Em mercados

Balanço da Netflix desagrada mercado e ações desabam mais de 11%

Empresa de streaming adicionou apenas 2,7 milhões de novos usuários no segundo trimestre, ante expectativa de adição de 5 milhões

Netflix
(Shutterstock)

SÃO PAULO — As ações da Netflix caíram mais de 11% no after market das bolsas nos Estados Unidos ontem (18), com os investidores repercutindo os resultados da empresa no segundo trimestre de 2019. No geral, os analistas se decepcionaram com a quantidade de novos usuários do serviço de streaming.

Entre abril e junho, a Netflix registrou lucro líquido de US$ 271 milhões, ou US$ 0,60 por ação. Um ano antes, o ganho auferido foi de US$ 384 milhões, ou US$ 0,85 por ação. A receita da companhia cresceu para US$ 4,92 bilhões, ante US$ 3,9 bilhões no mesmo período do ano passado. 

“Receitas e lucros crescentes? Melhoras aqui ou ali? Pouco importa, pois quem investe hoje em Netflix entende que seu principal ‘moat’ [diferencial ante outros concorrentes] são os milhões de clientes que ela consiga adicionar a base antes que os demais o façam”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities.

O número de novos usuários da Netflix foi de 2,7 milhões no segundo trimestre deste ano — a expectativa da própria empresa era de 5 milhões. “Vê-se um grande sinal de alerta para uma possível mudança de tendência. Emblemático o fato de que no mercado americano a empresa tenha perdido 100 mil assinantes quando esperava ganhar 300 mil”, avalia Alves.

“Outro ponto de cautela é que um menor crescimento reacende a preocupação sobre a qualidade e solidez financeira do seu balanço. A empresa possui uma dívida total de US$ 12,6 bilhões e um caixa de US$ 5 bilhões, ou seja, uma dívida líquida de US$ 7,6 bilhões. Não obstante, somente neste primeiro semestre de 2019 a empresa ‘queimou’ mais US$ 1 bilhão em suas operações normais [fluxo de caixa das atividades operacionais e de investimento] e suas expectativas apontam para um total de US$ 3,5 bilhões negativos no ano.”

Em coletiva de imprensa após a divulgação do balanço, o CEO da Netflix, Reed Hastings, justificou a falta de crescimento de novos usuários pelo aumento de preços que fez em algumas regiões e não vê na competição um problema. A empresa aposta num terceiro trimestre forte com a estreia de novas temporadas de Stranger Things season 3, La Casa de Papel (Money Heist), The Crown, Orange is the New Black, além da adição de filmes como e Irishman de Martin Scorsese e Underground 6.

“Com uma expectativa de US$ 1,5 bilhão de lucro em 2019, a ação da empresa é negociada a cerca de sonoros 93x lucros, algo apenas justificado com uma promessa de crescimento forte e continuado pelos próximos anos. Mas com Disney, Apple, WarnerMedia, NBCU se unido às já competidoras Hulu, Amazon, BBC, Hotstar e YouTube, será que a Netflix será capaz de entregar o tão prometido crescimento?”, completou o estrategista da Avenue.

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