DIRETO DO PREGÃO

Oi afunda 7% e BR Insurance sobe 9%; as 21 ações que foram destaque no pregão desta terça

Vale e siderúrgicas sobem com dados bons da China, enquanto Oi volta a cair forte em meio à derrocada das ações da Portugal Telecom

Por  Thiago Salomão

SÃO PAULO – Com o noticiário movimentado, 21 ações chamaram atenção no pregão desta terça-feira (1). Os destaques vão desde os papéis “pesos-pesados” da Vale (VALE3; VALE5), que subiram forte com dados positivos da China, até a derrocada dos papéis da endividada Oi (OIBR4), que voltaram a cair em meio a desvalorização das ações da Portugal Telecom, sua principal acionista.

Além delas, a Petrobras (PETR3; PETR4) figurou no holofote do mercado, já que depois de subirem durante a manhã, as ações viraram para o campo negativo. Os papéis ordinários da companhia fecharam com queda de 1,17%, a R$ 16,05, enquanto os preferencias recuaram 0,58%, para R$ 17,19.

A presidente da estatal, Maria das Graças Foster, voltou a bater na tecla de que não fará a tão temida capitalização da Petrobras. Segundo a executiva, não há sinais de uma nova capitalização, caso sejam mantidas as premissas traçadas no planejamento estratégico até 2030.

Confira os principais destaques do pregão:

Gol (GOLL4, +3,16%, R$ 12,40)
Maior alta do Ibovespa nesta sessão, a companhia aérea reflete a notícia de que a taxa de ocupação entre janeiro e maio foi de 76%, cravando o melhor resultado da história da companhia aérea. Nos cinco primeiros meses do ano, a demanda pelos voos da Gol aumentou em 12%, mais de duas vezes superior ao crescimento médio do setor. Nem mesmo o crescimento econômico de 0,17% entre janeiro e março foi suficiente para impedir o bom desempenho da companhia.

Além disso, a Gol tem sido beneficiada pelo cenário mais calmo no câmbio, com o dólar mais próximo de R$ 2,20 e os analistas não esperando grande volatilidade daqui pra frente, atingindo no máximo o patamar de R$ 2,25. Enquanto isso, a redução das tensões no Iraque favorecem o preço do petróleo, o que evita maiores gastos da companhia com combustível. Variação cambial e petróleo representam quase 50% dos custos da companhia.

Eletropaulo (ELPL4-1,67%, R$ 10,57) 
As ações da Eletropaulo caíram no pregão desta terça depois que a Aneel (Agência de Energia Elétrica) rejeitou recurso da empresa sobre devolução de R$ 626 milhões aos consumidores da companhia. Em dezembro de 2013, o órgão regulador determinou essa restituição nas contas de luz pelos próximos 4 processos de reajustes tarifários da distribuidora, devido à descoberta de que uma quantidade enorme de fiação declarada pela companhia simplesmente não existia. A devolução será realizada por meio das revisões e reajustes tarifários. Com isso, a notícia deve impactar o reajuste da companhia agora em julho. A companhia solicitou reajuste de 16,69% nas tarifas de energia. Para a XP Investimentos, as ações da companhia já contemplam um reajuste maior e essa notícia tende a pesar.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, +1,40%, R$ 29,65; VALE5, +1,48%, R$ 26,66) e siderúrgicas ganharam força no pregão desta terça-feira, repercutindo positivamente dados da indústria chinesa.

O PMI industrial chinês avançou. Na leitura do CFLP, o índice PMI da indústria subiu a 51 em junho, de 50,8 em maio, ante previsão de avanço a 51,1. É a maior leitura do ano do índice oficial, igualando a marca registrada em dezembro de 2013. Já o PMI industrial medido pelo HSBC subiu a 50,7 na leitura final de junho, de 49,4 em maio, ficando ligeiramente abaixo da leitura preliminar, de 50,8. É a primeira vez que o indicador encerra um mês de 2014 mostrando melhora da atividade.

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A Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na Vale, fechou o pregão com avanço de 1,58%, a  R$ 20,57. Entre as siderúrgicas a Usiminas (USIM5) fechou com ganhos de 2,24%, cotadas a R$ 7,75. Já a Gerdau (GGBR4, -0,08%, R$ 9,34) e CSN (CSNA3, -0,64%, R$ 9,34) fecharam o pregão desta terça-feira em queda.

Para a mineradora, repercute positivamente também a alta de 0,4% do preço do minério de ferro, enquanto as siderúrgicas reagem ainda ao anúncio feito na véspera pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que manteve a alíquota reduzida do IPI, lembrando que o setor automotivo é um dos grandes clientes das siderúrgicas. A continuidade da tarifa menor foi anunciada após o ministro se reunir com representantes da Anfavea. As montadoras têm sofrido com alto nível de estoques e reduziram em 18% a produção de veículos nas linhas de montagem em maio, na comparação com o mesmo mês de 2013. 

BR Insurance (BRIN3+8,84%R$ 11,70)
Após 6 pregões quase que estável, a ação da BR Insurance disparou nesta terça-feira e continua buscando “renascer” no mercado acionário, após ter perdido mais de 60% de valor de mercado entre 31 de março e 7 de abril.

De 6 de junho pra cá, dia que a companhia reagiu à notícia de que a Gávea Investimentos poderia adquirir a empresa, as ações BRIN3 subiram 42%; da mínima alcançada em 7 de abril (R$ 5,68) até hoje, a valorização é de 106,7%.

Em entrevista recente ao InfoMoney, o CFO da BR Insurance, Miguel Longo, afirmou que a administração da companhia está passando por um processo de reintegração e busca focar em melhores processos, de modo a buscar maior eficiência.   

