Em mercados

"Briga" por investidor estrangeiro se acirra e impulsiona forte alta do DI e dólar

Juros futuros e câmbio sobem repercutindo elevação de juros surpreendente da Turquia, decisão do Federal Reserve, além de cenário fiscal brasileiro incerto

SÃO PAULO - Com um cenário de turbulência, entre a expectativa pelo desfecho da última reunião do Fomc (Federal Open Market Commitee) sob o comando de Ben Bernanke e a decisão surpreendente do Banco Centrasl turco de elevar fortemente os juros, as taxas dos principais contratos de juros futuros registram expressivas altas na sessão desta quarta-feira (29), enquanto o dólar também tem fortes ganhos. 

O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2015 registrava, às 9h35 (horário de Brasília), forte alta de 0,11 ponto percentual, passando de 11,24% na véspera para 11,33%, enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2017 tinha alta de 0,10 ponto percentual, de 12,82% para 12,92%. No mesmo horário, o dólar registra alta de 0,58%, a R$ 2,4410 na venda. 

E uma combinação de fatores leva a esta forte alta tanto nos mercados de juros futuros quanto de câmbio. O primeiro deles é a surpreendente decisão do Banco Central da Turquia de elevação dos juros de 7,75% para 12%, curvando-se à pressão do mercado para conter a queda da moeda nacional, a lira, e ignorando a oposição do primeiro-ministro do país, Tayyip Erdogan. Com isso, ao promover uma alta mais agressiva, o Banco Central turco aumenta a atratividade para o investimento no país, em um ambiente em que o investidor se mostra bastante averso ao risco em relação aos emergentes.

Desta forma, a competitividade da moeda brasileira diminui, o que forçaria o Banco Central do Brasil a elevar a taxa de juros. Isso em um cenário em que o BC já está apontando para o fim do ciclo de ajuste após as fortes altas em um cenário de inflação resiliente. Desde outubro de 2012, a Selic já subiu 325 pontos-base, mas não foi suficiente para a valorização do real. E, em um cenário de baixo crescimento da economia brasileira, uma pressão para alta de juros restringiria ainda mais a atividade nacional. 

E o cenário fiscal segue preocupando o Brasil e afugentando os investidores estrangeiros. Nos últimos dias, chamou a atenção do mercado os possíveis parâmetros do governo referentes ao contingenciamento do orçamento da União. Porém, durante viagem à Cuba, Dilma lamentou que tenha escapado rumores sobre o assunto e disse “desautorizar qualquer informação nesse sentido”. Boa parte dos analistas consideram que deva haver um contingenciamento bem maior do que os números oficiais, de R$ 20 bilhões, para cumprir o esforço primário do governo central próximo de 1,5% do PIB. O número seria entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões.

"O pronto desmentido de diversas fontes do governo sugerem que o governo não está disposto a promover tamanho ajuste, e quer evitar uma possível frustração no dia do anúncio do contingenciamento, esperado para a primeira quinzena de fevereiro", destacou a LCA Consultores. 

Por fim, está a reunião do Federal Reserve, a última sob o comando de Ben Bernanke. A estimativa de redução de estímulos mensais à economia norte-americana em US$ 10 bilhões, para US$ 65 bilhões, leva à uma pressão ainda maior com a redução de liquidez para os países emergentes. 

 

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