Em mercados

Desemprego baixo se une a "efeito Turquia" e DI sobe; dólar cai após bater R$ 2,44

Mercado repercute queda da taxa de desemprego para nova mínima histórica, enquanto Rússia também busca defender sua moeda; dólar cai após atingir os R$ 2,44

SÃO PAULO - Após ter registrado forte alta na sessão anterior em meio ao surpreendente aumento das taxas de juros na Turquia, as taxas dos contratos de juros futuros registram novo dia de aumento.

Nesta quinta-feira (30), o mercado repercute ainda o noticiário nacional, com a divulgação dos dados de emprego pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), que mostrou queda da taxa de desemprego para uma nova mínima história. Enquanto isso, após registrar fortes altas e atingir os R$ 2,44, o dólar comercial registra queda de 0,36%, a R$ 2,4250 na venda e R$ 2,4230 na compra por volta das 11h (horário de Brasília). Na véspera, o dólar registrou ganhos de 0,3%, de olho na decisão de política monetária do Federal Reserve de reduzir novamente o programa de compra de títulos em US$ 10 bilhões, passando para US$ 65 bilhões. 

Enquanto isso, reforçado pela queda na taxa de desemprego para 4,3% em dezembro, ante 4,6% em novembro, as taxas de juros futuros de janeiro de 2015 registravam alta de 11,52%, com alta de 0,09 ponto percentual ante o ajuste da véspera. Enquanto isso, na ponta mais longa, as taxas dos contratos têm maior estabilidade: o contrato com vencimento em janeiro de 2017 estava em 12,84%, ante 12,85% na véspera.

Vale ressaltar que, na véspera, uma combinação de fatores levou à forte alta tanto nos mercados de juros futuros quanto de câmbio. O primeiro deles foi a surpreendente decisão do Banco Central da Turquia de elevação dos juros de 7,75% para 12%, curvando-se à pressão do mercado para conter a queda da moeda nacional, a lira, e ignorando a oposição do primeiro-ministro do país, Tayyip Erdogan. Com isso, ao promover uma alta mais agressiva, o Banco Central turco aumenta a atratividade para o investimento no país, em um ambiente em que o investidor se mostra bastante averso ao risco em relação aos emergentes.

Desta forma, a competitividade para investimentos brasileiros diminui, o que forçaria o Banco Central do Brasil a elevar a taxa de juros. Isso em um cenário em que o BC já está apontando para o fim do ciclo de ajuste após as fortes altas em um cenário de inflação resiliente. Desde outubro de 2012, a Selic já subiu 325 pontos-base, mas não foi suficiente para a valorização do real. E, em um cenário de baixo crescimento da economia brasileira, uma pressão para alta de juros restringiria ainda mais a atividade nacional. 

E, nesta sessão, novas notícias. O banco central da Rússia informou nesta quinta-feira que anunciará intervenções cambiais ilimitadas caso o rublo, a moeda do país, afaste-se das metas, resposta às vendas generalizadas de mercados emergentes mundo afora.

Em comunicado, a autoridade monetária informou que as intervenções serão "ilimitadas em volume até o ponto em que o valor da cesta de moedas retornar à faixa operacional".

O banco utiliza flutuação "suja" pela qual conduz as intervenções cambiais quando o rublo se aproxima do limiar da meta de 7 rublos contra cesta de moedas composta por dólares e euros.

Cenário fiscal também preocupa
E o cenário fiscal segue preocupando o Brasil e afugentando os investidores estrangeiros. Nos últimos dias, chamou a atenção do mercado os possíveis parâmetros do governo referentes ao contingenciamento do orçamento da União. Porém, durante viagem à Cuba, Dilma lamentou que tenha escapado rumores sobre o assunto e disse “desautorizar qualquer informação nesse sentido”. Boa parte dos analistas consideram que deva haver um contingenciamento bem maior do que os números oficiais, de R$ 20 bilhões, para cumprir o esforço primário do governo central próximo de 1,5% do PIB. O número seria entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões.

 

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