Em mercados

Ibovespa abre em forte queda, frente a incertezas com economia externa

Analistas avaliam negativamente anúncio de Fomc, enquanto atividade industrial registra queda na Europa e na China

SÃO PAULO – O Ibovespa inicia o pregão desta quinta-feira (22) em forte queda de 3,47%, aos 54.036 pontos, em linha com o desempenho dos mercados internacionais.

Tal movimento é pressionado pela desconfiança dos investidores com o programa anunciado pelo Federal Reserve na véspera. Apesar de amplamente esperado, os investidores também avaliam a indicação do Fomc (Federal Open Market Committee) de que a recuperação econômica continua a um ritmo lento e que há um “risco significativo” para tal trajetória.

Na esteira deste anúncio, os principais índices acionários europeus registram queda de mais de 4%, enquanto os contratos futuros sobre índices de ações nos EUA amargam perdas superiores a 2%.

Ações
Entre os papéis que revelam as maiores quedas do Ibovespa figuram os ordinários da Brookfield (BISA3, R$ 5,50, -5,98%), da MMX Mineração (MMXM3, R$ 7,41, -5,48%), LLX Logística (LLXL3, R$ 3,54, -5,35%), preferenciais da Braskem (BRKM5, R$ 15,57, -5,18%) e ordinários da MRV Engenharia (MRVE3, R$ 10,09, -5,08%).

Análises
O analista gráfico da Gradual Investimentos, Régis Chinchila, alerta para a alta volatilidade no pregão anterior. "A linha de tendência de alta foi perdida, gerando uma sinalização de queda, com suportes importantes entre 55.000 /54.100 pontos", escreve em relatório diário.

Segundo a equipe da Planner Corretora, a volatilidade continua a ditar o ritmo do mercado nesta manhã, guiados pelas incertezas com relação à economia dos EUA e da Europa. "O reflexo das medidas derrubou os mercados na Europa e Asia e os futuros nos EUA e Brasil indicam nova queda nas bolsas para hoje", revela.

Atividade industrial em contração
Neste cenário, a economia europeia também continua em foco, uma vez que a atividade industrial da Zona do Euro marcou a primeira contração em setembro desde julho de 2009, sendo que indicadores como a queda na confiança e dos novos negócios “eleva o risco de mais contração nos próximos meses”, alerta o economista-chefe da Markit Economics, Chris Williamson. O dado para a China também mostrou retração, ao atingir o menor nível em dois meses após se retrair de 49,9 pontos em agosto para 49,4 pontos na China.

Para o restante do pregão os investidores ainda aguardam alguns dados econômicos por aqui e nos EUA, como o Leading Indicators, o qual compila alguns dados já divulgados, assim como valor das hipotecas. Por lá o anúncio de 423 mil pedidos de auxílio desemprego na última semana surpreenderam negativamente, já que as expectativas era de 418 mil.

No cenário interno, a taxa de desemprego manteve-se estável em agosto, aos 6% - o menor nível para um mês de agosto desde o início da série histórica, em 2002 -, enquanto o mercado também espera pela nota de mercado aberto, a ser divulgada pelo Banco Central. Ainda na pauta, PIB Mensal, revelado pela Serasa Experian, apontou leve alta de 0,4% em julho.

 

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