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Em mercados

A aposta do mercado que embasa um cenário sem "Lula versus Bolsonaro" no segundo turno

Retomada econômica: últimos dados dão esperança ao mercado de um fortalecimento de uma candidatura governista

Lula e Jair Bolsonaro
(Reprodução)

SÃO PAULO - Mesmo com as últimas sinalizações pró-mercado, a candidatura de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ainda é vista com muitas ressalvas por analistas, com o cenário ainda muito incerto sobre quais são as suas propostas e como ele lidaria com o Congresso caso eleito.

Já a sinalização sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é mais certeira: caso ele seja mesmo candidato em 2018, a expectativa é de que o próximo ano seja de turbulência para os mercados. Se ele for mesmo eleito, os investidores têm uma perspectiva clara: "vendam o Brasil", conforme destacou a Forbes em matéria da última terça-feira. De acordo com a publicação, os investidores não veem chances do petista repetir o Lula "paz e amor" de 2003. 

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Os dois lideram as pesquisas de intenção de voto para a presidência, com o petista na frente. Ainda é muito cedo para dizer, já que falta um pouco menos de um ano para as eleições, e as pesquisas ainda não sinalizam diretamente como deverá ser o cenário para o pleito, mas todos já estão de olho nos últimos levantamentos.

De qualquer forma, os desdobramentos dos últimos dias levaram o mercado a reforçar a aposta em um candidato mais de centro-direita - dentre os citados, o que aparece com mais força é o nome de Geraldo Alckmin, do PSDB, mas o nome do ministro da Fazenda Henrique Meirelles e até do apresentador global Luciano Huck também estão no radar. 

Além da perspectiva de consolidação de um nome, os desdobramentos dos últimos dias dão sinais para os mercados de favorecimento de uma  candidatura “governista”, em contraposição ao cenário Lula x Bolsonaro de hoje, conforme destacou a LCA Consultores em relatório da última terça-feira. 

"As articulações políticas envolvendo mudanças ministeriais parecem ter ampliado de forma relevante a chance de aprovação antes do final do ano, ao menos na Câmara dos Deputados, de uma versão reduzida da reforma previdenciária", aponta a consultoria. Nesta terça-feira, o presidente Michel Temer se reunirá com a sua base aliada para discutir os pontos da nova proposta de reforma da previdência. Ela deve vir mais enxuta, com três mudanças essenciais: a fixação da idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres requererem aposentadoria, a regra de transição e a equiparação entre os regimes dos trabalhadores do setor privado e do funcionalismo público. 

É bom destacar que os líderes dos partidos governistas afirmam que ainda existe muita resistência em aprovar essa reforma por conta do desgaste político que poderá impactar nas eleições do ano que vem, enquanto alguns cálculos extraoficiais do governo indicam que o apoio atual seria de apenas 270 deputados. São necessários 308 votos para se aprovar uma PEC. Porém, o mercado aposta que, com uma intensificação nas discussões, o governo pode conseguir aprovar a proposta até o início de dezembro na Câmara dos Deputados. 

Outra questão destacada pela LCA Consultores é sobre os sinais dados pela economia doméstica, que começa a mostrar sinais mais consistentes de aceleração, ainda que moderada.

A percepção ficou reforçada nesta semana pelo resultado positivo, melhor que o esperado da criação formal de empregos em outubro. O Brasil registrou criação líquida de 76.599 vagas formais de emprego em outubro, melhor dado para o mês desde 2013, no sétimo resultado positivo consecutivo no ano. No final de outubro, o BTG Pactual também divulgou relatório com diversos gráficos sinalizando a retomada econômica, que você pode ver aqui

Assim, a melhora da atividade, em contexto de cumprimento da meta de inflação e manutenção da política monetária em terreno expansionista, tende a favorecer um refluxo de riscos na seara política. Com isso, a LCA aponta que deve haver maior fôlego para o atual governo avançar com reformas e ensejando, nos mercados, expectativas favoráveis ao mercado para o desfecho das eleições de 2018. 

Neste sentido, há uma boa e má notícia. Uma pesquisa feita pelo instituto DataPoder360 apontou que 46% dos entrevistados acreditam em uma melhora na economia brasileira no futuro. Só 14% disseram que a situação ficará pior, enquanto a economia ficará estacionada para 21% dos entrevistados. Contudo, 71% dos entrevistados desaprovam o presidente Michel Temer, indicando manutenção em relação ao último levantamento. A melhora da economia é vista como um dos pontos para que Temer saia do "pré-sal" da popularidade - atualmente em 3% - e guie expectativas mais positivas para que um candidato governista e pró-reformas seja eleito. Contudo, ainda parece que a retomada deverá ser mais forte para puxar também a popularidade do presidente. De qualquer forma, o mercado segue esperançoso. 

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