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Bancos centrais devem elevar metas de inflação, diz ex-diretor

"A meta de 2%, para a qual eu contribuí com argumentos há 40 anos, já não é útil", disse Posen em conferência do Banco Central Europeu

Bank of England - Inglaterra - banco central - BoE
(Reuters)

(Bloomberg) -- Adam Posen, ex-diretor do Banco da Inglaterra, fez um apelo aos bancos centrais de todo o mundo para que unam esforços e elevem as metas de inflação.

"A meta de 2%, para a qual eu contribuí com argumentos há 40 anos, já não é útil", disse Posen em conferência do Banco Central Europeu, em Frankfurt. “Nenhum banco central pode realmente fazer isso sozinho. A rigidez da inflação em níveis baixos, os perigos do limite inferior a zero, os problemas de credibilidade de não atingir tal meta, significam que precisamos de uma meta mais ambiciosa.”

A inflação subjugada, apesar do enorme estímulo monetário nos países desenvolvidos, tem sido um enigma desde a crise financeira global há mais de uma década. O desemprego despencou para o menor nível em várias décadas em economias como a dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, mas as pressões salariais continuam fracas e os aumentos de preços consumidor são persistentemente baixos.

É um tópico que Posen já mencionou antes, alegando que a incapacidade de alcançar metas de política monetária pode minar a confiança nos bancos centrais. Os últimos anos marcaram um aumento de ataques políticos às instituições, paralelamente ao maior apoio a partidos populistas.

A meta de inflação foi popularizada depois de ser introduzida pela Nova Zelândia em 1990, e Posen reconheceu que conquistaria poucos seguidores entre os bancos centrais com seu pedido, dizendo que "perderia todos os futuros convites" para os eventos do BCE.

A conferência de quarta-feira marcou a saída do economista-chefe Peter Praet, para quem qualquer discussão sobre a estratégia do BCE "deve ser cuidadosamente introduzida".

O presidente do BCE, Mario Draghi, já havia rejeitado sugestões de que a meta do banco de "abaixo, mas próxima de 2%" deveria ser revisada, e disse a estudantes este mês que os formuladores de políticas "não aceitam uma derrota" sobre a meta.

Um dos candidatos a suceder Draghi este ano, o presidente do Banco Central da Finlândia, Olli Rehn, fez um apelo para uma revisão da interpretação do BCE sobre seu mandato de estabilidade de preços. O Federal Reserve dos EUA está atualmente revisando sua abordagem de política monetária.

Repórteres da matéria original: Piotr Skolimowski em Frankfurt, pskolimowski@bloomberg.net;Carolynn Look em Frankfurt, clook4@bloomberg.net

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