Em mercados

S&P vê falta de comprometimento do governo e rebaixa rating do Brasil para BBB-

Perspectiva de novo rating é estável; em conferência, agência atribui corte a perda de confiança na política fiscal e piora nas contas externas

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Standard & Poor's acaba de anunciar o rebaixamento do rating em moeda estrangeira e de longo prazo do Brasil, que passou de BBB para BBB-. A perspectiva para a nova nota é estável, a despeito da expectativa negativa do rating anterior, informa a agência em seu site nesta segunda-feira (24).

Em conferência realizada logo após o anúncio, a agência atribuiu o corte a uma série de fatores, tais como a perda de confiança na política fiscal e piora nas contas externas. Reforçando a falta de credibilidade dos governantes brasileiros, a equipe da S&P disse que dificilmente o Brasil cumprirá sua meta formal de superávit primário de 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto).

Sobre o crescimento da economia brasileira, a estimativa é de que ele continue "fraco" nos próximos anos. "Esperamos que o crescimento fraco do Brasil persista ao longo de vários anos, com o PIB real expandindo-se em 1,8% em 2014 e 2,0% em 2015", disse a agência durante teleconferência. Ademais, eles reforçam a importância de que o Brasil sustente a taxa de crescimento próxima de 2%, vista por eles como essencial para evitar um novo rebaixamento de rating.

A S&P ressalta ainda que, por estarmos em ano de eleições presidenciais, o espaço para medidas de austeridade torna-se muito menor, tendo em vista o impacto não-popular de medidas como estas, que podem dessa forma afetar a campanha eleitoral do atual governo. Mesmo assim, eles reforçaram que estão "confortáveis" com a perspectiva de grau de investimento do Brasil - com este corte, o País está no nível mais baixo de "investment grade", ou seja, com mais um corte a economia brasileira entra em "grau especulativo".

Amanhã mais uma apresentação será feita pela S&P, às 9h30. Muitos economistas já projetavam que o corte de rating fosse anunciado no Brasil ainda neste semestre, diante da piora nas condições macroeconômicas do País desde o ano passado. A S&P se reuniu com membros do governo brasileiro no começo deste mês para avaliar mais de perto a situação econômica interna.

 

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