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Mercado põe Selic em 17,15% em 2016, mas sou teimoso, diz Ilan, do Itaú

Economista-chefe do Itaú ainda projeta a Selic estável em 14,25% no próximo ano apesar de o mercado já precificar uma alta representativa nos contratos de juros futuros negociados na BM&F

Ilan Goldfajn

(SÃO PAULO) – O ex-diretor do Banco Central e economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, diz que a curva de juros futuros negociados na BM&F já precifica uma elevação da Selic para 17,15% em 2016, mas que ele não acredita que isso acontecerá. “Sou teimoso. Acho que a Selic será mantida onde está, em 14,25%”, disse o economista. A explicação de Ilan é que ele está bem menos pessimista que o mercado em relação à evolução da inflação no ano que vem. O Itaú estima que o IPCA vai recuar para 6,8% em 2016 com a menor pressão dos preços administrados, como gasolina e energia. “Tem gente bem mais negativa que eu no mercado em relação à inflação”, diz Ilan. Uma prova disso é que a inflação implícita das negociações com o título público indexado ao IPCA, a NTN-B, sugerem uma alta de preços mais próxima a 9% no ano que vem.

Mas o executivo não está tão positivo em relação a outros indicadores econômicos. Ele estima uma contração do PIB de 2,8% em 2016. A continuidade da recessão vai piorar as contas públicas. Ele acredita em um déficit primário de 1,3% do PIB em 2016 – contra estimativa de 1,2% do PIB neste ano. Por último, Ilan também falou em uma alta do dólar para R$ 4,50 no próximo ano.

Bolsa

Em relação à Bolsa, o diretor de ações e renda fixa do Itaú BBA, Carlos Constantini, diz que permanece com a recomendação de que os investidores fiquem “underweight” na Bovespa – ou seja, tenham exposição abaixo da média ao Brasil. Na América Latina, os mercados preferidos dele são o Chile e o México. Ele diz que seu preço-alvo para o Ibovespa ao final de 2016 é de 51.400 pontos – o potencial de valorização em relação aos 45.000 pontos atuais seria, portanto, inferior aos juros pagos pelos títulos públicos, justificando uma baixa exposição ao mercado acionário.

O executivo do Itaú também afirmou que a Bolsa não está barata porque, apesar da queda, os lucros das empresas diminuíram na mesma proporção. “As ações da Bovespa continuam num patamar de preço equivalente a 10,5 vezes o lucro, algo muito próximo à média histórica”, afirmou Constantini. Ele acredita, no entanto, que pode haver uma alta no primeiro semestre devido ao início da estabilização da economia, ao desfecho do processo de impeachment (sendo o governo impedido ou não), ao potencial de desvalorização limitado das commodities e devido ao fato de os investidores estarem muito sub-alocados em Brasil. “Se o governo acenar com reformas, o preço/lucro pode ir de 10,5 para 12”, diz. Mas o Itaú continua a indicar aos clientes ações defensivas como Ambev, BRF, Suzano e Telefônica.

Fusões e aquisições

O presidente do Itaú BBA, Candido Bracher, também participou de almoço com jornalistas econômicos nesta quarta-feira e comemorou o fato de o banco ter alcançado a liderança do ranking de fusões e aquisições neste ano. O Itaú realizou US$ 17 bilhões em fusões na América Latina em 2015, sendo que o mercado total foi de US$ 44 bilhões. Ele disse que a prisão de André Esteves, ex-presidente do rival BTG Pactual, não tem nenhuma relação com esses números. “Nosso sucesso não dependeu do rival. Os resultados foram construídos ao longo do ano”, disse. Os executivos do banco reforçaram que há muito interesse de investidores estratégicos estrangeiros em fazer compras no Brasil agora que o real está bem mais desvalorizado. Ele também disse que o Itaú vem comprando carteiras de crédito do BTG, que está em meio a um esforço para aumentar sua liquidez. “Temos uma postura cooperativa”, disse o executivo, que também elogiou a rapidez com que o BTG vem lidando com a crise.

 

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