Em mercados

Dados do varejo: surpreendentemente positivos, mas sem mudar cenário para a economia

Perspectivas para o consumo privado e as vendas no varejo são positivas, mas economistas ainda veem os números com moderação

varejo de roupas
(Sergio Moraes/Reuters)

SÃO PAULO - "Finalmente, um dado significativamente acima do esperado".

Em tom de comemoração, Dalton Gardimam, economista do Bradesco, destacou os números surpreendentemente positivos de vendas do varejo, que subiram em julho 1% na base de comparação com junho, ante estimativa de 0,2% do consenso dos economistas consultados pela Bloomberg e com o melhor desempenho do setor para o mês desde 2013.

Conforme destaca a XP Investimentos, o bom resultado do varejo em julho foi generalizado. Dentre todas as categorias analisadas, apenas duas apresentaram queda entre junho e julho, sendo elas: 1) equipamentos e materiais para escritório e 2) veículos, motos, partes e peças.

O maior destaque positivo ficou com a categoria de supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que apresentou expansão de 1,3% entre junho e julho de 2019.

O ritmo de crescimento da categoria de produtos duráveis desacelerou em julho. A boa notícia, por outro lado, ficou com os indicadores do comércio de não-duráveis (como a categoria de supermercados) e de semi-duráveis (como artigos de uso pessoal e doméstico), que voltaram a apresentar leve expansão.

"Os dados trouxeram notícias muito positivas. Embora indicadores anteriores sugerissem mais um mês tímido para as vendas de varejo, a melhoria acabou sendo significativamente melhor do que o esperado e generalizada. Enquanto a recuperação do mercado de trabalho ainda é lenta e continua sendo um problema para melhorias consistentes, a liberação dos recursos do FGTS, a partir de 13 de setembro, provavelmente terá um impacto significativo no consumo privado no segundo semestre de 2019, principalmente no quarto trimestre", avalia o Bradesco BBI.

O Goldman Sachs destaca, por sua vez, que as perspectivas para o consumo privado e as vendas no varejo são positivas, mas veem os números com moderação. 

No futuro, aponta Alberto Ramos, economista do Goldman, o setor de varejo deve ser apoiado pelo cenário de inflação baixa (que está sustentando os salários reais), crescimento do emprego, fluxos de crédito firmes e taxas de juros em declínio.

Mas, no curto prazo, ainda há fatores limitantes (mais uma vez sendo citada a alta taxa de desemprego e os dados de confiança do consumidor ainda fracos). 

Assim, o dado do varejo pode trazer revisões para cima do PIB do 3º trimestre ou segurar ajustes para baixo, mas sem alterar o cenário de corte de taxas de juros no Copom (Comitê de Política Monetária) da próxima semana.

Vale ressaltar que, no último relatório Focus - pesquisa com economistas de projeções de indicadores econômicos divulgada semanalmente pelo Banco Central - a estimativa era de um crescimento de 0,87% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019. 

A XP, por exemplo, mantém a previsão de que o PIB cresça 0,9% no terceiro trimestre e 1,3% no quarto trimestre na comparação anual e 0,4% e 0,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior, respectivamente.

Para a equipe de análise, os números podem ser revisados após a divulgação do comércio varejista e da produção industrial de julho, mas a XP ainda espera a divulgação do desempenho do setor de serviços e do IBC-Br (que acontecerá entre amanhã e sexta) antes de revisar as projeções.

Ou seja, o ambiente é mais positivo para a economia brasileira - mas ainda é preciso mais para que o otimismo volte a tomar conta do mercado. Os economistas aguardam ainda mais dados para mostrar se a atividade está em uma trajetória de recuperação - e a que ritmo. 

Mas é possível observar algumas tendências, como aponta o Itaú: "continuamos a ver um cenário de consumo com desempenho melhor que o investimento, e este último ainda não
mostra sinais de recuperação. Os dados de julho reforçam essa tendência, pois as vendas no varejo continuam a se
expandir enquanto os dados de investimento permanecem estagnados, conforme observado na divulgação da
produção industrial de julho".

Assim, enquanto o consumo avança, outros setores essenciais para impulsionar a economia ainda sofrem bastante, o que pode adiar uma recuperação. 

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