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Fed sinaliza que tem apoio da lei se Trump tentar demitir Powell

Advogados da Casa Branca prepararam uma possível estratégia que possibilitaria rebaixar o cargo de Powell, que deixaria então de ser presidente para exercer apenas a função de governador; mas o Fed sinalizou que não vai ceder tão facilmente

Jerome Powell
(Flickr/Federal Reserve)

(Bloomberg) -- O banco central mais poderoso do mundo deixou claro que a lei está do seu lado caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tente tirar Jerome Powell do comando do Federal Reserve.

Advogados da Casa Branca prepararam uma possível estratégia que possibilitaria rebaixar o cargo de Powell, que deixaria então de ser presidente para exercer apenas a função de governador, segundo pessoas a par do assunto. Mas o Fed, que enfrenta frequentes ataques de Trump por não ser mais complacente com sua agenda econômica, sinalizou pela segunda vez que não vai ceder tão facilmente.

Em resposta a perguntas na terça-feira sobre os estudos conduzidos pela Casa Branca sobre o processo legal para remover Powell, a porta-voz do Fed, Michelle Smith, deu uma resposta direta, dizendo que o presidente "só pode ser removido por justa causa".

Por sua parte, Powell já manifestou sua posição: “A lei é clara: tenho um mandato de quatro anos. E pretendo cumpri-lo totalmente”, disse em março ao programa "60 Minutes”, da CBS News.

Nancy Pelosi, presidente da Câmara de Deputados, defendeu a independência do Fed na quarta-feira. "A última coisa que precisamos é de um presidente ameaçando o presidente do Fed" para colocar os juros onde ele quiser, disse Pelosi a repórteres. "Isso está muito, muito errado."

Trump lançou sua campanha de reeleição oficialmente na terça-feira, na qual pedirá aos eleitores que o mantenham na Casa Branca apoiado em grande parte na força da economia dos EUA.

Com essa estratégia, o Fed e Powell se tornaram um bode expiatório caso o país entre em recessão antes das eleições. Antes de deixar a Casa Branca para um comício em Orlando, Trump não descartou a ideia de destituir o presidente do banco central americano. "Vamos ver o que ele faz", disse Trump a repórteres.

Mas as declarações de Powell e Smith sugerem um possível atrito se Trump agir para remover o presidente. Parece que "o Fed fez sua própria análise, o que lhes deu confiança suficiente", disse Sarah Binder, do Brookings Institution, em Washington, que escreveu um livro sobre as relações do Fed com o Congresso intitulado "The Myth of Independence".

Autoridades do governo disseram que não acreditam que Powell possa ser destituído. Perguntado em novembro se Trump poderia demitir Powell, o principal assessor econômico do presidente, Larry Kudlow, disse: "um presidente do Fed só pode ser removido por justa causa".

A equipe de Trump conduziu a análise jurídica e concluiu que seria altamente questionável demitir Powell sem justa causa, mas que seria possível encontrar argumentos para torná-lo governador do Fed, disseram as pessoas, que pediram anonimato. O relatório ainda é mantido sob sigilo na Casa Branca.

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