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Projeção de maior inflação volta a preocupar mercado: como o Copom vai reagir?

Após projeções de inflação mais alta pelo BC, mercado elevou projeções para Selic; Copom deve elevar taxa básica em 0,25 p.p. na reunião que termina nesta quarta-feira

Tombini mão - 19/02/13
(Elza Fiúza/ABr)

SÃO PAULO - O Relatório Trimestral de Inflação divulgado na última quinta-feira (27), divulgado pelo Banco Central, revelou que os preços em tendência crescente seguem sendo uma preocupação, principalmente para a autoridade monetária brasileira. 

E é a pressão inflacionária que deve levar à continuidade da alta da taxa básica de juros na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que se encerra nesta quarta-feira (2). De acordo com a compilação de estimativas de economistas realizada pelo InfoMoney, o Comitê deve elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11% ao ano, sendo assim a nona alta seguida da taxa básica de juros. 

“O governo está preocupado com a possibilidade de extrapolar a meta máxima de inflação de 6,5% ao ano. Por isso, o aumento da taxa de juros é praticamente certo”, avalia o professor de ciências contábeis da Faculdade Santa Marcelina, Reginaldo Gonçalves.

A equipe econômica do BTG Pactual faz ainda uma análise sobre a redução do ritmo de ajustes na última reunião, passando de alta de 0,50 ponto percentual para um aumento de 0,25 ponto percentual, a 10,75% ao ano. A reunião de fevereiro, avalia, ocorreu em meio a uma inflação de janeiro mais favorável, enquanto os dados de atividade econômica decepcionaram. 

Desta vez, avaliam os economistas do BTG, os dados da atividade têm surpreendido positivamente, enquanto a inflação piorou. Assim, ao contrário da reunião de fevereiro, a surpresa de inflação leva a mais informações fundamentais para a condução da política monetária, enquanto os dados de atividade ainda não indicam melhores perspectivas sobre a atividade. 

De olho no comunicado
Os economistas da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa e Rafael Yamano, o comunicado que acompanhará a decisão também será importante para sinalizar os próximos passos da política monetária. "A persistência da pressão inflacionária, por conta da alta dos alimentos, fomentando as expectativas, pode levar o BC a estender o ciclo de aperto, postergando o seu final. O quanto de aperto ainda resta é dúvida, que poderá ser esclarecida, ainda que parcialmente, pela ata da reunião", avalia.

Já o BTG avalia que o Copom não deve fechar as portas para uma nova alta em maio. Até então, parece bastante difícil contar com um fluxo de dados que faça com que o Comitê mantenha a taxa de juros em 11% até o final do ano, com a sua última alta nesta data. 

E, de acordo com o HSBC, deve ocorrer uma alta também na reunião de maio, de forma a equilibrar a expansão fiscal, dado o subsídio do setor energético, além da preocupação com a inflação resiliente. O banco elevou a sua expectativa para a Selic para o final do ano, passando de 11% para 11,25% ao ano após o Relatório Trimestral de Inflação. 

Por que subir a Selic?
A expectativa de mais elevações na Selic ocorre devido à resistência da inflação. A taxa é um instrumento usado pelo BC para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Comitê de Política Monetária aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo. No entanto, a medida alivia o controle sobre a inflação.

O BC tem de encontrar equilíbrio ao tomar decisões sobre a taxa básica de juros, de modo a fazer com que a inflação fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Essa meta tem como centro 4,5% e margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Neste ano, o BC projeta inflação bem acima do centro da meta e pouco abaixo do limite superior (6,5%). A projeção, divulgada na última quinta-feira (27) no Relatório Trimestral de Inflação, é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 6,1%.

(Com Agência Brasil)

 

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