Em mercados

Minério de ferro crava nível mais alto desde 2014 com Vale

O Goldman Sachs alertou que poderia haver "interrupção significativa" para a oferta brasileira no curto prazo

Minério de ferro
(Shutterstock)

(Bloomberg) -- Futuros de minério subiram mais de 5% para nível mais alto desde 2014 sob a preocupação de que a crise cada vez mais severa da Vale reduzirá o fornecimento global, trazendo condições mais apertadas ao mercado transoceânico e compensando o impacto de uma desaceleração na China, o maior importador.

A Vale invocou força maior no início desta semana depois que um juiz a forçou a suspender algumas operações em Brucutu - um movimento que pode resultar em uma perda anual de 30 milhões de toneladas. Isso se soma a uma redução anterior de 40 milhões de toneladas após o rompimento barragem. Além disso, a Vale teve sua licença para operar uma represa em Brucutu revogada por um regulador estadual.

À medida que a crise se intensificou, os bancos aumentaram previsões de preço, com o Citigroup elevando sua projeção em 40% a US$ 88 em 2019 por tonelada e levantando a possibilidade de que a interrupção das operações da Vale pode ainda piorar e durar anos.

Risco Maior

Um grande risco é que a operação de Brucutu possa ser "a primeira de muitas das minas da Vale a ver sua produção parada", e há também a perspectiva de que regulamentações mais rigorosas possam afetar os suprimentos de outras mineradoras, disse o Citi em nota, em seu cenário bull, que tem probabilidade 30% de chance de ocorrer. A produção da Vale cairá 40 milhões de toneladas este ano, estima o banco.

Futuros avançaram 5,8% para US$ 94 a tonelada em Cingapura, a maior alta desde agosto de 2014. Até agora, os preços subiram 8,9%, após alta de 14% na semana passada.

O drama desta semana não teve reflexos no mais importante usuário de minério de ferro, já que os mercados chineses estão fechados para o Ano Novo Lunar. Quando as negociações forem retomadas na segunda-feira, o relatório deve ajudar a definir a direção do minério de ferro de forma mais decisiva após um período inicial de preços baseados no yuan se recuperando.

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"As usinas siderúrgicas na China precisam de segurança de suprimentos 24 horas por dia, 7 dias por semana, e é difícil dizer por quanto tempo esta situação continuará", disse Philip Kirchlechner, diretor da Iron Ore Research. “Estamos em uma situação incomum no meio do ano novo chinês”.

Visão do Goldman

O Goldman Sachs alertou que poderia haver "interrupção significativa" para a oferta brasileira no curto prazo, e os preços deverão ser elevados e voláteis, já que a produção em outros lugares não pode ser ajustada com rapidez suficiente para compensar a escassez, de acordo com um relatório do banco.

Ainda assim, o Goldman disse que os preços de cerca de US$ 90 não seriam sustentáveis, já que as mineradoras fora do Brasil, especialmente na China, devem aumentar a produção. Ele vê o preço de volta a US$ 60 em 2021.

Ações da Rio Tinto, BHP e Fortescue Metals caíram nesta sexta-feira em Sydney, mesmo com o aumento para mais de US$ 90 a tonelada do minério de ferro. Durante toda a semana, o trio continua em alta, com o Rio registrando o quarto ganho semanal em cinco.

©2019 Bloomberg L.P.

 

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