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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta quinta-feira

Com exterior esvaziado por feriado nos EUA, investidores voltam todas suas atenções à comissão especial da reforma da Previdência, que volta a se reunir hoje, a partir das 9h

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 1,43%, aos 102.043 pontos, diante das tratativas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de tentar votar a reforma da Previdência, ontem à noite, na comissão especial que analisa as mudanças nas regras das aposentadorias. A bolsa brasileira foi beneficiada ainda pelo bom humor internacional, com as bolsas norte-americanas fechando com ganhos entre 0,7% e 0,8%.

No Congresso Nacional, após uma quarta-feira intensa de debates entre os líderes partidários sobre a complementação do voto do relator da reforma, Samuel Moreira (PSDB-SP), a sessão da comissão especial da PEC da Previdência foi aberta, ontem, apenas por volta das 20h, mas sem que o parecer tenha sido votado.

Depois de seis horas de reunião, marcadas por tentativas de obstrução de partidos da oposição (PT, PSB, PDT, Psol e Rede), o presidente do colegiado, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), convocou uma nova sessão para hoje, às 9h horas, quando serão apreciados os destaques das bancadas e o texto principal da proposta, que poderá ser, enfim, votado.

Lá fora, a liquidez está reduzida, por conta do fechamentos dos mercados nos Estados Unidos, pelo feriado do Dia da Independência.

1. Bolsas Internacionais
Com os negócios fechados nos Estados Unidos, as bolsas no exterior operam sem sinais distintos, mas refletindo os dados de emprego divulgados na véspera, quando o setor privado norte-americano gerou, em junho, menos postos de trabalho do que o previsto pelo mercado.

Os dados da ADP são sempre uma prévia relatório de emprego oficial dos EUA, o payroll, que será publicado amanhã, às 9h30. Entretanto, nem sempre são más as notícias sobre emprego mais fraco, visto que contribuem para que os investidores vejam maior chance de corte de juros pelo Federal Reserve. Na última reunião, o Fed pela primeira vez não descartou uma redução das taxas ainda este ano.

Na Ásia, os principais índices fecharam misturas, com as novas expectativas sobre os juros norte-americanos, assim como com o encaminhamento das negociações comerciais entre EUA e China. Ontem, o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que as negociações “face-a-face” começariam “em breve”.

Na Europa, os investidores também adotam tom de cautela, com os principais índices operando com leve alta ou estáveis.

Entre os indicadores, as vendas no varejo da zona do euro caíram 0,3% em maio ante abril. O resultado frustrou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,3% nas vendas. Na comparação anual, porém, houve alta de 1,3% em maio. Os dados de abril foram revisados, para queda mensal de 0,1% e avanço anual de 1,8%.

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Entre as commodities, os preços do petróleo caem esta quinta-feira, por conta dados de menor consumo do que o esperado sobre os estoques de petróleo dos Estados Unidos e preocupações com a economia global. Já o minério de ferro, após as recentes alta, opera em queda.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h19 (horário de Brasília):

S&P 500 Futuro (EUA), (fechado por feriado)
Nasdaq Futuro (EUA), (fechado por feriado)
Dow Jones Futuro (EUA), (fechado por feriado)
DAX (Alemanha), +0,08%
FTSE (Reino Unido), +0,13%
CAC-40 (França), +0,03%
FTSE MIB (Itália), +0,60%
Hang Seng (Hong Kong), -0,21% (fechado)
Xangai (China), -0,33% (fechado)
Nikkei (Japão), +0,30% (fechado)
Petróleo WTI, -0,40%, a US$ 57,09 o barril
Petróleo Brent, -0,08%, a US$ 63,77 o barril
Bitcoin, US$ 11.682,92, +4,01%
R$ 44.860, +3,89% (nas últimas 24 horas)
Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 3,77%, a 868,00 iuanes, equivalentes a US$ 126,00 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica
Com o feriado nos Estados Unidos, a agenda de indicadores está esvaziada hoje. No Brasil, a única divulgação prevista é a da produção de junho de veículos, às 10h00, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

3. Previdência
A comissão especial que analisa a proposta de reforma da Previdência tentará concluir hoje a votação do novo parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), o que poderia garantir o envio do texto da PEC ao plenário da Câmara dos Deputados para apreciação ainda neste semestre, antes do recesso parlamentar, que se inicia em duas semanas.

