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Zika vírus pode ser mais ameaçador que Ebola para saúde mundial, avaliam especialistas

Hoje especula-se que pelo menos 80% das vítimas não apresentam sintomas, o que dificulta muito o monitoramento da doença

Zika Vírus
(Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas)

SÃO PAULO - O surto de Zika vírus na América Latina pode representar uma ameaça maior à saúde mundial do que a epidemia do Ebola, que matou mais de 11 mil pessoas na África. É o que dizem especialistas ouvidos por uma reportagem do jornal britânico The Guardian, que acabam por formar um pano de fundo para a reunião de emergência da Organização Mundial de Saúde, que nesta segunda-feira (1) decidirá se a ameaça do Zika deveria ser classificada como uma crise global de saúde.

Jeremy Farrar, da Wellcome Trust, diz que existem vários elementos que apontam para um quadro mais ameaçador quando se compara Zika com Ebola. Um deles é o fato de a maioria dos infectados não apresentarem sintomas. "É uma infecção silenciosa em um grupo de elevadas vulnerabilidades individuais -- mulheres grávidas -- que é associada a um terrível efeito em seus bebês" (a microcefalia), afirmou o especialista. Hoje especula-se que pelo menos 80% das vítimas não apresentam sintomas, o que dificulta muito o monitoramento da doença.

Outro fator que torna o Zika uma ameaça mais severa que o Ebola é que ainda não há nenhum projeto de vacina, ao passo que a outra doença já tem diversas em fase de testes. "O problema real é tentar desenvolver uma vacina que precisaria ser testada em mulheres grávidas é um pesadelo prático e ético", complementou Mike Turner, também da Wellcome Trust. Para ele, o cenário de aquecimento global contribui para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o vetor da doença. O especialista diz que somente medidas extremas podem conter a ameaça do Zika. Nem mesmo o uso do DDT está 100% descartado neste momento.

 

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