Em mercados

Oceano de milho: vídeo mostra grãos sendo "jogados fora" em meio à crise de estoque

Imagens do interior do País mostram que não há mais onde guardar o milho, que fica jogado no chão e com grande chance de estragar

SÃO PAULO - Um "oceano" de milho. Esta é a imagem registrada em diversas regiões do Brasil e que está comprovando um dos grandes problemas da indústria nacional: a falta de capacidade para estocar os produtos agrícolas. O vídeo acima mostra toneladas da commodity sendo jogados no chão - praticamente descartados - porque não há onde guardar toda essa quantidade de milho.

O grande problema é que a capacidade de armazenagem do Brasil é suficiente para apenas 68% da safra atual. A produção do País está estimada em 235,7 milhões de toneladas e a capacidade de armazenagem é de 161,9 milhões de toneladas, com déficit de 73,8 milhões de toneladas, explica Carlos Cogo, da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica.

Segundo ele, o Brasil colhe atualmente uma expressiva 2ª safra de milho, de 64,0 milhões de toneladas, contra 40,7 milhões de toneladas do ano passado e uma safra de soja de 114,7 milhões de toneladas, contra 95,4 milhões de toneladas em 2016. Além disso, no Brasil, apenas 16% da capacidade de armazenagem está em propriedades agrícolas. "Isso sobrecarrega o transporte e a armazenagem intermediária em épocas de colheita, além de elevar a demanda de estocagem nos portos", afirma Cogo.

"A armazenagem de milho da 2ª safra a céu aberto na Região Centro-Oeste do Brasil voltou a chamar a atenção para os históricos problemas de armazenagem no País", diz o consultor, que explica também que muitos armazéns de cooperativas e cerealistas ainda têm soja e trigo estocado, tudo isso antes da colheita de uma nova safra do cereal.

Todo este cenário deve ter um grande impacto no preço do milho, já que para não perder o produto que fica a céu aberto, os produtores poderão ter que vender a um preço menor. "Esta situação atinge principalmente o milho, que sofre com a retração do mercado de carnes, mas também atinge a soja, embora em menor escala, porque esta tem demanda internacional mais ativa", explica.

O consultor ainda afirma que faltam recursos para que o País consiga reverter esta situação já que atualmente o setor recebe R$ 1,6 bilhão para o PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns), valor que é insuficiente. "Quando foi concebido, esse programa tinha R$ 5 bilhões/ano. E tudo era demandado", afirma. "É preciso urgência na retomada de investimentos neste segmento, diante do crescente déficit de armazenagem", conclui Cogo.

 

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