Em mercados

Mesmo com economia fraca, Copom deve subir Selic pela 4ª vez seguida

Com a depreciação cambial fazendo ainda mais pressão sobre a inflação já acima do teto da meta, economistas, analistas e instituições financeiras veem mais uma forte elevação dos juros pela frente

Tombini mão - 19/02/13
(Elza Fiúza/ABr)

SÃO PAULO - Para quem esperava que a alta de 50 pontos-base na taxa de juros na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em janeiro fosse o fim do ciclo de aperto monetário, o novo encontro do comitê nesta quarta-feira (4) certamente trará uma surpresa desagradável. A desvalorização do real e o reajuste dos preços administrados modificaram o cenário esperado pelos economistas, cuja maioria trabalha com uma nova elevação de 50 pontos, levando a Selic para 12,75% ao ano.

No dia 21 de janeiro, o Copom decidiu por unanimidade elevar a Selic em 50 pontos-base, para 12,25% ao ano. Foi a terceira elevação consecutiva da taxa de juros, que já subiu 125 pontos-base desde o início do aperto. A projeção dos economistas é de que ela chegue a 13,00% ao ano no final de 2015 e 11,5% ao ano em 2016, aponta o relatório Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (2).

Para a equipe econômica da Guide Investimentos, a desvalorização do real e os reajustes daqueles preços administrados - tais como tarifas de energia e de transporte e preços de combustíveis - acabaram exercendo mais força sobre a inflação atual, de modo que conter as expectativas inflacionárias parece ser o mais indicado no momento - mesmo com indicadores de atividade e emprego "clamando" por um afrouxamento monetário. 

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), principal índice de preços da economia brasileira, fechou janeiro com variação positiva de 1,24%, ficando em 7,14% no acumulado de 12 meses - bem acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%. Por outro lado, a última pesquisa mensal do emprego divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou um forte crescimento na taxa de desemprego - de 4,3% para 5,3% de dezembro para janeiro -, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) projetado para 2014 e 2015 devem mostrar avanço de 0,14% e recuo de 0,58%, respectivamente, segundo o último boletim Focus.

Entre controlar os preços e estimular a economia, o Copom deve mostrar maior preocupação com o fantasma da inflação, afirmam os economistas. "O aperto monetário deve continuar, em função dos choques de preços que estão por vir ao longo de 2015", escreve a LCA Consultores em relatório. Na mesma linha, o professor Fundação Getulio Vargas, Clemens Nunes, alerta para o combate do BC aos efeitos secundários dos choques de preços de hortifrutigranjeiros, bem como do aumento de combustíveis e energia elétrica. "uma vez que estes não foram dissipados”.

 

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