Em mercados

Brasil caminha para uma depressão econômica, diz Goldman Sachs

Banco revisou a sua previsão para o PIB para contração de 3,6% em 2015 (com a demanda interna devendo cair mais de 6%) e recuo de 2,3% no ano que vem

Joaquim Levy
( Lula Marques/Agência PT)

SÃO PAULO - O que começou com uma recessão impulsionada pelas necessidades de ajuste de uma economia com grandes desequilíbrios macroeconômicos acumulados agora está se transformando em uma depressão econômica dada a profunda contração da demanda interna. 

Esta é a avaliação do economista para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, que revisou a sua previsão para o PIB para contração de 3,6% em 2015 (com a demanda interna devendo cair mais de 6%) e recuo de 2,3% no ano que vem após os dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na previsão anterior, o Goldman esperava uma queda de 3,2% da economia este ano e de 1,6% ano que vem. 

Hoje, o IBGE divulgou que a queda do PIB foi de 4,5% no terceiro trimestre de 2015 ante igual período de 2014, o maior recuo nessa base de comparação desde o início da série do instituto, iniciada em 1996. 

O economista ressalta que o consumo privado registra queda por três trimestres consecutivos, as despesas de investimento têm baixa por nove trimestres seguidos, enquanto a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) caiu 21% desde o segundo trimestre de 2013, o que impacta o crescimento da produtividade e deve impactar ainda mais o PIB potencial.

"Surpreendentemente, enquanto o setor privado tem registrado ajuste, o consumo do governo cresceu 0,3% na comparação trimestral. Isto atesta a incapacidade das autoridades para entregar o ajuste fiscal prometido fora os severos cortes no investimento e uma carga fiscal mais elevada", afirma.

As projeções para baixo do PIB e a queda da demanda doméstico têm como base os contratempos enfrentados pelo País, tais como: (1) condições financeiras desafiadoras, (2) alta inflação, (3) a deterioração adicional do mercado de trabalho, (4) os níveis mais elevados de estoques nos principais setores industriais, (5) tarifas públicas mais altas, (6) os elevados níveis de endividamento das famílias, (7) fraca demanda externa, (8) os preços das commodities mais baixos, (9) a incerteza política crescente, e (10) a baixa confiança dos consumidores e para os negócios. 

No lado positivo, uma taxa de câmbio mais competitiva e a fraca procura interna deverá gradualmente elevar a contribuição das exportações líquidas para o crescimento e fornecer um piso para a contração esperado do PIB em 2015 e 2016, afirma o banco.

No lado da demanda, a despesa de investimento tem assumido a maior parte do ajuste e a indústria permanece presa em uma profunda e longa recessão (a produção industrial está atualmente no mesmo nível de setembro de 2005). 

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