Entre os destaques da nova versão da proposta está a manutenção das regras para as aposentadorias dos policiais que atuam na esfera federal, que se aposentarão aos 55 anos de idade, com 30 anos de contribuição e 25 anos de exercício efetivo na carreira, independentemente de distinção de sexo. Antes do início da sessão, líderes partidários haviam anunciado acordo para reduzir a 52 anos às mulheres e 53 anos para os homens a idade mínima de aposentadoria, o que acabou não ocorrendo.

Maia havia indicado que a suavização das condições de aposentadorias para policiais que servem à União criaria um efeito cascata que desidrataria a reforma da Previdência.

A flexibilização nas regras das aposentadorias de policiais que servem a União no texto da reforma da Previdência foi um desejo pessoal do presidente da república Jair Bolsonaro. “Eu fiz uma excelente proposta, não aceitaram (a categoria dos policiais). Agora vai para o voto”, disse, ao ser questionado se teria feito alguma orientação sobre o assunto, como informado por líderes da Câmara.

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O novo parecer confirmou ainda o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 15% para 20% restrito apenas a bancos médios e grandes. O voto anterior, lido na segunda-feira, previa que a elevação da alíquota valeria para todas as instituições financeiras, exceto a B3 (antiga Bolsa de Valores de São Paulo). As cooperativas de crédito haviam sido beneficiadas com aumento menor, para 17%.

Com o novo texto, os demais tipos de instituições financeiras, como corretoras, distribuidoras, sociedades de crédito e investimentos, sociedades de crédito imobiliário, sociedades de arrendamento mercantil, fintechs, entre outras, continuarão a pagar 15% de CSLL. As cooperativas de crédito também foram poupadas do aumento.

No voto lido ontem, Moreira recuou também da permissão para que estados e municípios aumentem a contribuição dos servidores públicos locais para cobrir os rombos nos regimes próprios de Previdência. A possibilidade constava do relatório apresentado ontem (2) pelo relator.

Com a desistência, os estados e os municípios voltam a ficar integralmente fora da reforma da Previdência. Caberá às Assembleias Legislativas estaduais e às Câmaras Municipais aprovar a validade da reforma para os governos locais, assim como o aumento das alíquotas dos servidores sob sua alçada.

4. Expert XP

Começa hoje a nona edição da Expert XP, que se tornou um dos eventos de investimentos mais relevantes do mundo. Em 2019, o evento reunirá mais de 190 palestrantes de diferentes áreas para debater os temas mais importantes do momento na política e na economia e dar sua visão sobre inovação, empreendedorismo e carreira.

Estarão lá Ben Bernanke, ex-presidente do Federal Reserve (o banco central americano); os ministros Paulo Guedes e Sergio Moro; empresários como Jorge Paulo Lemann (3G e AB InBev) e Guilherme Benchimol (grupo XP), Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados; alguns dos mais bem-sucedidos gestores de fundos do país, como André Jakurski, Luis Stuhlberger, Márcio Appel e Rogério Xavier; e os economistas Zeina Latif, Ricardo Amorim e Alexandre Schwartsman, entre outros.

O evento trará ainda personalidades com histórias inspiradoras, que contarão suas experiências e os desafios que enfrentaram rumo ao sucesso. Entre elas, estão o nadador Michael Phelps, o maior medalhista olímpico da história.

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Haverá também palestras rápidas acontecendo simultaneamente em diferentes espaços da Expert XP, com conteúdos objetivos sobre investimentos, planejamento financeiro e economia.

5. Notícias corporativas
O banco digital da Via Varejo, o banQi, vai receber aporte de R$ 300 milhões das parcerias firmadas com Mastercard e Zurich para oferecer novas soluções financeiras. Entre agosto e setembro, serão disponibilizados um cartão pré-pago digital e a contratação de seguros por meio do aplicativo. A premissa do banQi é atender a população brasileira desbancarizada, com foco nas classes C, D e E.

A varejista informou ainda que a parceria com a Cielo habilita os usuários a pagar compras a partir de um QR Code gerado pelas maquininhas de pagamento da empresa. Todos os pagamentos realizados a partir do banQi oferecerão o benefício do cashback. O dinheiro de volta chega a 1% do total da compra, de acordo com as empresas.

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