Vida de Trader

O que um trader deve olhar antes de iniciar suas operações diárias?

Agenda de indicadores econômicos, noticiário, índices futuros, bolsas asiáticas... Veja o que realmente é importante acompanhar durante a manhã

SÃO PAULO – Há quem ganhe a vida na bolsa de valores, comprando e vendendo ações no momento certo e gerando lucro com isso. Estes, os traders profissionais, possuem rotinas que lhes ajudam a tomar as decisões no momento certo, que são seguidas praticamente todos os dias.

Determinar se o dia será positivo ou negativo é extremamente importante para que um trader consiga obter ganhos no mercado – e por isso, trata-se de um dos passos principais para os traders. “Tenho um checklist, passos que sigo antes do mercado abrir”, explica o diretor da Top Traders, Wagner Caetano – um engenheiro que largou o emprego para viver da bolsa. 

A primeira coisa que Caetano faz é olhar a agenda de indicadores diariamente para saber quais dados deverão ser divulgados, uma vez que alguns deles podem alterar o sentimento do mercado sobre a economia, jogando um balde de água fria ou para um determinado setor. Mário Saldanha, analista técnico do Saltrade, também se atenta à pauta econômica do dia antes de tudo. “Vejo se tem algum dado externo de peso a ser divulgado, para eu não realizar day trades nas proximidades da divulgação”, explica. 

Atenção às próprias finanças
Uma outra coisa destacada por Caetano é checar seus dados financeiros antes de montar qualquer operação. “Confiro o saldo, margens, limites, todas as variáveis na minha corretora para não ter surpresas quando for colocar a ordem”, diz o diretor da Top Traders.

Uma “surpresa” para o investidor seria montar a operação e descobrir que todo o limite de operação já foi utilizado, frustrando os planos, ou montar uma operação mais longa – e ter de fechar a operação por conta do saldo para não ter de pagar os juros da corretora. 

Notícias e futuros: é importante?
Feitas as observações iniciais, Saldanha fica de olho nos portais de notícia para descobrir alguma coisa que lhe seja útil durante a sessão. “Vejo também se tem alguma notícia macro que venha a afetar o mercado como um todo ou as blue chips de maior peso, pois elas arrastam o resto”, avalia o grafista. 

Caetano também integra-se do cenário político-econômico toda a manhã. “Busco saber o que aconteceu na Ásia no dia anterior, uma vez que nossa bolsa tem um peso relevante em commodities e o continente, em especial a China, influencia de maneira expressiva nesse aspecto”, avalia. Ele também busca outras notícias relacionadas às crises, rebaixamento de notas de crédito, discursos das autoridades e cotações de metais e petróleo. 

É depois de ler os acontecimento que os investidores ficam de olho nos futuros norte-americanos. “Faço isso para ter ideia do que pode vir a acontecer aqui na abertura, já que sempre tendemos a seguir os estrangeiros”, afirma Saldanha.

Caetano também o faz, para evitar o período de volatilidade elevada com a diferença entre a abertura da bolsa brasileira, às 10h00 (horário de Brasília) e a norte-americana, às 12h30. Dessa forma, sabe para que lado a bolsa penderá, puxado pelos estrangeiros. Para isso, ele também olha a posição dos investidores estrangeiros no dólar e no índice futuro e o fluxo do capital estrangeiro, para ver se está entrando ou saindo dinheiro na Bovespa.

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Além do futuro das bolsas norte-americanas, também é importante ficar atento aos contratos futuros do Ibovespa, que começam a ser negociados uma hora antes da Bovespa e funcionam como um bom “termômetro” de como o Ibovespa deverá iniciar o pregão em questão.

Depois disso, é só operar?
Depois de checar o cenário econômico, já é possível começar a operar. Mas Caetano ainda realiza alguns passos antes de começar a negociar os papéis. “Olho o saldo de termo e aluguel de ações nos papéis nos quais estou alocado ou pretendo montar operações”, afirma. 

Grafistas, Caetano e Saldanha procuram utilizar o período antes da abertura para analisar, de forma menos apaixonada, o movimento das ações nas últimas sessões. “Aplico análise nos papéis alocados ou pretendidos, deixando suportes, resistências, desenhos, anotações, Fibonacci e demais estudos anotados”, afirma o ex-engenheiro. 

Já Saldanha coloca as resistências diárias nos gráficos intradiários, para encontrar paredes. Durante a sessão, ele também procura se informar para encontrar uma ou outra ação que esteja sendo movimentada pelo cenário corporativo. “Evito sempre operar papéis que tenham sua volatilidade aumentada por notícias isoladas”, avalia o grafista.

Essas “paredes” também são fruto de observação para Caetano. “Deixo alarmes automáticos para rompimentos ou penetrações de pontos estratégicos, tornando o acompanhamento do mercado mais tranquilo e profissional”, diz. 

Não se deixe levar pelas recomendações alheias
Saldanha, por fim, destaca que não costuma olhar análises de terceiros. “Creio que cada um tem seu método e eu confio no meu”, destaca. “Todos deveriam criar seu método próprio e agir de forma independente, tornando mais díficil de ser influenciado pelo pânico ou euforia”, avalia o grafista. 

Pânico e euforia devem ser evitados para a maioria dos grafistas, assim como outros movimentos irracionais, como a fé injustificada em um ativo. “Também não olho fases da lua por não acreditar que elas influenciam no mercado”, finaliza o grafista, em tom de brincadeira.