Novas regras

Mudanças nas regras de financiamento do Casa Verde e Amarela beneficiam construtoras para baixa renda, apontam analistas

Entre outras mudanças, propostas aprovadas elevam os limites dos valores dos imóveis financiados com recursos do fundo

Construção Civil (Foto: Per-Anders Pettersson/Getty Images)

SÃO PAULO – Na véspera, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou por unanimidade, mudanças nas regras de financiamento imobiliário do programa Casa Verde e Amarela.

Apresentadas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), as propostas aprovadas elevam os limites dos valores dos imóveis financiados com recursos do fundo; estabelecem as taxas de juros cobradas das famílias que ganham até R$ 2 mil mensais e alteram o cálculo do subsídio disponibilizado às famílias de baixa renda.

Os valores máximos dos imóveis aptos a serem financiados serão reajustados em 10%, com exceção dos construídos em cidades com população entre 50 mil e 100 mil habitantes, onde a tabela será reajustada em 15%.

As demais regiões, incluindo as capitais e regiões metropolitanas, terão aumento de 10% – com São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal saindo de R$ 240 mil e indo para R$ 264 mil. Em municípios com população menor que 20 mil habitantes, não haverá elevação no teto.

Além da flexibilização do teto no CVA, o conselho do FGTS também anunciou a redução temporária das taxas de juros nos financiamentos do programa para famílias com renda mensal entre R$ 4 mil e R$ 7 mil (grupo 3) de 0,5 ponto percentual, com validade até 31 de dezembro de 2022.

Na avaliação do Ministério do Desenvolvimento Regional, a redução visa o aumento da atratividade do programa nessa faixa de renda.

A redução temporária resultará em uma taxa final de 7,66% ao ano aos mutuários desse grupo. Se ele for cotista do fundo, haverá redução de mais 0,5 ponto, ficando em 7,16%.

Também foi alterada a metodologia de cálculo do chamado desconto complemento, que é o pagamento pelo FGTS de parte do valor de aquisição ou construção do imóvel visando diminuir o valor a ser financiado pelas famílias. Outra alteração também aumentou em 0,25% o desconto concedido para fins de redução no valor das prestações para os mutuários com renda familiar mensal de até R$ 2 mil.

De acordo com analistas, as mudanças devem ser positivas ara o setor de construção civil com foco na baixa renda.

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“Atualmente, o mesmo encontra-se combalido devido aos altos custos de construção motivados pelo alto custo de insumos, como o aço. Nesse contexto, o setor de baixa renda é o que mais sofre nesse cenário, não conseguindo repassar seus custos para seus clientes, que são contemplados por programas habitacionais”, avaliam os analistas da Levante Ideias de Investimentos.

Na avaliação do Itaú BBA, as mudanças são um “resultado ganha-ganha”. “O anúncio deve beneficiar os players de baixa renda como um todo, especialmente aqueles concentrado em torno dos limites superior e inferior das faixas de renda da Casa Verde e Amarela”, avaliam os analistas.

Com base no preço unitário médio de lançamentos no primeiro semestre de 2021 e na diversificação regional dos players, os analistas acreditam que a Tenda (TEND3) está posicionada para ganhar com o ajuste em preço unitário, enquanto Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3)  são provavelmente as que mais se beneficiam do aumento da acessibilidade na faixa de renda Nível 3, dado seu preço unitário acima da média.

O Bradesco BBI também aponta que a notícia é positiva para os incorporadores de baixa renda, pois as decisões do Conselho do FGTS ajudam a acomodar pressões de custo. A redução temporária do juro do financiamento é outro fator positivo, principalmente em um momento em que alguns bancos já fixam taxas fixas acima de 8% (apenas a Caixa Econômica Federal ainda está em 7,0%).

Isso poderia ajudar a sustentar a acessibilidade em níveis saudáveis ​​para os compradores de imóveis através do programa da Casa Verde e Amarela, enquanto libera o financiamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) da Caixa para os compradores de fora do programa, o que incluiria players do segmento Faixa 4, como Riva, da Direcional, além da Cury e a Sensia, esta última da MRV (MRVE3).

Às 14h15, as ações da Cury subiam 4,08%, a R$ 8,17, enquanto os ativos da Direcional avançavam 2,22%, a R$ 12,44. Já os papéis TEND3 operavam em leve alta, de 0,35%, a R$ 19,92, enquanto MRVE3 teve leve alta de 0,43%, a R$ 14,07.

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