Em mercados

Inflação bate 8,5%, DI sobe forte e mercado se pergunta: quanto Selic deve subir?

Comportamento teimoso dos preços deverá pressionar nova intervenção do Banco Central; mercado espera Selic a 14,25% ao final de julho

Tombini no escritório - Banco Central - Brasil - Copom
(Divulgação/BC)

SÃO PAULO - A nova alta de 0,74% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgada na manhã desta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) fez com que a inflação nacional acumulasse elevação de 8,47% no apanhado de 12 meses - contra 8,17% anteriores -, e 5,34% apenas em 2015. Com os preços nas alturas, o mercado já começa a especular sobre qual deverá ser a próxima decisão do Banco Central sobre os juros, em reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) marcada para o final de julho.

Nesta sessão na BM&F, os principais contratos de DI sobem. Às 11h45 (horário de Brasília), os papéis de juros futuros com vencimento em janeiro de 2017 subiam 0,13 pontos percentuais, a 13,70%, movimento acompanhado pelos contratos de 2018, 2019 e 2020, que registravam respectivos ganhos de 0,15 p.p., a 13,13%; 0,15p.p, a 12,90%; e 0,14p.p., a 12,76%. Entre os DIs mais curtos, os ganhos são menores: o contrato com vencimento em janeiro de 2016 apresenta alta de 0,07 p.p., a 14,15%.

Na semana passada, a autoridade monetária brasileira, a comando do presidente Alexandre Tombini, fixou a Selic a 13,75% ao ano - 0,5 ponto percentual a mais do que na reunião anterior, quando também houve elevação de 50 pontos base. As decisões, na visão de muitos analistas, mostra um maior compromisso do governo em trazer a inflação de volta para o centro da meta, estabelecida em 4,5%. O caminho, no entanto, promete ser longo. Mesmo com as recentes altas nos juros, ferramenta usada para desaquecer o consumo e reduzir a pressão da demanda sobre os preços, a inflação teima em não arredar o pé.

Para os economistas do Credit Suisse, é possível que o IPCA (indicador oficial para mensuração da inflação) chegue, em julho, a 8,9% acumulados em 12 meses. Esse seria o maior nível desde dezembro de 2003. "A mediana das expectativas de mercado para a inflação acumulada nesses três meses aumentou de 1,05% no fim abril, patamar similar ao de dezembro (1,06%), para 1,27% no fim de maio. Esperamos que a inflação acumulada nesse período alcance 1,58%, superior à expectativa de mercado e muito superior à inflação acumulada no período em anos anteriores", escreveu a equipe do economista Nilson Teixeira em relatório a clientes.

Deverão puxar as próximas altas uma maior inflação para alimentos, reajustes nos preços dos bilhetes de loteria na casa dos 16%, medicamentos mais caros, impostos sobre importados, reajustes nas contas de água e esgoto e inflação de energia. Outro fator que pode lutar contra os esforços do governo é a diferença nos preços dos combustíveis cobrados no exterior e nos postos nacionais.

"Tendo em vista a significativa alta do preço do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas, passamos a considerar um reajuste do preço da gasolina de 10% já no terceiro trimestre de 2015", afirmaram, em revisão às previsões anteriores de elevação de 5% no quarto trimestre. Caso isso ocorra, o acumulado do IPCA superaria até os 9% esperados pelo banco em julho. O mesmo patamar é esperado por eles para a inflação ao final deste ano.

Com projeções menos pessimistas, mas também pouco animadoras, de 8% para a inflação em 2015 apesar da esperada contração no PIB (Produto Interno Bruto) para o mesmo período, os economistas do Goldman Sachs ressaltam que o comportamento teimoso dos preços deverá forçar o Copom a provocar nova elevação de 0,5 ponto percentual ao final da próxima reunião, em julho, o que levaria a Selic para 14,25% anuais. Contudo, eles ressaltam que as projeções serão melhor embasadas com a especificação das diretrizes do BC a partir do Relatório de Inflação, a ser apresentado no final deste mês.

 

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