Em mercados

Selic pode chegar a 14% se dólar ultrapassar R$ 3, diz economista

Segundo Daniel Weeks, da Garde Asset Management, o BC está mudando sua postura frente ao câmbio, mostrando que deixará o dólar andar mais livremente a partir de abril

Alexandre Tombini Banco Central BC 1
(Reuters)

SÃO PAULO - Uma mudança na postura do Banco Central frente ao mercado de câmbio pode levar o dólar acima de R$ 3 esse ano. Se isso ocorrer, a Selic pode chegar a 14% ao ano, com a inflação superando os 8,2%, estima o economista Daniel Weeks, da Garde Asset Management, em entrevista exclusiva ao InfoMoney. 

Segundo ele, o BC está mudando sua postura frente ao câmbio, mostrando que deixará o dólar andar mais livremente. "Antes, quando o dólar subia, já apareciam fontes do mercado dizendo que o BC iria rolar contratos de swap na tentativa de conter a valorização, mas isso acabou e temos visto o dólar se fortalecer cada vez mais. Ele está dando ideia de que vai parar o programa de rolagem no final deste mês", disse.

Se isso ocorrer, Weeks comenta que terá que revisar seu cenário-base, que hoje tem o dólar a R$ 3 em 2015, inflação a 8,2% e Selic a 13% a.a.. Isso daria sustentação para um cenário mais alarmista, com câmbio chegando a R$ 3,30 no final desse ano e Selic batendo os 14% a.a..

Toda essa questão deve levar o BC a ser mais hawkish (postura mais vigilante com a estabilidade dos preços) já que a inflação deve superar os 8% por conta dos reajustes da energia elétrica e a desvalorização do real. "O grande desafio do BC agora não é nem convencer os economistas de que a inflação convergirá para a meta, mas sim mostrar que está vigilante de forma a mostrar aos agentes de mercado que não estamos tendo uma mudança de patamar, indicando que esses 8% são temporários", explicou.

Weeks comentou que se, de fato, o BC deixar o câmbio flutuar mais livremente - e deve deixar para começar a fazer os ajustes necessários na economia -, ele precisará elevar mais o juros (por isso, os 14% a.a.) e isso levará a um cenário pior para 2015, mas passado esses ajustes do câmbio, a economia tende a melhorar em meados de 2016. Para esse ano, ele projeta uma retração de 1% na economia, podendo chegar a menos 2% (no cenário mais pessimista). 

 

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