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Troca tudo ou só atitudes?

Ao aproximar as lentes, podermos dizer o que somos, o que queremos é o de pretendemos chegar

Alfredo Lopes

Alfredo MR Lopes (*)

A campanha Troca-Tudo, veiculada pelas redes sociais, tem um que de infantilismo, a doença típica de quem defende a tese de que “ o inferno são os outros” no limite, essa proposta, levada as últimas consequências, implicaria em trocar eleitos e eleitores, posto que os eleitos que não agradam existe porque nós os escolhemos. Vamos, então, na lógica emergencial do bom-senso e discernimento, dar um passo de cada vez e, em lugar de trocar fulano ou sicrano mudar a atitude de indiferença com relação a tudo aquilo que a classe política depois que a escolhemos. Em vez de ignorar, acompanhar, cobrar e tornar pública nossa avaliação. E, ao aproximar as lentes, podermos dizer o que somos, o que queremos é o de pretendemos chegar.

Temos que sair da caixa, aqui entendida como as questões imediatas e domésticas de nossa economia, e olhar a base de sobrevivência e de transformação das condições socioeconômicas e ambientais desta região. E este olhar significa propor aos próximos gestores a formação de alianças e parcerias de trabalho em favor da região. Significa, portanto, que precisamos saber o que temos em comum - não apenas em termos de gargalos, sobremaneira na área de infraestrutura - mas em termos de demandas de investimento para criarmos uma rede partilhada e conectada de negócios complementares entre si. E por aí vai. Gargalos existentes e modelos de negócios de superação. Ou seja, temos que alinhar nossas principais dificuldades comuns e propor saídas regionais. Isso se faz com um planejamento estratégico estruturado em mutirão regional. Esse planejamento pode ser feito, inicialmente na Amazônia Ocidental e Amapá, área sob gestão fiscal da Suframa, e posteriormente com toda a Amazônia brasileira e continental, levando em conta, por exemplo, o planejamento em execução do Pará, que já oferece sobejos resultados. Há experiências avançadas no Acre, Roraima precisa de revisão de sua estrutura bioética, fundiária e de infraestrutura para um desenvolvimento diferenciado. Rondônia vai bem obrigado e, vizinhos como o Peru tem muito o que nos ensinar.

 

Eventualmente, também, poderia ser pensada a integração entre Suframa e SUDAM para que as verbas recolhidas pelas empresas incentivadas pudessem ser distribuídas para projetos a serem avaliados pelos Conselhos dessas autarquias ou por um novo Conselho que um colegiado representativo das questões aqui averbadas. A rigor, esse encaminhamento tem por propósito mobilizar o viés político dessa luta, mobilizando as representações parlamentares de todos os estados amazônicos. Uma Agenda Amazônica, capaz de impor a obviedade de uma frente parlamentar da região, nos moldes do Centro-Oeste -e do Nordeste, principalmente - que conseguem mobilizar, há décadas, seus parlamentares, com inteligência, eficiência e um portfólio robustos de resultados, conquistados com o peso político de seus governadores.

Hoje, vendemos e compramos de nossos vizinhos um cardápio generoso de itens que podem ser levados a multiplicação incessante. Por exemplo, na área de insumos, alimentos, produtos industrializados - que, infelizmente, ainda precisam passear pelo Sudeste por conta de uma política fiscal sem sentido - entre outros potenciais negócios. Na área de alimentos e/ou insumos para o polo industrial de Manaus, podemos formalizar as relações comerciais com os incentivos atraentes que as empresas do Sudeste usufruem para vender para Manaus. E as verbas de pesquisa e inovação poderiam ajudar a fortalecer, diversificar e regionalizar cadeias de produção desses novos parceiros. Ou seja, estamos conjecturando um leque criativo e promissor de novos empreendimentos. Essa é a base motivacional da aliança política regional. A hora é de mudança e de eleger aqueles que já mostrarem capacidade de transformar o discurso da demagogia na troca de atitudes de uma nova e cívica configuração.

(*) Alfredo é consultor do CIEAM Centro da Indústria do Estado do Amazonas

 

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