Triunfo (TPIS3,  +4,76%R$ 7,49)
As ações da Triunfo mostram reação após forte queda no último minuto do pregão anterior. No leilão de fechamento de segunda-feira, os papéis da companhia foram de R$ 7,72 para R$ 7,15 – queda de 7,50% em apenas 1 minuto -, com uma enxurrada de ordens de vendas oriundas da corretora do Bradesco, com o último leilão sendo responsável por mais de um terço do volume financeiro de toda segunda-feira.

Uma enorme quantidade de vendas com uma diferença de preços tão grande no leilão de fechamento pode sinalizar uma saída de um grande investidor ou fundo de investimento da ação e, como não conseguiu liquidar tudo que queria das ações, acabou tendo que vender tudo a preço de mercado no call de fechamento, derrubando o preço das ações até o encontro de novos compradores. Dessa forma, a reação positiva nesta terça-feira acaba sendo uma correção da forte queda de ontem.

Kroton (KROT3, -0,74%, R$ 61,50)
A Kroton, que foi a melhor ação do primeiro semestre no Ibovespa, com valorização de 58,68%, chegou a operar em alta hoje, mas virou para a queda no final deste pregão.

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A alta se deu após a informação que seu conselho de administração aprovou programa de recompra envolvendo até 5.236.265 ações da companhia, representativas de 2,5% de suas ações em circulação no mercado. Segundo ata da reunião realizada nesta terça-feira, o novo programa valerá pelo próximo ano, encerrando em 30 de junho de 2015.

Oi (OIBR4, -7,18%, R$ 1,81)
As ações da Oi voltaram a desabar em meio à derrocada dos papéis da Portugal Telecom diante de riscos de investimentos. Hoje os papéis da operadora portuguesa caíram 10% para a mínima de 17 anos e meio, continuando a ser pressionadas pelos potenciais efeitos nocivos do seu investimento na dívida do Grupo Espírito Santo, segundo operadores. Vale mencionar que essa é a terceira queda seguida das ações da Oi. 

A Portugal Telecom, que tem como maior acionista o Banco Espírito Santo (BES), confirmou na semana passada que investiu em notas promissórias da Rioforte, do Grupo Espírito Santo, antes da fusão da operadora portuguesa com a brasileira Oi, o que foi visto como um foco potencial de riscos reputacionais. Na segunda-feira, a Portugal Telecom esclareceu que tem uma exposição total ao Grupo Espírito Santo de 897 milhões de euros em notas promissórias da Rioforte.

Qualicorp (QUAL3, -1,34%, R$ 25,75)
As ações da Qualicorp apareceram como uma das maiores quedas do Ibovespa nesta sessão, após ter sido rebaixada pelo Bank of America Merrill Lynch. O banco de investimentos cortou a classificação de compra para neutra.  

Gradiente (IGBR3, -5,71%, R$ 5,28)
As ações da Gradiente caíram forte nesta sessão. A SportPro, credora da IGB Eletrônica, dona da marca Gradiente, conseguiu na Justiça a penhora de bens da companhia, que está em recuperação extrajudicial, de acordo com decisão da Justiça em meados do mês de junho. A SportPro entrou com um processo contra a dona da marca Gradiente antes do plano de recuperação. A credora foi colocada no processo tendo que receber um valor de R$ 500 mil, enquanto teria que receber R$ 8 milhões por serviços prestados à companhia.

João Fortes (JFEN3, -0,60%, R$ 4,96)
Fora do Radar, a João Fortes (JFEN3), que tem baixa liquidez na Bolsa, anunciou ontem que seu conselho de administração aprovou na véspera a venda da totalidade das açõesde emissão da Shopinvest Empreendimentos e Participações para a Gaster Participações, cujo principal acionista é o FIP da Serra, atual controlador da JFE (diretamente com 55% das ações da companhia, e indiretamente, através da própria Gaster, que possui 18% dos papéis da empresa).  Em comunicado, a João Fortes aponta que a venda foi realizada a valor de mercado, com base em laudos de avaliação elaborados por empresas especializadas. O pagamento será realizado em até 45 dias. 

Concessionárias
Os papéis das concessionárias de rodovias chegaram a subir neste pregão, mas apenas a CCR (CCRO3, +0,44%, R$ 18,08) estendeu seus ganhos, já que a Ecorodovias (ECOR3, -0,26%, R$ 15,10) e a Arteris (ARTR3, -0,27%, R$ 18,35) fecharam o pregão desta terça-feira registrando leves quedas.

 As altas registradas hoje vieram depois da notícia de que o governo de São Paulo deve encontrar dificuldades para manter os reajustes de pedágio deste ano abaixo da inflação se caso seguir para a Justiça. Ontem, a CCR , Ecorodovias  e Arteris  manifestaram descontentamento com o reajuste da Artesp e informaram que tomariam as medidas necessárias para reverter a decisão.

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MMX (MMXM3, -6,40%, R$ 1,90)
Além de serem os papéis de pior desempenho do mês, as ações da mineradora MMX (MMXM3), liderada por Eike Batista, são também os do semestre e entram o mês de julho com queda, seguindo o mesmo caminho. Nesta terça-feira, as ações caem quase 5,42%, cotadas a R$ 1,92, seguindo em sua mínima histórica.

A mineradora viu suas ações liderarem as perdas do semestre, chegando a 50,67% de queda nos 6 meses, registrando 15,06% de queda só neste mês. Na última quinta-feira (26), a mineradora disse que buscava um parceiro para mina no projeto Serra Azul, em Minas Gerais, enquanto lida com o colapso do conglomerado de petróleo, energia, mineração, construção naval e operações portuárias do empresário. O minério de ferro no mercado à vista caiu mais de um terço nos últimos 10 meses e agora opera perto de mínimas de dois anos e, de acordo com a mineradora, isto estava dificultando o encontro de uma parceria.

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