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Onde estão os jovens inovadores da Amazônia?

Enquanto a nossa sociedade seguir a se acovardar no enfrentamento de nossos problemas, seguiremos a manter uma lógica de subserviência danosa para todos

Augusto César Barreto Rocha
(Divulgação)

por Augusto César Barreto Rocha*

Quem está calando os jovens inovadores da Amazônia? Por que eles estão sendo colocados de canto nesta empreitada da construção de um novo mundo para a região? São perguntas inquietantes que me assaltaram à mente ao ver a declaração do Papa Francisco “a tentação de silenciar jovens sempre existiu”. Por que estão conseguindo silenciar nossos jovens? A falta de esperança que está posta em nossa região não é um problema externo, mas um problema interno que deve ser resolvido por nós mesmos.

Enquanto a nossa sociedade seguir a se acovardar no enfrentamento de nossos problemas, seguiremos a manter uma lógica de subserviência danosa para todos. Usar os recursos da Amazônia pressupõe conhecimentos científicos somados com a vontade de fazer. Entretanto, os recursos que vêm sendo alocados para esta pesquisa são desperdiçados pelas empresas. Segundo pesquisa recente de Marcelo Cavalcante, em sua dissertação de mestrado na UFAM, apenas 5,8% dos projetos de Pesquisa & Desenvolvimento de produtos com uso das verbas da Lei de Informática na ZFM são eficientes. Quase nada. Uma quantidade enorme de recursos desperdiçados. Isso é seis vezes menor ao que acontece mundo afora. Mesmo que aqui a maior parte das pesquisas sejam aplicadas, o que torna o número ainda mais assustador.

No momento de reflexões da Semana Santa dos Cristãos, onde se relembra a Paixão do Cristo e o seu julgamento popular, relembramos como as massas são manipuláveis. Ao observar a confusão instalada no Brasil, onde está longe da pauta a construção do futuro e próximo da pauta a perseguição ao passado ou a restrição à produção, faz-nos pensar: a quem interessa? Por que os jovens não estão agindo como jovens?

Arrisco indicar que parte do problema é a lógica da fixação no erro e a falta de exaltação do mérito, apequenando aqueles que são diferentes por conta de se tornarem superiores intelectualmente. Encontram-se mecanismos para premiar todos, ao invés de premiar o melhor. Assim, a melhor competência parece que não vale a pena e com isso a trapaça passa a fazer sentido, afinal se todos são iguais, prevalece a força bruta. A competência parece estar sendo desprezada e desperdiçada, pois não se premiam mais os melhores. Até as notas não são mais divulgadas nos murais das universidades, dando direito a privacidade. Para que serve esconder os melhores? O mérito precisa ser exaltado. Onde estão ganhando dinheiro que não seja por falcatruas? Da forma como a mídia notícia nosso cotidiano, é como se a única opção fosse desviar recursos para ganhar mais, o que certamente não é a verdade.

É necessário encontrar um novo caminho e premiar os jovens mais talentosos e apoiá-los para a realização de ações empreendedoras e arriscadas. Fazer empreendimentos sem erros é impossível. Buscar modelos de negócios perfeitos é impossível. Não há como. Legislações de pseudo-sábios de nosso Sinédrio do Século XXI estão esmagando a ânsia empreendedora de toda uma geração. Isso precisa mudar. Abrir espaço para o novo é a única saída para empreender na Amazônia. Fazer ciência ou empreender sem errar é algo que só pode se passar na cabeça de alguém que nunca fez uma coisa nem outra. A questão que tem que ser posta para a nova geração é: o que lhe empolga? O que você faria até de graça para desenvolver a nossa região? Medalhas para todos destroem a jovialidade empreendedora. Espaço para erros empreendedores constroem os acertos do futuro.

(*) Doutor em Engenharia de Transportes e professor da UFAM.

 

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