Tombo de 15% na quarta, queda de 3% na sexta

Natura (NTCO3) divulga dados prévios do 1º tri após rumor de vazamento de balanço e tombo da ação; ativo fecha com nova queda

Perspectiva é de um trimestre fraco para a Natura, enquanto preocupações sobre governança corporativo entraram no radar

Por  Equipe InfoMoney -

Após rumores sobre vazamento dos resultados do primeiro trimestre de 2022 (1T22), que fizeram as ações desabarem 15,57%, a Natura (NTCO3) decidiu publicar dados preliminares e não auditados deste período na noite da última quinta-feira (21).

A companhia informou que, na última quarta-feira (20), a área de Relações com Investidores da companhia manteve reuniões com analistas de mercado, visando prestar esclarecimentos e informações de forma a auxiliar tais analistas a entender os negócios e as perspectivas.

Dessa forma, a companhia entende que as informações divulgadas na mídia refletem as inferências e projeções dos próprios analistas de mercado.

A empresa destacou que, conforme divulgado anteriormente em relação aos resultados do quarto trimestre de 2021, continua enfrentando pressões de custos como resultado do aumento da inflação e dos preços mais altos das
commodities.

A Natura ainda falou sobre a base de comparação, destacando que teve um primeiro trimestre de 2021 particularmente forte, com um aumento de 25,8% na receita líquida em relação ao primeiro trimestre de 2020 em reais e 8,1% em termos de moeda constante no mesmo período, além de registrar uma margem Ebitda (Ebitda, ou lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações, sobre receita líquida) ajustado de dois dígitos.

No nível de unidade de negócios, na América Latina, a companhia comunicou que continua vendo progresso sequencial no Brasil desde o ponto de inflexão em outubro/novembro de 2021 na Avon Brasil, embora experimentando uma queda na receita liquida em comparação com o primeiro trimestre de 2021. Na Natura no Brasil, afirmou, experimenta melhorias nas receitas, como resultado de um portfólio de produtos ofertados que acreditamos estar mais alinhado com as tendências do mercado.

As operações da Avon International na Europa Central e Oriental foram impactadas pela guerra entre a Ucrânia e a Rússia; no entanto, continua a ver progressos nos fundamentos do negócio da Avon, com melhorias importantes em alguns KPIs como resultado do novo modelo comercial e margens em linha com o mesmo período de 2021, afirmou. A Body Shop também experimentou queda de vendas principalmente em toda a Europa, além do impacto esperado do reequilíbrio dos canais. Já a Aesop continua apresentando bons resultados principalmente na Ásia e na América do Norte.

Com isso, a companhia destacou esperar que a Natura &Co apresente receita líquida entre R$ 8,20 bilhões e R$ 8,25 bilhões, uma queda em relação ao primeiro trimestre de 2021 entre 12,7% e 13,3% em reais e entre 4,6% e 5,2% em moeda constante, como resultado da forte valorização do real no primeiro trimestre de 2022 comparado com o primeiro trimestre de 2021. Também espera que a Natura &Co registre uma Margem Ebitda Ajustado entre 7,0% e 7,3% em relação ao 10,2% no primeiro trimestre de 2021.

Os resultados financeiros finais e completos serão divulgados em 5 de maio de 2022.

De acordo com o Itaú BBA, os números preliminares da Natura no 1T22 implicam em revisões para baixo de 16% na receita líquida e cerca de 35% no nível de Ebitda ajustado quando comparado com suas estimativas oficiais.

“Note-se, no entanto, que nossa última atualização foi em dezembro, quando o cenário macro era mais favorável à empresa (em termos de inflação e câmbio), e o conflito Rússia-Ucrânia ainda não havia começado – traduzindo-se, portanto, em uma revisão mais acentuada para baixo. Por fim, uma das principais preocupações dos investidores está relacionada a como essa notícia impacta o guidance da empresa. Por enquanto, nossa visão sobre os números de longo prazo da empresa permanece inalterada, porém, aguardamos o dia do investidor (que ocorrerá em 9 de maio) para ter mais informações sobre isso”, avaliam os analistas.

A Levante ressalta que, após o imbróglio envolvendo a má-comunicação com o mercado e a divulgação de sua prévia
operacional, a perspectiva é de um trimestre fraco para a Natura. A companhia continua enfrentando pressões de custos oriundas do aumento da inflação e preços mais elevados das commodities, fator intensificado pela guerra.

“Apesar disso, enxergamos que, do episódio, o que mais pesou contra a empresa foi a abertura da informação de forma seletiva antes da divulgação de sua prévia, o que compromete significativamente a percepção de sua governança para investidores”, avaliam.

Isso porque, prática comum no mercado, o RI chamou alguns analistas para alinhar as expectativas com o resultado, visando uma queda menor em suas ações no dia da divulgação, marcada para o dia 5 de maio. Porém, o nível de detalhamento de dados não divulgados foi acima do comum, além de as conversas terem ocorrido ao longo do dia, gerando uma grande assimetria de informações no mercado.

Buscando amenizar a situação, a Natura divulgou o fato relevante com dados preliminares do 1T22 “no espírito de transparência com investidores” e esclarecendo a polêmica de quarta-feira. Segundo a companhia, “as informações divulgadas na mídia refletem as inferências e projeções dos próprios analistas de mercado”, não sendo ela a responsável por essas projeções. Nesse sentido, a Levante destacou se manter receosa quanto às próximas divulgações da companhia.

O Citi rebaixou a recomendação da ação ordinária da fabricante de cosméticos após a prévia operacional da companhia revelar que os desafios de curto e médio prazos são maiores do que os analistas do banco projetavam. A ação teve recomendação cortada de “compra” para “neutra”, enquanto o preço-alvo do papel foi reduzido a R$ 26, de R$ 36 anteriormente, o que sugere um potencial de alta de 21,8% ante o último fechamento, “ainda considerável, mas não o suficiente para justificar a compra”, escreveram os analistas.

As ações abriram em alta em tentativa de recuperação após o tombo de quarta, chegando a avançar 2,83%, a R$ 21,82, na máxima do dia. Contudo, e também refletindo o maior pessimismo do mercado em geral, as ações viraram para queda, fechando em baixa de 3,39%, a R$ 20,50.

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