolsas têm desempenho misto, acompanhando o ceticismo em Wall Street por conta da reforma tributária a ser conduzida pelo governo do presidente Donald Trump. O pregão é negativo para as commodities, com os investidores de petróleo adotando postura cautelosa antes de importante reunião entre os membros da OPEP.

Às 10h10 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +0,32%

*FTSE (Reino Unido) +0,14%

*DAX (Alemanha) +0,31% 

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*FTSE MIB +0,39%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,21% (fechado)

*Xangai (China) +0,30% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,60% (fechado)

*Petróleo WTI -0,35%, a US$ 56,35 o barril

*Petróleo brent -0,72%, a US$ 62,27 o barril

2. Prévia do PIB

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), indicador considerado pelos especialistas uma espécie de “prévia do PIB”, cresceu 0,40% em setembro em comparação com o mês anterior e levando em conta o ajuste por sazonalidade. Em relação ao setembro do ano passado, o indicador mostrou avanço de 1,30%. No acumulado do ano, o IBC-Br subiu 0,43%, ao passo que em 12 meses, caiu 0,42%. O resultado, que marcou uma recuperação após desempenho negativo em agosto, veio exatamente conforme previam os analistas consultados pela Bloomberg. A projeção oficial do BC para a atividade econômica nacional é de alta de 0,7% neste ano.

3. Relatório Focus

Em uma nova rodada de consultas do Banco Central a economistas de mercado sobre as expectativas para o desempenho dos principais indicadores econômicos em 2017 e 2018, poucas alterações foram percebidas. Conforme mostrou a mais recente edição do relatório Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira (20), feriado do Dia da Consciência Negra, a mediana das projeções dos especialistas ouvidos para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano se mantiveram em alta de 0,73%, ao passo que para o ano seguinte subiram de 2,50% para 2,51%.

Do lado da inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), as apostas continuaram em 3,09% no acumulado de 2017 e oscilaram de 4,04% para 4,03% no ano seguinte. Já para a taxa básica de juros, a Selic, a mediana das projeções para os dois períodos continuaram apontando para a marca dos 7%, o que indica um corte de 0,5 ponto-percentual na taxa ainda neste ano, encerrando o ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central. Para o câmbio, a mediana das projeções dos economistas apontou para uma revisão de R$ 3,20 para R$ 3,25 neste ano e a uma manutenção nos R$ 3,30 anteriormente previstos para o ano seguinte.

4. Noticiário político

No radar de Brasília, destaque para a escolha do deputado Alexandre Baldy pelo governo para suceder Bruno Araujo no comando do Ministério das Cidades. De saída do Podemos, o parlamentar não irá se filiar a nenhum outro partido no momento e pode tomar posse já na próxima terça-feira (21). A ideia do governo Michel Temer é promover uma pequena reforma ministerial agora para reorganizar a base e conquistar o apoio necessário para colocar em pauta a Reforma da Previdência no plenário da Câmara ainda neste ano.

A estratégia com a nomeação de Baldy seria agradar a mais de uma bancada partidária, tendo em vista o elevado interesse despertado pela pasta. Caso a estratégia se mostre eficaz, crescem as chances de avanço das medidas de ajuste fiscal no parlamento, assim como o presidente amplia seu controle sobre a agenda, sendo que sinaliza aos aliados com uma nova reforma ministerial, mais ampla, para a passagem do primeiro para o segundo trimestre do ano que vem.

Conforme noticia o jornal O Estado de S. Paulo, as mudanças no primeiro escalão tendem a fortalecer o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ). Além de Baldy, considerado um aliado do atual comandante da casa legislativa, o governo já estaria preparando uma troca no comando do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O estabelecimento de boas relações entre Maia e Temer é fundamental para o avanço da agenda de reformas. Um depende do outro para o sucesso das medidas.

Enquanto isso, no cenário eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a esquerda está “fragilizada” na luta contra o crescimento das alas conservadoras. Ao participar do congresso do PCdoB, que lançou Manuela D’Ávila candidata ao Planalto, a despeito das críticas de alas petistas, o ex-presidente deixou portas abertas para uma aliança entre as legendas no futuro. Em seu discurso, Lula aproveitou para falar sobre um de seus principais adversários na disputa eleitoral. “Eu não sou de extrema esquerda e muito menos o Bolsonaro é de extrema direita. O Bolsonaro é mais do que isso e quem convive com ele sabe o que ele é. Não vou dizer porque acho que ele tem o direito de ser candidato, de convencer as pessoas, e o Brasil tem que colher aquilo que planta”, afirmou.

Na outra ponta, em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) comentou as últimas pesquisas de opinião e apontou que, caso não houver fraude nas urnas eletrônicas, ele estará no segundo turno. “Sou diferente de todos os presidenciáveis que estão aí. Quem declara voto em mim dificilmente mudará. Não havendo fraude, com certeza estarei no segundo turno”, disse.

De acordo com o deputado, ele “logicamente angaria um voto de protesto”, mas apontou que conta com votos de certos segmentos da sociedade, contando com “a simpatia do público evangélico, do agronegócio, dos que querem ter arma dentro de casa, que querem um currículo diferente do que estão aí e das pessoas que querem fazer o comércio com o mundo sem viés ideológico”. [Leia mais clicando aqui]

5. Radar corporativo

Entre a noite da última sexta-feira e a manhã desta segunda-feira, a Vale informou a celebração de um acordo de compra de cotas com a Yara International ASA por US$ 255 milhões, para a venda de sua subsidiária integral Vale Cubatão Fertilizantes. A Sanepar informou que foi atingida a adesão mínima para o programa de conversão de ações preferenciais de emissão em units e que agora o programa será efetivamente implementado. A Copel pediu adesão ao programa, solicitando a conversão de 7,27 milhões de ações preferenciais em ordinárias e a formação de 7,27 milhões units. Já a BR Malls convocou uma Assembleia Geral para deliberar sobre a incorporação da EPI (Empresa Patrimonial Industrial IV). A PDG Realty e a PDG Companhia Securitizadora apresentaram um novo plano de recuperação judicial; a primeira convocação de assembleia geral está marcada para o próximo dia 22. A Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp,  viu suas vendas externas de compressores para refrigeração caírem 40% nos últimos cinco anos. Por fim, o juiz da 7.ª Vara Empresarial do Rio, Fernando Viana, responsável pelas decisões relativas ao processo de recuperação judicial da Oi, determinou que os novos diretores estatutários eleitos em reunião do conselho no último dia 3 de novembro se abstenham de decisões relacionadas ao processo.

(com Agência Estado)