OGX assusta mercado e coloca confiança de todo o grupo EBX em xeque

No entanto, analistas avaliam reação como exagerada e pedem para que investidores aguardem por mais informações da empresa

SÃO PAULO – Na noite de terça-feira (26) a OGX Petróleo (OGXP3) anunciou que sua produção inicial no campo de Tubarão Azul será muito abaixo do que o mercado esperava. Mas o fato transcende os efeitos na petrolífera e afetam todo o grupo, o que chama atenção a outro fato: a confiança no grupo de Eike Batista está abalada.

Sem nenhum evento que envolva diretamente a empresa, as ações da MMX Mineração (MMXM3) despencam 21,6% na semana. As da LLX (LLXL3) seguem o mesmo caminho, em queda de 15,7%, assim como as da CCX (CCXC3) recuam 15,3% e as da MPX Brasil (MPXB3), 6,3%. Já os papéis da OSX Brasil (OSXB3), que produz equipamentos para a OGX, caem 32,0%, a que mais se aproxima das perdas da petrólfeira, de 42,6%.

Também chama atenção o forte volume da OGX, em um sinal de fuga dos investidores. Com uma média diária de R$ 389,8 milhões negociados nos últimos 21 dias, o R$ 1,16 bilhão movimentado na quarta-feira e os R$ 822,1 milhões na quinta-feira superaram – e muito – o volume de qualquer empresa da bolsa. A ação preferencial da Vale (VALE3, VALE5), normalmente a mais negociada da BM&FBovespa, sequer se aproximou da OGX: somando o volume dos dois dias, o número chega a R$ 1,0 bilhão. 

Caso OGX é um caso isolado?
“O desempenho negativo ocorreu com uma possível perda de credibilidade em relação aos projetos”, crava Eduardo Machado, analista da Amaril Franklin. Ele lembra que há uma cobrança muito grande sobre as empresas de Eike Batista por serem, em sua maioria, pré-operacionais.

Sendo assim, há um acompanhamento atento dos investidores quanto ao cumprimento de prazos e alterações no cronograma. Além disso, principalmente quando projeções são alteradas os modelos de cálculo são muito afetados.

Então um evento como esse frustra as projeções de produção na empresa mais importante do grupo e acaba tendo um efeito de contágio no restante do grupo. “O mercado volta os olhos para as outras companhias e se perguntam: será que não pode acontecer o mesmo com as outras?”, esclarece Machado.

O analista da Amaril Franklin alerta que o mercado não gosta de incertezas e oscilações bruscas, fatos que aumentam em muito o nervosismo, a volatilidade e o risco. Apesar disso, analistas avaliam esse desempenho recente como exagerado, já que não é inteiramente baseado em fundamentos.

Confiança abalada, um exagero?
“Foi exagerado porque ela tem um histórico de sucesso na exploração de poços, que são perto da costa e facilita a logística. Além disso, a OGX tem uma reserva muito grande”, lembra Nataniel Cezimbra, analista do BB Investimentos. Essa avaliação foi reforçada pela própria empresa na noite de quinta-feira, quando mostrou, em comunicado, surpresa com essa forte oscilação nas ações como reação ao anúncio da produção.

“A companhia acredita que tal oscilação possa ser resultado de uma errônea interpretação do mercado, o qual teria extrapolado essa vazão para estimar a produtividade de todos os demais poços de produção da  companhia planejados para os próximos anos”, crava o documento, assinado pelo diretor de relações com investidores, Roberto Mendes Monteiro.

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Cezimbra colocou o preço-alvo para as ações da companhia em revisão, assim como todo o modelo para a empresa, na espera por mais informações. E é isso o que os investidores deveriam fazer, sugere o analista da Amaril Franklin: esperar por mais detalhes. Aliás, a questão da credibilidade do grupo também depende dessas novas informações.

Recuperação é possível
Machado concorda com o exagero na reação dos acionistas e acredita em uma melhora. “Esperamos que os valores possam convergir para patamares anteriores na medida em que dados mais concretos surjam”, afirma.

Assim, o próximo evento que o investidor deve acompanhar com muita atenção é a divulgação da produção efetiva do poço. O nível de 5 mil barris de óleo diários em cada poço sinaliza apenas a vazão ideal, mas a empresa ainda fará um processo de injeção de água para aumentar a eficiência, o que é comum no setor petrolífero.

No entanto, não há data prevista para quando isso deverá ser anunciado e para quanto a produção real poderia chegar. “A injeção de água varia muito de poço para poço e depende da estrutura geológica”, explica Cezimbra.