Onde vai parar?

O que explica o rali de 65% das ações da Tesla em cinco dias?

Bom resultado impulsionou uma onda de otimismo e revisões de projeções sobre a montadora, que vê suas ações quebrando máximas sucessivas

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SÃO PAULO – Desde 2014, as ações da Tesla passaram a maior parte do tempo oscilando entre US$ 200 e US$ 350, com algumas poucas arrancadas até perto de US$ 400. Em dezembro de 2019, os papéis da montadora de carros elétricos engataram um movimento firme de alta e, em apenas dois meses, saltaram 182%.

Mais impressionante ainda é o movimento das ações nos últimos cinco pregões. Foram 65% de ganho, indo de US$ 570 para os atuais US$ 944, sendo que esta terça-feira (4) marcou o segundo dia seguido com alta de pelo menos 10%.

Mas o que explica esta valorização tão forte em pouco tempo? Basicamente, o que aconteceu foi uma onda de revisões de projeções e preços-alvo impulsionadas pelo bom resultado trimestral divulgado pela companhia no quarto trimestre.

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Há uma semana, a montadora apresentou lucro e receita acima do esperado para os três últimos meses de 2019, surpreendendo o mercado, além de afirmar que a capacidade de produção do Model 3 e do utilitário Model Y deve atingir 500 mil unidades por ano na fábrica da empresa Fremont, nos Estados Unidos. Na ocasião, os papéis dispararam mais de 6%.

Além disso, a Tesla reportou a produção de 367 500 carros elétricos no ano passado, ultrapassando as previsões mais otimistas dos analistas de Wall Street, divulgando dois trimestres seguidos de lucro (apesar de ter ficado no vermelho quando se considera o ano passado todo).

Com estes números, a montadora passou a receber uma série de revisões para cima de analistas. E entre eles está a Argus Research, que na segunda elevou seu preço-alvo para as ações de US$ 556 para US$ 808, colaborando para uma alta de 20% dos papéis em apenas um pregão, a maior valorização desde maio de 2013.

Não bastasse esta recomendação, ajudou a Tesla também a notícia de que a japonesa Panasonic registrou seu primeiro lucro trimestral na unidade de baterias com a Tesla nos EUA, após vários anos de problemas e atrasos na produção.

Nesta terça os papéis voltaram a disparar, fechando com ganhos de 13,73%, após o maior acionista da montadora, Ron Baron, afirmar que a Tesla tem potencial para alcançar uma receita de pelo menos US$ 1 trilhão em uma década,

“Há muitas oportunidades de crescimento a partir desse momento”, disse ele em entrevista ao programa “Squawk Box”, da rede americana CNBC. A gestora que ele é dono, Baron Capital, detém cerca de 1,6 milhões de ações da companhia e nenhuma delas será vendida, segundo o fundador. “É apenas o começo de uma empresa que pode ser uma das maiores do mundo”, afirmou.

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Os ganhos fizeram muitos analistas e gestores céticos com a companhia reverem suas avaliações, mas nem todos estão tão otimistas com a Tesla. “Eu simplesmente não posso acreditar nessas ações. É uma loucura”, disse Craig Irwin, analista da Roth Capital, também no “Squawk Box”. “Essa é uma grande separação daqueles de nós que gostam de puxar as calculadoras e olhar para a realidade”, completou.

Outros analistas também levantaram dúvidas se os ganhos da Tesla irão durar. Entre eles Adam Jonas, do Morgan Stanley, que manteve sua recomendação “underweight”, com preço-alvo de US$ 360, em relatório nesta terça, justificando que sua projeção “é baseada na Tesla atingir 2 milhões de unidades de vendas até 2030 com uma margem EBITDA de 15%”.

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