Redução de riscos e Petrobras cliente: os motivos do otimismo com a ação da OceanPact

Analistas projetam redução gradual de riscos após recontratação de embarcações com tarifas mais elevadas

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

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De olho em novos contratos e avanços com a Petrobras (PETR3;PETR4), além de redução de riscos, o Itaú BBA e o Bradesco BBI elevaram as suas projeções para a OceanPact (OPCT3), prestadora de serviços marítimos.

O Bradesco BBI manteve a recomendação de compra para as ações da OPCT3 e elevou o preço-alvo de R$ 8 para R$ 10 por ação, graças à redução gradual de riscos, impulsionada principalmente pela recontratação de embarcações com tarifas diárias mais elevadas e pelo avanço de processos judiciais contra a Petrobras, que devem resultar, ainda que de forma lenta, em uma geração de caixa positiva para a companhia.

Os analistas destacaram que os novos contratos de RSVs (embarcações de suporte a operações com veículos de operação remota) chegaram a um ponto crítico, com a Petrobras já tendo habilitado a contratação de quatro navios da OceanPact, cujos contratos devem ser assinados no próximo mês. Embora as tarifas diárias das licitações mais recentes estejam 16% abaixo dos valores iniciais, elas seguem em linha com as estimativas do banco.

Viva do lucro de grandes empresas

Outro ponto relevante, segundo o BBI, foi o anúncio feito no último Investor Day de um importante contrato de descomissionamento, que deve adicionar aproximadamente R$ 130 milhões ao EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual da companhia entre 2026 e 2028, com um investimento estimado em R$ 100 milhões. O banco estima uma taxa interna de retorno (TIR) real de cerca de 40% para esse projeto.

O Bradesco BBI observa que as ações da OceanPact estão sendo negociadas a 2,6 vezes o múltiplo Valor da Firma (EV)/EBITDA projetado para 2026, o que representa um desconto de 37% em relação aos pares internacionais comparáveis. No novo preço-alvo, esse desconto cairia para 20%, patamar considerado mais razoável, dado o maior custo de capital da empresa.

Por fim, o banco reiterou que a tese da OceanPact permanece fortemente ligada à perspectiva de queda nas taxas de juros no Brasil, já que a maior parte da dívida da companhia ainda está indexada ao CDI.

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O Itaú BBA também reiterou recomendação equivalente à compra para OceanPact e elevou o preço-alvo de R$ 8 para R$ 9, com estimativas atualizadas refletindo os resultados dos últimos leilões da Petrobras para embarcações de apoio offshore, nos quais a OceanPact provavelmente garantirá quatro novos RSVs e um contrato de AHTS com tarifas diárias significativamente mais altas.

As novas estimativas do BBA não levam em conta a potencial entrada de caixa das ações judiciais envolvendo a UP Coral e a UP Turquoise, que estão tramitando favoravelmente para a empresa. O banco projeta que um resultado positivo poderia resultar em uma recuperação de aproximadamente R$ 527 milhões para a OceanPact até 2026 (equivalente a 39% do valor de mercado), o que pode permitir uma distribuição significativa de dividendos aos acionistas.

O time do BBA prevê que as ações serão negociadas a um EV/EBITDA de 5,2 vezes em 2025, 3,6 vezes em 2026 e caindo para 2,7 vezes em 2027. Em termos de rendimento do fluxo de caixa livre (FCFE), analistas estimam -18% em 2025, 4% em 2026 e um aumento acentuado para 22% em 2027 (excluindo mudanças na dívida).