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3 insights de um gestor de R$ 47 bilhões para a economia em 2019

Segundo Marco Aurélio Freire, sócio-gestor da Kinea Investimentos, ano de 2019 deve ter mudança de cenário econômico

touros na Bolsa de Frankfurt
(Lisi Niesner/Reuters)

SÃO PAULO - Na última quinta-feira (29), o convidado do programa Papo com Gestor foi Marco Aurélio Freire, sócio-gestor da Kinea Investimentos. Além de ser a maior gestora independente do Brasil, com R$ 47 bilhões em ativos sob gestão, a Kinea administra o resiliente e rentável fundo multimercado Kinea Atlas - que tem rentabilidade histórica de 208% do CDI e deve fechar para captação nos próximos dias.

Durante a entrevista, Freire comentou sobre sua perspectiva de mudança de cenário, afirmando que desde janeiro tanto as bolsas mundiais quanto a renda fixa têm caído - uma situação atípica que não acontecia desde 1992 - mas que já passamos esse "bear market" e que as coisas devem mudar nos próximos 12 meses.

Pensando nos possíveis riscos para os mercados em 2019, cenário de dólar, como também pontos que podem contribuir para uma acelerada da economia brasileira, o InfoMoney destacou três insights do gestor. Confira:

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1. O PIB de hoje é diferente

Segundo Freire, o nível de desemprego está muito alto no Brasil (12%), ou seja, há espaço para a economia crescer no próximo ano. Além disso, ele explica que um PIB de PIB +3% hoje é muito diferente de um PIB +3% anos atrás, principalmente por conta da maior importância do setor privado. 

Antes, com um PIB de 3%, o setor público crescia 6%. Agora, com o setor público crescendo menos, o setor privado tende a ganhar mais relevância e pode crescer mais, o que é bom para as empresas privadas e, consequentemente, para a bolsa.

Pensando nisso, o gestor afirma que está posicionado no risco-Brasil, encontrando grande potencial nos setores domésticos, como os de consumo, indústria e bancos.

2. Três principais riscos do mercado para o próximo biênio

O sócio-gestor da Kinea listou três dos principais riscos para os mercados nos próximos dois anos. São eles: inflação dos EUA, perda de efeito dos estímulos da China e populismo global. Segundo ele, os dois primeiros não o preocupam, dada a expectativa de desaceleração da economia norte-americana e dados correntes que mostram uma recuperação - ou ao menos estabilização - da economia chinesa. “Já teve muita sangria no mercado lá fora; o vento deve ficar mais neutro daqui para frente”, diz.

Por outro lado, o terceiro risco pode trazer uma certa tensão para o mercado quando consideramos as eleições dos EUA de 2020. A pergunta do milhão é: “quem será o democrata que enfrentará Donald Trump?”. Segundo ele, a resposta pode provocar em medidas mais populistas e, consequentemente, em rupturas tanto nos EUA quanto na Europa, podendo afetar os países emergentes no curto prazo.

3. Dólar

Após dois anos ‘comprado’ em dólar, Freire acredita que nos níveis de R$ 3,90 já é hora de pensar em posições ‘vendidas’ na moeda.

Segundo ele, nos próximos 12 meses a história vai mudar. “A história desse ano foi uma história de dólar forte e de ativos de risco piorando, mas devemos ter uma história um pouco mais benigna no sentido que o Fed vai deixar de ser tanto o assunto principal do mercado”, diz. O resultado disso seria uma estabilidade das economias globais, diminuição da guerra comercial e, consequentemente, enfraquecimento global do dólar.

“O dólar é uma moeda que está razoavelmente alta – o real, barato – acho que tem perspectiva aqui no Brasil de reformas, e com esse cenário internacional mudando, acho que tem bastante espaço para entrar fluxo de novo no Brasil e vermos essa moeda em patamares mais baixos no horizonte visível”, completa.

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