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Meta de inflação para 2022 deve cair e convergir com emergentes, dizem analistas

O CMN fixou a meta em 4,25% para este ano, 4% para 2020 e 3,75% para 2021, com um intervalo de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual

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(reprodução)

(Bloomberg) -- O Conselho Monetário Nacional deve reduzir, em sua reunião de 27 de junho, a meta de inflação de 3,75% em 2021 para 3,5% em 2022, na avaliação de analistas. Caso a mudança se confirme, o Brasil terá uma meta próxima a outros países latino-americanos de economia mais estabilizada.

O CMN fixou a meta em 4,25% para este ano, 4% para 2020 e 3,75% para 2021, com um intervalo de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual. A meta de 2022 deve ser reduzida em 0,25 ponto, segundo economistas como Mario Mesquita, do Itaú Unibanco. No México, segunda maior economia da América Latina após o Brasil, a meta anual é de 3%, mesmo número válido para o Chile, enquanto na Colômbia o intervalo é de 2% a 4%.

O Brasil precisa gradualmente se aproximar da inflação dos “países decentes” do mundo, diz Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do Banco Central e sócio-fundador da Mauá Capital. Figueiredo, que fez parte da diretoria do BC que criou o regime, prevê que a inflação ficará abaixo da meta no ano que vem e vê espaço para o BC cortar juros.

A ideia de que uma meta menor aproximaria o Brasil de países mais estáveis é um ponto comum das análises. “Faz todo sentido ficar mais próximo da média dos países emergentes”, diz Flavio Serrano, economista-sênior do Haitong Bank.

Embora a redução esperada seja pequena, é positiva para a perspectiva do investidor sobre o país no longo prazo, ao sinalizar uma configuração de “normalidade” da economia brasileira, diz Daniel Weeks, economista-chefe da Garde Investimentos.

O risco de uma meta menor em 2022 obrigar o BC a ser mais rigoroso na política monetária é descartado porque o ano está além do horizonte relevante. “A meta que importa agora é 4% do ano que vem”, diz Weeks.

Apesar de ser ampla, a expectativa de meta menor não é unânime. Para Homero Guizzo, economista da Guide Investimentos, a meta de 3,75% já parece bastante ambiciosa e deve ser mantida. “É uma inflação que o Brasil não obteve de forma consistente no passado”, disse. Para ele, a economia poderá crescer mais nos anos seguintes, gerando pressões inflacionárias.

A meta não foi atingida pela última vez dois anos atrás, mas por um problema não de excesso e sim falta de pressão inflacionária. Em 2017, o IPCA fechou em 2,95%, abaixo do limite inferior do intervalo de tolerância, que era de 3%. O descumprimento levou o então presidente do BC Ilan Goldfajn a escrever uma carta para justificar o fato.

Neste mês, o país completa 20 anos do início do regime de metas para a inflação. O sistema foi implementado em junho de 1999 após decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e determina que o BC tem de ajustar a política monetária para que o IPCA fique dentro do intervalo da meta definida pelo CMN.

O cenário considerado pelo BC para definir a política monetária considera, além da inflação corrente e futura, fatores como a atividade, a política fiscal e o quadro externo, que tem sido marcado pelas turbulências da guerra comercial.

Recentemente, a combinação de números baixos da economia e inflação, a expectativa de alívio monetário no exterior e o maior otimismo com a reforma da Previdência levaram o mercado a precificar corte de ao menos 0,50 ponto percentual da Selic até o fim deste ano.

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