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Trump diz que tortura funciona; presidente dos EUA pode reativar prisões secretas na CIA, diz agência

Segundo Trump, seus chefes de inteligência consideram que técnicas como o “afogamento simulado”, conhecido como waterboarding nos Estados Unidos, podem dar resultados na luta contra o terrorismo

Donald Trump
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Em entrevista à rede ABC News, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump defendeu o uso de técnicas  de interrogatório por meio de tortura, utilizadas no passado na luta contra o terrorismo. Ele defendeu o uso desses métodos porque "o fogo tem de ser combatido com fogo" e ele, enquanto presidente, tem de "manter o país seguro". “Acredito absolutamente que funcionam”, disse o magnata.

Segundo Trump, seus chefes de inteligência consideram que técnicas como o “afogamento simulado”, conhecido como waterboarding nos Estados Unidos, podem dar resultados na luta contra o terrorismo. 

Contudo, ele disse que vai confiar nas avaliações do diretor da CIA, Mike Pompeo, e do secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, entre outros, sobre o uso da técnica. "E se eles não quiserem usar, tudo bem. Se eles quiserem, então eu irei trabalhar nesse sentido. Eu quero fazer tudo dentro do limite do que somos autorizados a fazer se for legal... Se eu acho que funciona? Com certeza acredito que funciona", afirmou.

Segundo duas autoridades dos EUA disseram à Reuters nesta quarta, o presidente dos Estados Unidos deve assinar um decreto que pode levar à reativação do programa da CIA de interrogatório de suspeitos de terrorismo em prisões secretas no exterior com a utilização de técnicas que já foram consideradas formas de tortura, disseram à Reuters duas autoridades dos EUA nesta quarta-feira.

 

   

Os locais secretos da CIA foram usados para a detenção de suspeitos capturados durante a chamada "guerra ao terror", lançada pelo ex-presidente George W. Bush após os ataques de 11 de setembro de 2001.

O extinto programa com as chamadas "Técnicas Avançadas de Interrogatório", que incluem uma prática conhecida como simulação de afogamento, foi descrito em 2014 como ineficaz para a produção de informações de inteligência valiosas em um relatório do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA.

O decreto presidencial pede por uma revisão de alto nível que pode recomendar a Trump a "reativação do programa de interrogatório de alto valor para terroristas estrangeiros que seja operado fora dos Estados Unidos", e que a CIA seja responsável por administrar essas instalações, de acordo com uma cópia do esboço do decreto publicada pela Washington Post.

As duas autoridades dos EUA ouvidas pela Reuters, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Trump deve assinar o decreto nos próximos dias. O decreto também autorizaria uma revisão das técnicas de interrogatório que forças dos EUA podem usar com suspeitos de terrorismo, a continuidade do centro de detenção dos EUA na base naval de Guantánamo, em Cuba, e o fim do acesso a todos os presos sob custódia dos EUA pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Caso tome essas medidas, Trump revogaria decisões do ex-presidente Barack Obama em busca de fechar a prisão de Guantánamo, encerrar o programa de instalações secretas da CIA, garantir o acesso da Cruz Vermelha a todos os presos sob custódia dos EUA e restringir os métodos de interrogatório aos previstos no manual das Forças Armadas.

(Com Reuters)

 

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