Em mercados

Por que o G-20 de 2018 é o evento mais importante de 2019?

A Cúpula dos Líderes do G-20, que reúne as maiores economias mundiais, começa nesta sexta-feira em Buenos Aires

Donald Trump Xi Jinping
(Reprodução)

SÃO PAULO - O noticiário econômico mundial não vai descansar neste fim de semana. A Cúpula dos Líderes do G-20, que reúne as maiores economias mundiais, teve início nesta sexta-feira (30) em Buenos Aires, na Argentina, e termina no sábado (1). Os investidores atentos não devem tirar os olhos do encontro, que promete ser o evento mais importante do ano e deve ditar o ritmo para 2019. 

A avaliação é do estrategista global da XP Investimentos, Alberto Bernal, que espera um “cessar fogo” na disputa comercial entre China e Estados Unidos. Norte-americanos e chineses travam uma guerra desde julho, após a imposição mútua de sobretaxas bilionárias. Iniciada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump , a imposição de tarifas a produtos chineses atingiu em cheio as exportações comandadas por Xi Jinping.

Segundo o estrategista, essa trégua se daria com Trump mantendo as tarifas nos níveis atuais em troca de comprometimento da China de evoluir as negociações comerciais mais rapidamente, com indicações de boa vontade.

"Qualquer cenário alternativo seria, na nossa visão, negativo, levando a uma escalada das tensões comerciais e sério risco para o crescimento global", avalia Bernal. 

A eventual queda na temperatura da guerra comercial pode complementar outra sinalização dada pelos Estados Unidos, também positiva para os ativos de risco. A ata do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), divulgada na véspera, confirmou o tom mais suave da autoridade monetária em relação à necessidade de alta de juros em 2019. No documento, os dirigentes destacaram que o caminho dos juros não está definido e será dependente de dados econômicos, que recentemente tem indicado menor necessidade de altas. 

Se essa sinalização for acompanhada do "cessar fogo" esperado para o fim de semana, Bernal acredita que será dado o gatilho necessário para a retomada dos mercados.

Luz amarela

A desaceleração das grandes economias é uma das principais preocupações atualmente. O FMI (Fundo Monetário Internacional) informou que vai alertar os principais líderes globais durante a reunião do G-20 que o crescimento da economia mundial prossegue, mas se tornou mais desigual.

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Segundo o FMI, há sinais de que a expansão pode estar ficando mais moderada e a atividade mundial pode perder fôlego mais rapidamente que o previsto, de acordo com documento preparatório para o encontro divulgado na quarta-feira (28).

E o Brasil com isso?

A possibilidade de que uma desaceleração da atividade global aconteça de forma mais rápida do que o esperado pode jogar pressão no ajuste fiscal que deverá ser feito pelo próximo governo brasileiro, segundo Christopher Garman, diretor para Américas da consultoria de risco político Eurasia.

Para ele, durante períodos de contexto econômico global adverso, "as exigências de atacar gargalos macroeconômicos aumentam". "Traduzindo para o Brasil, uma grande questão é qual será o tamanho do ajuste fiscal necessário que o governo Bolsonaro terá de fazer. Talvez a tolerância do mercado perante um ajuste fiscal venha a diminuir e venha a apertar mais a tensão da composição desse ajuste", afirmou Garman ao jornal O Estado de S. Paulo.

Garman destaca que o Brasil tem hoje necessidade de ajuste fiscal da ordem de 4% do PIB (Produto Interno Bruto). Mesmo uma reforma da Previdência "razoavelmente enxuta", que não seja capaz de representar uma economia significativa para atacar de uma só vez os problemas de déficit público do Brasil, pode ser interpretada pelos mercados como um sinal positivo.

O que é o G-20?

O G20 é considerado um dos fóruns mais importantes no que diz respeito à discussão de questões relacionadas à economia e às crises globais.

Os países que integram o chamado G20 – que reúne as 19 maiores economias do mundo e mais a União Europeia – são responsáveis por 85% do produto bruto global, incluem dois terços da população mundial e 75% do comércio internacional, além de um pouco mais de 80% dos investimentos globais para o desenvolvimento de pesquisas.

Criado em 1999 em meio às repercussões da crise financeira asiática, o grupo reúne Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, África do Sul, Turquia e União Europeia.

Durante as reuniões, os principais desafios do mundo são discutidos e as principais políticas são coordenadas em nível global. Nos últimos anos, uma das principais realizações do G20 envolveu a inclusão de países emergentes em questões globais.

Além dos países-membros e convidados especiais, as principais organizações regionais, como a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e a União Africana, a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad) e a Comunidade do Caribe participam das cúpulas (Caricom).

Há, ainda, organizações multilaterais, como o Banco Mundial, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), o Fundo Monetário Internacional (FMI), as Nações Unidas, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização Mundial do Comércio (OMC).

(Com Agência Brasil e Agência Estado) 

 

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