Em recuperação judicial

Oi tem prejuízo de R$ 6,28 bi; companhia propõe separação em 4 unidades, com área móvel valendo R$ 15 bi

A Oi comunicou que o resultado negativo foi decorrente dos impactos da variação cambial sobre suas operações

(Foto: Reprodução)
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SÃO PAULO  – A companhia de telecomunicações Oi (OIBR3;OIBR4), em recuperação judicial, reverteu lucro líquido de R$ 568,4 milhões no primeiro trimestre de 2019 para um prejuízo líquido de R$ 6,28 bilhões em igual período de 2020, sendo o resultado atribuído aos sócios controladores da empresa.

A Oi comunicou que o resultado foi decorrente dos impactos da variação cambial sobre suas operações, passando de despesa financeira dos R$ 201,7 milhões em 2019 para R$ 6,47 bilhões nos três primeiros meses de 2020, 32 vezes maior.

Já a receita líquida foi de R$ 4,74 bilhões, queda de 7,4% frente os R$ 5,13 bilhões em igual período de 2019. O custo de vendas dos serviços, por sua vez, totalizou R$ 3,66 bilhões, baixa de 5,3% frente os R$ 3,83 bilhões do mesmo período de 2019. O lucro operacional, por sua vez, foi cinco vezes menor, passando a R$ 188,1 milhões no primeiro trimestre de 2020.

Proposta de aditamento

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Mais do que o resultado da companhia, a companhia de telecomunicações encaminhou para o Juízo da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro um pedido de aditamento ao plano de recuperação judicial que foi aprovado pelos credores da companhia em dezembro de 2017, quando dívidas de R$ 64 bilhões foram reduzidas e parceladas no tempo, mediante compromissos assumidos pela tele.

Quase três anos depois, a operadora pretende realizar uma nova assembleia com os credores – prevista para ocorrer em agosto – para obter o aval para realizar mudanças importantes na estrutura da companhia.

O objetivo da Oi é criar quatro unidades produtivas isoladas (UPIs), estruturas que servirão para segregar os ativos e passivos de cada um dos segmentos de telecomunicações em que atua e, com isso, abrir caminho para a venda dessas unidades. São essas as áreas: Ativos Móveis, Torres, Data Center e InfraCo.

Os recursos obtidos com a venda dos ativos servirá para pagar dívidas remanescentes e levantar o recursos necessários para realizar os investimentos nas redes de fibra ótica, que são apontadas pela direção da Oi como o foco da estratégia daqui em diante.

“As UPIs serão constituídas sob a forma de sociedades por ações de propósito específico e poderão ser alienadas, em modelos distintos para cada natureza de UPI, visando ao pagamento de dívidas e à geração de recursos necessários à expansão de sua infraestrutura de fibra e serviços associados, que são o foco principal da estratégia do grupo Oi”, diz o documento.

As UPIs serão divididas entre redes móveis, torres, data centers e infraestrutura de fibra (como já citado acima, o foco da Oi).

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A UPI Ativos Móveis reunirá ativos e passivos relacionados às atividades de comunicação móvel e deverá ser 100% vendida por meio de procedimento competitivo pelo mínimo de R$ 15 bilhões em dinheiro.

Já a UPI Torres reunirá ativos e passivos relacionados às atividades de torres de transmissão e radiofrequência e será 100% vendida pelo mínimo de R$ 1 bilhão em dinheiro.

A UPI Data Center será composta por ativos e passivos relacionados às atividades de data center e deverá ser 100% vendida pelo mínimo de R$ 325 milhões em dinheiro, sendo R$ 250 milhões à vista.

A UPI SPE InfraCo reunirá ativos de infraestrutura e fibra e buscará no mercado os recursos necessários para o financiamento de seus investimentos.

O aditamento prevê venda parcial da UPI InfraCo por meio de procedimento competitivo que deve assegurar pagamento mínimo de R$ 6,5 bilhões por participação equivalente máxima de 51,0% do capital votante.

O aditamento também prevê possibilidade de ajustes nas condições de pagamento de credores concursais e mecanismos que permitem ou obrigam a companhia a pagar determinados créditos em prazo menor do que o previsto no plano de recuperação.

“O aditamento ao plano de recuperação judicial busca permitir ao Grupo Oi viabilizar a execução de seu plano de longo prazo, com o equacionamento necessário da sua dívida, no contexto atual, e a continuidade de suas atividades”, descreve o comunicado oficial divulgado no fim da noite desta segunda-feira, que é assinado pela Diretora de Finanças e Relações com Investidores, Camille Loyo Faria.

O comunicado também cita que os aditamentos no plano vão permitir melhorar as condições de pagamentos dos credores, contratar novos financiamentos e facilitar obtenção de novos recursos, além de criar uma estrutura societária mais flexível.

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O mercado parece ter reagido de uma forma um tanto neutra ao comunicado, com os papéis registrando pouca variação em seus valores, com queda de 1,49% para os ativos PN, a R$ 1,32, enquanto os ativos ON fecharam estáveis, a R$ 0,98.

Logo após a notícia, os analistas do Credit Suisse avaliaram que a proposta de alteração no plano de recuperação judicial parecia positiva à primeira vista – se executada, citando os valores, com o valor estimado pela área móvel em R$ 15 bilhões (em linha com o esperado), a venda da fatia nos ativos de fibra em R$ 17,5 bilhões e o pagamento antecipado de dívida a preços abaixo.

Segundo a Levante, a a proposta de aditamento que busca dividir a companhia em quatro (ativos móveis, torres, data center e infraestrutura) é uma boa notícia para os acionistas pois uma vez aprovada facilitará a gestão das operações, a venda de ativos bem como simplificar e limpar a sua estrutura societária atual.

“Os catalisadores das ações da Oi são: sucesso na operação de fibra ótica e geração de caixa via venda de ativos para conseguir continuar realizando seus investimentos”, afirmam os analistas da casa de análise.

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