Em mercados

Banco Central indica que juros podem ser mantidos por mais tempo

Em comunicado, autoridade monetária não deu sinais de que pode reduzir as taxas no curto prazo, dizem analistas 

Roberto Campos Neto
(Pedro França/Agência Senado)

SÃO PAULO - Além de uma decisão amplamente esperada pelo mercado, o Banco Central preferiu não dar muitos sinais sobre a possibilidade de iniciar um novo ciclo de corte de juros ainda este ano após resolver manter a Selic estável em 6,5% ao ano.

"O comunicado foi parecido, mas não igual", avalia Daniel Cunha, estrategista-chefe da XP Investimentos, destacando que houve mudanças entre a última reunião conduzida por Ilan Goldfajn e esta primeira sob o comando de seu sucessor na presidência do BC, Roberto Campos Neto.

Segundo Cunha, o destaque foi a demonstração de um novo cenário, que alterou a avaliação da autoridade monetária sobre o balanço de riscos. No comunicado, o BC informou que permanecem fatores de risco para a inflação, tanto para cima quanto para baixo.

De um lado, o nível elevado de ociosidade das empresas pode produzir uma trajetória abaixo do esperado, enquanto uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes da economia poderia elevar a perspectiva de da inflação - risco que ganha força em caso de deterioração do cenário externo.

Apesar isso, o BC afirma que "o balanço de riscos para a inflação mostra-se simétrico". Esta é uma grande mudança diante da última decisão, em janeiro, quando a autoridade falou em um cenário "assimétrico". Ou seja, até o início do ano, a visão era que o ambiente estava pendendo para algum lado de pressão inflacionária, algo que agora parece estar mais estável, mesmo diante dos riscos apontados.

Cunha ressalta ainda que "o Banco Central buscou não antecipar nada sobre qualquer movimento de juros nos curto prazo". Diante disso, ele avalia que o mercado não deve ter uma grande reação no pregão desta quinta-feira.

Em entrevista para a Bloomberg, David Cohen, sócio-gestor da Paineiras Investimentos diz que achou a decisão "marginalmente dovish". "Acho que podemos ver um fechamento marginal da parte curta da curva [de juros], mas não muito significativa", avalia.

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Cunha disse que a XP mantém sua projeção de Selic estável ao longo de 2019 e que, mesmo persistindo a recuperação lenta da economia, o cenário condiz com a Selic em 6,5%. Por outro lado, ele pondera que entende as discussões sobre um corte dos juros este ano.

Já a equipe da Rosenberg Associados ressalta que "com a eliminação da assimetria, foi dado um primeiro passo em direção a um possível corte de juros". Ao mesmo tempo, porém, avalia que isso dependerá da evolução do cenário, e que, por ora, mantêm a expectativa de manutenção dos juros ao longo do ano, mas agora com um viés de baixa.

Na mesma linha de cenário indicando corte de juros, o economista-sênior do Danske Bank, Vladimir Miklashevsky, disse a Bloomberg que, "dada a tendência mundial de flexibilização da política monetária, a estabilização do real e as metas de inflação bem-sucedidas, o BC tem terreno firme para começar a cortar as taxas já neste ano".

 

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