Em mercados

Com alta de mais de 200% em 2019, as ações da Sinqia estão caras?

Analistas ouvidos pelo InfoMoney comentam sobre o desempenho recente dos papéis da small cap, que acumulam ganho de 567% desde o IPO

Senior Solution
(Divulgação Senior Solution)

SÃO PAULO — Com alta de mais de 200% apenas em 2019, as ações da Sinqia (SQIA3), ex-Senior Solutions, já podem ter subido tudo o que tinham para subir. Pelo menos esta é a avaliação de analistas ouvidos pelo InfoMoney.

A small cap tem atraído os olhares de investidores pessoas físicas, que inflaram os volumes de negócios do papel SQIA3 nas últimas semanas. No início do ano, ele movimentava em média menos de R$ 500 mil por dia e os negócios não chegavam a 100. Nesta semana, houve dias que o papel girou  mais de R$ 60 milhões, em mais de 4 mil negócios.

Desde o seu IPO, em março de 2013, a empresa viu suas ações subirem 567%, enquanto o Ibovespa teve alta em torno de 70% no mesmo período. Quem entra no papel agora, vai pagar caro?

Para Tiago Reis, fundador da Suno Research, sim. “A alta deste ano não tem fundamento. Os múltiplos que a empresa vem sendo negociada são muito elevados”, disse. “Na minha opinião, o preço do papel está esticado. Em um cenário extremamente otimista, ele valeria R$ 70. Mas no cenário base, tem que valer uns quarenta e poucos reais.” Ontem, a cotação de fechamento foi de R$ 76,70.

O cenário extremamente otimista citado por Reis considera, entre outras coisas, um crescimento de receitas de 20% ao ano ao longo de 10 anos, uma margem Ebitda em torno de 20% no período de 10 anos e um custo de capital médio ponderado (WACC) de 10% nominais.

O fato de a empresa ser atualmente uma das principais vendedoras de suas próprias ações confirma a tese de que os papéis estão caros, segundo Reis. Ela havia recomprado papéis quando eles estavam na casa de R$ 20 para mantê-los em tesouraria e, agora, está vendendo os mesmos por um preço mais de quatro vezes maior. 

Ainda assim, duas coisas jogam a favor da ação da Sinqia. A primeira delas é o fato de os negócios com as ações da empresa serem livres de Imposto de Renda até 2023, por causa da MP 651. Ou seja, mesmo que você venda ações da companhia no mês, independentemente do valor, não terá que pagar IR pela operação.

A segunda é a oferta primária de 4,5 milhões de ações ordinárias aprovada pela Sinqia recentemente. É uma operação restrita a investidores institucionais e, considerando o preço de fechamento de ontem, pode chegar a R$ 345 milhões. 

“Dificilmente o investidor institucional vai querer pagar esse preço [do fechamento de ontem]. Deve ficar em um patamar mais baixo”, afirmou Reis. A definição do preço será no dia 17 de setembro. 

Segundo Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos, as pessoas físicas podem estar comprando as ações agora para se beneficiar de alguma forma de uma oferta bem-sucedida lá na frente. Ele também não demonstrou muito otimismo com a ação. 

“Até a gente saber o tamanho da oferta, não tem como dizer se o papel está, de fato, caro. É uma empresa que está no nosso radar, mas não na nossa carteira”, disse. Guimarães também citou o desdobramento anunciado pela empresa na proporção 1 para 3 que deve acontecer em breve.

“A operação em si não aumenta o valor de mercado da companhia, mas tem potencial para ajudar marginalmente a liquidez do papel. Alguns investidores pessoas físicas têm a falsa ilusão de que desdobramentos fazem suas ações valerem mais e, por isso, compram mais papéis. Isso pode ter influenciado no aumento de negócios com o ativo recentemente também.”

Mais otimista, Luiz d’Aguiar, analista da Eleven Financial, acha que o preço atual da ação “está em linha com o que a operação espelha hoje ou bem próximo disso”. Ele mantém sua recomendação de compra dos papéis, mas o preço-alvo para 12 meses continua em R$ 64 — R$ 12,70 abaixo do atual patamar (o valor ainda pode ser atualizado). 

“A empresa nasceu para ser uma consolidadora da indústria. Ela vem comprando diversas companhias desde o IPO e tem uma importante vantagem competitiva que é o alto custo Brasil para empresas de software estrangeiras. Há muita regulação por aqui em diversas esferas. Outras soluções vindas de fora têm mais dificuldade para se instalar aqui.”

Mais um ponto positivo para a operação da companhia é o alto custo que as empresas têm para trocarem seus sistemas, por isso a Sinqia consegue manter receitas recorrentes relativamente estáveis. O tempo de troca também pode levar anos, o que reduz o risco da empresa. Ou seja, se conquistou um cliente novo, vai ser muito difícil perdê-lo no médio prazo. 

“A empresa emitiu uma debênture para levantar recursos e está sempre de olho em operações que possam aumentar seu caixa. O dinheiro é usado prioritariamente para adquirir outras companhias. Todos os esforços para investir na operação e completar o portfólio de negócios são positivos”, afirmou d’Aguiar.

“O mercado é muito fragmentado. Para haver uma revisão no nosso preço-alvo é preciso alguma novidade operacional. Os últimos anúncios [da oferta primária e do desdobramento] já estão no preço”, concluiu.

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