Destaque da Bolsa

Oi dispara 42% em 4 dias com “short squeeze”; Petrobras ON sobe quase 9%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou próximo da máxima nesta quarta-feira (16), com a disparada das ações da Petrobras, que figuraram entre as maiores altas do índice, em meio a rumores de saída de Aloizio Mercadante da Casa Civil e arrancada dos preços do petróleo no mercado internacional. 

Entre as maiores altas do índice voltaram a chamar atenção as ações da MRV Engenharia, que nos últimos quatro pregões já saltam 14%, além dos papéis da Cyrela – também do setor de construção civil.

A Oi, que vem figurando entre as máximas do Ibovespa neste semana, seguiram o movimento de forte alta hoje. Nos últimos quatro pregões, as ações da operadora já subiram 41,78%. No mercado, operadores falaram de um possível “short squeeze” com o papel, dado que a demanda pelo aluguel tem sido crescente enquanto a oferta está escassa. 

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Já na ponta negativa, destaque para as ações das empresas de papel e celulose, que caíram forte entre queda do dólar e rumores de que o BNDESPar vai vender ações dessas empresas para reforçar o caixa para o segundo semestre deste ano. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 9,48, +8,59%; PETR4, R$ 8,14, +6,41%)
As ações da Petrobras aceleraram ganhos nesta tarde, entre disparada dos preços do petróleo no mercado internacional e rumor de saída de Aloizio Mercadante da Casa Civil. Lá fora, o preço do petróleo Brent, usado como referência pela estatal, subiram 4,29%, a US$ 49,80. A commodity intensificava a alta após divulgação dos estoques de petróleo e aumento dos preços da gasolina nos Estados Unidos. Os estoques de petróleo caíram em 2,1 milhões de barris na semana passada, contra expectativa de aumento de 1,2 milhões de barris.

Sobre a pauta política, que puxa para cima juntamente o Ibovespa, coluna da Cristiana Lôbo, do G1, aponta que Dilma Rousseff prepara a saída de Mercadante da Casa Civil. Além disso, voltou especulações de que Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central, vai ser substituído por uma pessoa do mercado, segundo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo

No noticiário da companhia, a companhia informou que sua produção média de petróleo e gás natural, no Brasil e no exterior, foi de 2,88 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em agosto de 2015, com crescimento de 3,1% em relação a julho, quando foram produzidos 2,80 milhões. Segundo a empresa, o número representa um novo recorde histórico, 0,8% superior ao recorde anterior de 2,86 milhões boed alcançado em dezembro de 2014. Esse volume é também 4,5% maior que o registrado em agosto de 2014 (2,76 milhões boed).

Oi (OIBR4, R$ 3,29, +10,76%) 
As ações da Oi já dispararam 41,78% em quatro pregões com possível “short squeeze” (ou pressão dos vendidos). Operadores de mercado comentaram que o aluguel dos papéis da companhia têm sido um dos mais procurados no BTC, mas que não tem mais doadores. Com a falta de doadores no mercado, quem vendeu a seco o papel ou que precisa renovar o contrato não consegue mais encontrar aluguel, o que leva a uma avalanche de vendedores zerando posições e, consequentemente, puxando essa forte arrancada das ações. Um movimento meramente técnico.

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Para quem conseguiu “tomar” o papel emprestado, a taxa para alugar as ações preferenciais da Oi ultrapassavam, em média, os 23% ao ano. 

Varejistas
As ações do setor de varejo subiram forte. A euforia que tomou conta do mercado ofusca dados ruins do setor divulgados nesta quarta-feira. Na Bolsa, destaque para os papéis da Via Varejo (VVAR11, R$ 6,30, +6,78%), Cia Hering (HGTX3, R$ 12,85, +6,29%), Lojas Renner (LREN3, R$ 101,20, +3,78
%) e Magazine Luiza (MGLU3, R$ 2,22, +5,71%), todas com alta superior a 2%.   

Apesar da alta, dados divulgados hoje mostram que as vendas no comércio varejista encolheram 1% em julho, na comparação com o mês anterior. Essa foi a sexta queda consecutiva das vendas no setor, sendo a mais longa sequência desde 2001. 

Vale e siderúrgicas 
As ações de Vale (VALE3, R$ 19,04, +2,37%VALE5, R$ 15,14, +2,23%) e siderúrgicas registraram alta hoje, em meio às suspeitas de que o governo da China pode adotar estímulos para o mercado,  com uma enxurrada de compras logo antes de o mercado fechar ajudando a reverter muitas das perdas do começo da semana.

No noticiário da Vale, a companhia deve adotar uma postura mais conservadora na distribuição de dividendos em outubro, dada a deterioração das condições de mercado, comentou o Bank of America Merrill Lynch nesta quarta-feira.

