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Emissão de bonds mostra um Brasil novamente protagonista, diz diretor da Mirae Asset

Interesse do investidor estrangeiro voltou, mas será que isso é apenas nosso mérito?

Bandeira do Brasil fita
(Reuters)

SÃO PAULO - Por alguns investidores pode até ter passado batida a emissão de US$ 1,5 bilhão em títulos públicos feita pelo governo brasileiro. No entanto, ela é um importante sinal de que o Brasil, se não está ainda saindo do atoleiro na economia, já está atraindo a atenção do estrangeiro como fazia antes da forte espiral de inflação alta e PIB negativo em que entrou a partir de 2014. 

Essa é a avaliação que faz Pablo Stipanicic Spyer, diretor da mesa de trade da Mirae Asset Wealth Management. "O Brasil está aproveitando o momento de altíssima liquidez no mundo [principalmente por conta das taxas de juros negativas em diversos países desenvolvidos] e está voltando a ser um país emergente protagonista", explica. 

Tanto o valor obtido quanto a taxa conseguida são sinais desse maior interesse do investidor estrangeiro. O Banco Central, quando fez a emissão, propôs como emissão mínima R$ 500 milhões, ou seja, ele conseguiu passar em 3 vezes a nota de corte. E os juros da emissão, de 5,875%, foram abaixo dos 6% esperados. Na prática: o governo brasileiro conseguiu captar mais dinheiro pagando uma taxa menor para os "gringos". 

Em comparação com outros países, no entanto, o Brasil teve uma taxa menos vantajosa. Foram aproximadamente 357,5 pontos de diferença em relação à taxa paga pelos títulos do tesouro norte-americano e 137,5 pontos de spread em relação com outros emergentes de rating BB como Hungria, Rússia, Turquia e Indonésia.

No entanto, Spyer explica que mesmo com o preço mais salgado em relação aos nossos "colegas", esse é o menor yield atingido pelo pais desde maio de 2015. "Isso é positivo e importante para mostrar que o país tem credito longo no mercado internacional; ajuda a abrir mais espaço de crédito para o mercado corporativo (empresas), que tem sido bastante penalizado nos últimos meses em função da crise, da perda do grau de investimento em 2015 e do crédito mais escasso no país", afirma o diretor. 

É preciso ressalvar, contudo, que boa parte da maior atratividade do Brasil ao investidor estrangeiro não tem a ver somente com o nosso mérito, mas com a dificuldade que enfrentam diversos dos emergentes que competem conosco pela atenção dos investidores estrangeiros. É o caso da Turquia, que sofreu uma tentativa de golpe militar na sexta-feira passada e declarou estado de emergência por três meses, dando ainda mais poderes ao presidente Recep Tayyip Erdogan, que sofreu a tentativa de coup d'état justamente por ser considerado um líder muito centralizador.  

 

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