Em mercados

Após ameaça de demissão, diretor do BC não vota em decisão do Copom

A abstenção do voto ocorreu após o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, falar em uma possível demissão do diretor se ele não explicasse uma fala em que antecipava seu voto

sede Banco Central Brasília
(Divulgação/BC)

SÃO PAULO -  O Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, decidiu não votar na decisão desta quarta-feira (29) do Copom (Comitê de Política Monetária), que decidiu elevar a Selic em 0,50 p.p., para 14,25% ao ano. A abstenção de seu voto ocorreu após o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, falar em uma possível demissão de Volpon se ele não explicasse uma fala em que antecipava seu voto.

Ao Valor Econômico na segunda-feira (27) e a um grupo de investidores na semana passada, o diretor do BC sinalizou que votaria pela elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic. "É um absurdo um cara (o diretor do BC) que vaza como vai votar antes da reunião do Copom", disse Eunício, em entrevista por telefone dos Estados Unidos ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Dizendo falar com o "sentimento de leigo", ele disse ter ficado em dúvida se essa nova postura de avisar o mercado sobre o que vai ocorrer é benéfica ou não para a instituição. Para o senador, contudo, essa posição pode influenciar as expectativas do mercado.

O líder do PMDB no Senado defendeu que Volpon seja ouvido pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa para explicar o que motiva um diretor do BC a adotar tal postura. O Senado retoma os trabalhos na próxima semana.

"Ele tem que me convencer com uma boa justificativa, não quero dar palavras açodadas ou dizer que ele merece ser demitido", disse Eunício. "Não sou eu que demitido diretor do BC, mas é ruim a posição dele", considerou.

Confira o comunicado do Banco Central sobre o assunto:

O Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Tony Volpon, decidiu se abster de participar desta reunião do Comitê de Política Monetária de 29 de julho, “a fim de evitar possíveis prejuízos à imagem do Banco Central do Brasil, sendo essa decisão em caráter pessoal e irretratável”, conforme justificou o diretor em comunicado dirigido ao presidente do BC antes do início da reunião.

Os membros do Comitê compreenderam a decisão. Em reunião extraordinária realizada em 28 de julho, a Diretoria Colegiada já havia acolhido os esclarecimentos quanto ao teor de recente declaração pública de Volpon

(Com Agência Estado)

 

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