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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta terça-feira

Mercado aguarda por sessão da comissão especial da reforma da Previdência, que poderá encaminhar o texto; no exterior, destaque para nova alta do minério de ferro

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão véspera com alta de 0,37%, aos 101.339 pontos, puxada pela valorização do preço do minério de ferro, que alavancou as ações da Vale. Além disso, os mercados foram impulsionados pelo fechamento de uma trégua nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, após encontro do G-20, no final de semana, em Osaka, no Japão.

Hoje, o preço do minério de ferro opera novamente com forte valorização, o que deverá guiar o Ibovespa, enquanto os mercados internacionais operam sem direção única, assimilando os avanços nas negociações sino-americanas, mas também a proposta norte-americana de tarifas adicionais a produtos da União Europeia.

No Brasil, a maior expectativa é sobre a possibilidade de leitura, esta tarde, do voto complementar do relator da proposta de reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), na Comissão Especial que trata das mudanças nas regras da aposentadoria. Caso a leitura não ocorra hoje, poderá ocorrer entre amanhã e quinta-feira.

Pela manhã, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, se reúne com governadores, na tentativa de inclusão de Estados e municípios no texto da reforma da Previdência.

Há lideranças, entretanto, que tentam postergar a leitura para a próxima semana, o que, por sua vez, inviabilizaria a votação antes do recesso parlamentar, a partir do dia 18 de julho.

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Na economia, importantes indicadores de atividade econômica serão publicados pela manhã, como a produção industrial e as vendas de veículos.

1. Bolsas Internacionais

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs tarifas adicionais a produtos da União Europeia (UE) em resposta a prejuízos causados por subsídios do bloco a aeronaves da Airbus. A lista acrescenta 89 produtos com um valor de comércio aproximado de US$ 4 bilhões à lista inicial publicada em 12 de abril, que incluía produtos cujo valor comercial aproximado era de US$ 21 bilhões.

De acordo com o USTR, caso uma decisão final da Organização Mundial do Comércio (OMC), em relação à disputa contra a UE, seja emitida antes da conclusão do processo de comentários públicos, em 5 de agosto, “poderemos impor imediatamente o aumento de taxas sobre produtos incluídos na lista inicial e adotar outras ações possíveis com relação a produtos da lista suplementar”.

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Os EUA entraram na OMC contra subsídios à Airbus em 2004, mas em maio do ano passado, a OMC concluiu que os subsídios da UE prejudicaram interessas da americana Boeing. O bloco europeu contestou a estimativa das tarifas autorizadas e, agora, a OMC realiza uma arbitragem sobre o tema.

Entre os indicadores europeus, destaque para o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro, que caiu 0,1% em maio ante abril. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal. Na comparação anual, o PPI do bloco subiu 1,6% em maio, também como projetava o mercado.

Na Ásia, em uma aposta para estimular a economia, o Banco Central da Austrália (RBA, pela sigla em inglês) decidiu hoje reduzir seu juro básico em 0,25 ponto porcentual, para a nova mínima histórica de 1%. Já previsto pelo mercado, o corte é o segundo realizado pela instituição neste ano.

A economia australiana é particularmente vulnerável a tensões comerciais devido a sua exposição à China. Parte relevante das exportações do país, formadas majoritariamente por commodities industriais como minério de ferro e carvão, tem o gigante asiático como destino.

Ainda no Oriente, a China vai eliminar os limites à participação do capital estrangeiro no setor financeiro em 2020, um ano antes do programado anteriormente, para demonstrar a intenção de Pequim de abrir seus mercados, disse hoje o premiê Li Keqiang. Segundo ele, a China vai tratar estatais, empresas privadas e conglomerados estrangeiros igualmente.

Li afirmou também que a China não vai desvalorizar o yuan para tornar seus produtos mais competitivos no mercado global, em meio à intensificação das tensões globais. Mas o governo, ainda segundo o premiê, vai reduzir os depósitos compulsórios dos bancos para encorajar empréstimos a pequenos e médios negócios.

O petróleo opera em baixa, mesmo após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordar em continuar a limitar a produção da commodity por mais nove meses, uma vez que a decisão que já era esperada por grande parte dos agentes do mercado.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h23 (horário de Brasília):

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S&P 500 Futuro (EUA), -0,12%
Nasdaq Futuro (EUA), -0,23%
Dow Jones Futuro (EUA), -0,13%
DAX (Alemanha), -0,20%
FTSE (Reino Unido), +0,54%
CAC-40 (França), -0,05%
FTSE MIB (Itália), +0,24%
Hang Seng (Hong Kong), +1,17% (fechado)
Xangai (China), -0,03% (fechado)
Nikkei (Japão), +0,11% (fechado)
Petróleo WTI, -0,39%, a US$ 58,86 o barril
Petróleo Brent, -0,38%, a US$ 64,81 o barril
Bitcoin, US$ 10.182, -7,69%
R$ 39.616, -7,64% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 5,20%, a 900,00 iuanes, equivalentes a US$ 130,99 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV divulga, às 8h00, o IPC-S Capitais de junho, enquanto, às 9h00, o IBGE informa a produção industrial de maio. Está prevista ainda a divulgação dos números da Fenabrave de vendas de veículos.

