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Defensores de criptomoeda apoiam token que EUA chamam de fraude

Centra Tech segue gerando polêmica entre os reguladores norte-americanos

Criptomoedas
(Shutterstock)

Parece que nem mesmo acusações federais de fraude são capazes de dissuadir aqueles que realmente creem em uma criptomoeda. Uma semana depois que autoridades americanas prenderam dois homens responsáveis por uma oferta inicial de moedas que levantou mais de US$ 25 milhões, o token digital deles continua sendo negociado.

A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) informou em 2 de abril que Sohrab “Sam” Sharma e Robert Farkas convenceram investidores a comprar parte da Centra Tech -- que planejava criar um cartão de débito de moeda virtual -- afirmando falsamente que contavam com Visa e Mastercard como parceiras.

Em vez de ser relegada à lata de lixo da história, a moeda deles continua viva no ciberespaço. Pelo menos três bolsas deixaram de negociar o CTR Token da Centra Tech depois que a SEC e o Departamento de Justiça anunciaram as acusações de fraude. Embora seja difícil avaliar o número de participantes do mercado, os dados publicados no website da CoinMarketCap indicam que os investidores não se desanimaram e continuam transferindo negociações para novas entidades não reguladas.

Persistência do token

A persistência do CTR Token mostra o desafio enfrentado pelos órgãos reguladores para policiar um mercado que ganhou o apoio de várias celebridades e que é comparado por alguns em Wall Street ao Velho Oeste. O grande boxeador Floyd Mayweather chegou a promover a moeda da Centra Tech no Twitter, enquanto o produtor musical DJ Khaled elogiou a empresa nas redes sociais.

O presidente da SEC, Jay Clayton, alertou diversas vezes que muitas ICOs provavelmente sejam fraudulentas ou envolvam outros tipos de condutas impróprias. As advertências não impediram o setor -- em que as empresas levantam recursos por meio da venda de tokens digitais em vez de ações -- de atrair cerca de US$ 9,8 bilhões desde o começo do ano passado, segundo a Coinschedule.

Os órgãos reguladores “não podem mais deter a negociação de um ativo usando apenas um único ponto de obstrução”, disse Andy Bromberg, CEO da CoinList, que ajuda empresas a levantar dinheiro por meio de ICOs. “O fato de que as bolsas continuem listando um projeto tão desacreditado pelas agências é uma atitude irresponsável que não deveria acontecer.”

O advogado de Farkas preferiu não fazer comentários e um advogado que representa Sharma não respondeu a um pedido de comentário. Representantes da Centra Tech, que tem sede em Miami Beach, não responderam às mensagens de voz e de e-mail em busca de comentários. O porta-voz da SEC, Chris Carofine, preferiu não comentar.

Ainda em negociação

O valor do CTR Token a princípio caiu após a prisão de Farkas e de Sharma. Mas depois se estabilizou e começou a subir. A moeda recuou novamente depois que a plataforma Binance deixou de negociá-la, em 8 de abril. Ainda assim, a negociação continua.

A SEC foi mais bem-sucedida na repressão às empresas de criptomoedas listadas em bolsas de valores tradicionais.

Por exemplo, a Nasdaq suspendeu as negociações da Longfin no início do mês antes das alegações da SEC de que duas pessoas afiliadas à empresa haviam violado as leis aplicáveis aos títulos vendendo ações não registradas. A ação de fiscalização foi tomada pelo órgão regulador devido à disparada da Longfin após o anúncio de que compraria uma empresa de criptomoedas. A companhia divulgou nesta semana que havia recebido um aviso da Nasdaq de que suas ações serão retiradas da bolsa.

 

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