Em nota de 30 de julho, o diretor de ferrosos da companhia, Peter Poppinga, disse que o pagamento de dividendos do segundo semestre é decisão do conselho e dependeria de fluxo de caixa.

Hypermarcas (HYPE3, R$ 14,90, +4,20%)
A Fitch Ratings afirmou ontem o rating da companhia em “BB+”, com a perspectiva positiva. A nota reflete a expectativa da agência de que a companhia consiga reduzir sua alavancagem (dívida líquida/Ebitda) para aproximadamente 2 vezes nos próximos 18 a 24 meses. 

Ambev (ABEV3, R$ 19,45, +2,05%)
As ações da Ambev registraram alta de cerca de 2% hoje, em meio às notícias de que a sua controladora indireta, a Anheuser-Busch InBev, pretende fazer uma oferta pela
rival SABMiller, em um acordo que reuniria as duas maiores fabricantes de cerveja do mundo e criaria uma empresa que controla cerca de metade do lucro da indústria cervejeira.

Embora a Ambev tenha comentado nesta manhã que o processo está conduzido diretamente pela AB InBev, o mercado acredita que a companhia poderá ter participação no acordo. Segundo o BTG Pactual, a dúvida é em que condições se dará esse acordo. “Considerando transações anteriores e os temores do mercado sempre que esse rumor da SAB ocorreu, acreditamos que Ambev pode sofrer no temor de algum movimento de diluição para os minoritários”, comentaram os analistas. 

Em nota, a Elite Corretora comentou que, como a AB InBev é relativamente  endividada e a Ambev possui caixa líquido de mais de R$ 5 bilhões, é provável que a empresa brasileira tenha participação na operação. A Ambev acabou de emitir R$ 1 bilhão em debêntures, o que fez o mercado especular se tinha relação com juros sobre capital próprio. 

Fibria, Suzano e JBS
Nas maiores quedas do Ibovespa aparecem as ações das empresas do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 52,79, -2,82%) e Suzano (SUZB5, R$ 18,32, -3,38%), que são puxadas para baixa pela desvalorização do dólar e rumores de que o BNDESPar pode começar a vender ações dessas companhia, além da JBS (JBSS3, R$ 16,41, -0,55%), para reforçar o caixa. Segundo uma matéria de O Estado de S. Paulo, o banco pretende alcançar o lucro entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões no segundo semestre. Apesar disso, as ações da JBS têm leve alta hoje. 

Em nota nesta manhã, no entanto, o BNDESPar informou que esses rumores são infundados. 

MRV Engenharia (MRVE3, R$ 6,93, +4,68%)
As ações da MRV voltam a disparar nesta sessão. Ontem, analistas comentaram que a alta devia-se à avaliação de que o pacote fiscal do governo deve ter efeito limitado sobre o programa “Minha Casa, Minha Vida”, embora riscos para o setor permaneçam no horizonte. As demais ações expostas ao programa operam em sentido misto hoje: Direcional (DIRR3, R$ 3,80, +3,26%) e Gafisa (GFSA3, R$ 2,28, -0,44%). Vale mencionar que outras ações do setor, que não são expostas ao programa, sobem hoje, como é o caso da Cyrela (CYRE3, R$ 8,38, +4,62%), Eztec (EZTC3, R$ 13,09, +5,74%) e Even (EVEN3, R$ 3,69, +3,07%), que tiveram ganhos superiores a 3%

Ontem, operadores ouvidos pela Reuters ontem atrelaram a forte alta das ações da MRV e Direcional ao alívio quanto à chance de as medidas fiscais terem um impacto negativo mais forte no MCMV. O Bradesco BBI destacou que a proposta evita outro corte no programa por ora, mas afirmou que o governo já deve cerca de R$ 8 bilhões para o FGTS, uma vez que o fundo já vem pagando por alguns dos subsídios, conforme relatório a clientes.

Cemig (CMIG4, R$ 7,42, +2,34%)
A Cemig teve sua recomendação elevada para compra pelo Citi, após queda de 40% desde junho. O preço-alvo, no entanto, foi cortado para R$ 10,30 por ação, contra R$ 12,90 anteriormente.  

Estrela (ESTR4, R$ 0,39, +8,33%)
O acionista controlador da fabricante de brinquedos Estrela fará OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações para fechamento de capital da companhia. Carlos Antonio Tilkian fará oferta de R$ 0,37 por ação para adquirir todas as ações da companhia em circulação no mercado. O valor representa um prêmio de 2,8% sobre o último preço de fechamento dos papéis preferenciais, que não foram negociados na terça-feira e fecharam a segunda-feira cotados a R$ 0,36. 

 

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