No exterior, às 10h45, sai o índice de condições empresariais de Nova York de junho. Já às 17h30, deverão ser publicados os dados de estoques de petróleo. À noite, o Japão e a China divulgam índices de gerentes de compras (PMI).

3. Previdência

A Comissão Especial da reforma da Previdência pode se reunir esta tarde para a leitura do voto complementar do relator da proposta, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Segundo o jornal o Estado de S.Paulo, o relator deverá encaminhar o texto com regras mais suaves nas regras para a aposentadoria de professores, como a aposentadoria integral, com o último salário, aos 57 anos, enquanto na primeira versão a idade era de 60 anos.

Em relação às regras para categorias da segurança pública no texto da reforma, o PSL não chegou a um acordo com Maia e Moreira. Com muitos deputados ligados à área, o partido de Jair Bolsonaro pedia que o relator incluísse mudanças em seu voto complementar para que a legenda não apresentasse destaques na comissão.

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), não deixou claro se o partido ainda deve apresentar destaque ou não e não quis dar detalhes sobre quais pontos específicos estão sendo negociados. “Se houver desidratação vai ser algo pequeno”, disse Vitor Hugo, acrescentando que a tendência nesse momento é que Estados e municípios fiquem de fora da reforma da Previdência.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha, a bancada do PSL pode registrar uma baixa de até 22 votos a favor da reforma da Previdência, por causa da recusa de Guedes em aceitar destaques que beneficiaram policiais civis e federais com regras mais brandas.

O Globo destaca ainda que diante da dificuldade de acordo com governadores, o Planalto já admite deixar de fora Estados e municípios. Os governadores que apoiam a inclusão não tem força para obter votos necessários à aprovação do texto. A publicação destaca que federações estaduais comandadas por partidos de oposição, como Bahia, Pernambuco e Maranhão, não se comprometeram com a defesa das mudanças.

4. Governo

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O jornal O Estado de S.Paulo destaca que, após a esperada aprovação da reforma da Previdência, no segundo semestre, se o Planalto não mudar o jogo com os parlamentares, poderá ocorrer um “apagão legislativo”. Segundo a publicação, os parlamentares não estão satisfeitos com os ataques nas redes sociais e nas manifestações de grupos bolsonaristas.

Eduardo, filho do presidente, afirmou que “todas as vezes que esse Congresso aprontar” haverá protestos. Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o Planalto não terá votos para aprovar projetos relevantes, após a reforma da Previdência. “Depois da Previdência, vai ser muito difícil unificar Câmara e Senado com esse modelo (de governar)”, diz.

Outro projeto que deverá sofrer retaliações é o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, que hoje presta depoimentos em comissões conjuntas da Câmara dos Deputados, a partir das 14h00, em razão das mensagens trocadas com procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato.

Ainda no Governo, a Polícia Federal indiciou quatro candidatos do PSL de Minas Gerais, em 2018, por suspeitas de integrar um esquema de campanhas laranjas para desviar verbas públicas.

Já o porta-voz do governo, general Otávio Rêgo Barros, afirmou que, neste momento, o presidente Jair Bolsonaro não pretende afastar o ministro Marcelo Antônio, da pasta do Turismo. Segundo ele, Bolsonaro aguardará a conclusão do inquérito da PF.

5. Notícias corporativas

A Petrobras reajusta a partir de hoje o preço do óleo diesel, em média, 3,9%, à venda nas refinarias. Desde que a companhia acabou com o prazo mínimo para mudanças no preço do combustível, em 12 de junho, este é o primeiro aumento. Dessa forma, a elevação será de R$ 0,081 por litro, com o preço atingindo R$ 1,9854 por litro. A gasolina, por sua vez, segue inalterada, desde 10 de junho, quando ocorreu um corte de 3%.

A CPI da Vale no Senado que apura o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, no dia 25 de janeiro, vai sugerir o indiciamento de 14 pessoas, entre as quais o seu ex-presidente, Fábio Schvartsman, além da mineradora e da Tüv Süd, responsável pela auditoria da área. Segundo o Estadão, a companhia e Schvartsman se pronunciarão após a apresentação, hoje, do relatório do senador Carlos Viana (PHS-MG).

O Bradesco fechou acordo para encerrar uma ação coletiva movida por investidores na Corte do Distrito Sul de Nova York. O banco pagará US$ 14,5 milhões para quem comprou American Depositary Shares (ADSs) entre 8 de agosto de 2014 e 27 de julho de 2016. A “class action” foi movida em junho de 2016 por investidores norte-americanos que acusaram o banco de fraudar participação em suposto um esquema de propina para evitar cobrança de multas de R$ 3 bilhões, que foi investigado pela Operação Zelotes da Polícia Federal.

(Agência Estado)