Em mercados

Ibovespa atravessa novo dia de instabilidade, apesar de alívio do noticiário externo

G-20 comunica que está comprometido com uma forte resposta internacional coordenada; LAME4 dispara

SÃO PAULO – Enquanto os mercados internacionais reverteram as perdas que registravam no início desta manhã, o Ibovespa reduziu as baixas do iníco do pregão desta sexta-feira (23) mas há pouco mantinha a trajetória de queda, em variação negativa próxima de 0,20%, aos 53.175 pontos.

Com poucos indicadores econômicos de relevância previstos para a sessão, o desempenho dos índices ficam ao sabor de notícias no cenário internacional, especialmente o europeu.  “A agenda externa vazia deixa os mercados na dependência de notícias relacionadas aos fatores atuais de tensão. Não há, por ora, sinais de reversão do nervosismo, o que garante a manutenção da volatilidade nos próximos dias”, argumenta Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

No entanto, ocorre um certo alívio nos mercados externos após o G-20 comunicar que está comprometido com uma forte resposta internacional coordenada.

Altas e baixas
Entre os destaques positivos do Ibovespa, se destacam papéis voltados ao mercado interno, sendo as ações da Lojas Americanas (LAME4) as de maior alta do índice, de 6,02%. Por outro lado, as ações da Braskem revelam perdas de 3,57% nesta sessão, acumulando uma variação negativa de 25,62% no ano. 

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRKM5 BRASKEM PNA 14,60 -3,57 -25,62 11,95M
 SBSP3 SABESP ON 43,61 -3,30 +2,39 6,15M
 BBDC4 BRADESCO PN 26,85 -3,28 -16,69 142,71M
 CIEL3 CIELO ON EDJ 42,08 -2,82 +33,91 47,56M
 RDCD3 REDECARD ON 25,05 -2,53 +27,76 35,91M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 LAME4 LOJAS AMERIC PN INT 14,27 +6,02 -4,48 40,27M
 LREN3 LOJAS RENNER ON 50,57 +5,46 -7,62 87,43M
 HGTX3 CIA HERING ON 30,38 +5,01 +13,37 24,20M
 MRVE3 MRV ON 10,38 +3,80 -32,64 70,05M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 9,12 +3,75 -27,56 96,34M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Impasse grego
Os índices acionários mostraram instabilidade nesta manhã, pressionados pelo corte no rating de oito bancos europeus pela Moody's e pela publicação em um jornal grego de que o ministro de finanças do país, Evangelos Venizelos, teria dito que a reestruturação da dívida, com um perdão de 50% de suas obrigações por parte dos investidores, seria a saída mais otimista para o país. 

Porém, Venizelos ressaltou em nota que o país toma todas as medidas necessárias para implantar as medidas acordadas na reunião de 21 de julho, sendo que qualquer outro rumor acerca do assunto não é benéfico para o atual cenário.

Momento é de cautela
Portanto, os analistas sugerem aos investidores que evitem correr riscos excessivos. “Recomendamos muita cautela no curtíssimo prazo, já que a palavra de ordem é ‘desalavancagem’”, alerta Marco Melo, head de análise da Ágora Corretora.

“Diante desta conjuntura global completamente instável e com variáveis e desfecho imprevisíveis, a nossa recomendação aos clientes que não podem ou não querem correr riscos é (...) dividir os fechamentos em vários lotes em momentos e taxas diferentes, de tal forma que, qualquer que seja o desfecho da crise, consiga ‘uma média’ nas cotações de seus negócios”, complementa Tavares.

Inflação recua, mas superávit também
Por aqui, a agenda de indicadores – apesar de ofuscada pelo cenário internacional, como já ressaltado anteriormente – traz alguns dados, como o recuo de 0,11 ponto percentual do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) na terceira medição de setembro, aos 0,58% e o superávit primário de R$ 5,5 bilhões em agosto, inferior aos R$ 13,8 bilhões de julho.

Câmbio e juros
Após a forte alta da sessão anterior, quando o dólar chegou a atingir uma valorização superior a 5,0%, nesta sessão a moeda norte-americana revela uma queda de 2,05%, cotada a R$ 1,86 após o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, alertar que poderá agir no mercado de câmbio sempre que considerar pertinente.

Do mesmo modo, as principais taxas de contratos de juros futuros marcam queda nesta sexta-feira, pressionados pelo cenário de aversão ao risco em âmbito internacional.

 

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