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Moody’s mantém rating do Brasil em “Ba2”, com perspectiva estável

Segundo a Moody's, a melhor dinâmica recente da dívida, eficácia das políticas públicas e exposição limitada à dívida externa, levaram à manutenção da nota

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SÃO PAULO – A agência de risco Moody’s manteve nesta sexta-feira (15) o rating do Brasil em “Ba2”, com perspectiva estável para a nota.

Segundo a empresa, três fatores definiram a manutenção da nota do país. O primeiro foi a dinâmica recente da dívida e um ambiente mais favorável de taxa de juros, oferecendo um colchão adequado para administrar o aumento do endividamento devido ao choque econômico relacionado à pandemia do coronavírus.

Outro fator, segundo a Moody’s foi a “melhora na eficácia das políticas públicas, que apoiará o desempenho econômico e a consolidação fiscal após a crise atual”.

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Por fim, a agência citou ainda a exposição limitada do Brasil à dívida externa e a forte posição das reservas em moeda estrangeira. Com a nota atual, o país segue dois níveis abaixo do “Baa3”, que garante o grau de investimento.

“O atual governo tem apresentado uma agenda de reformas abrangente, com foco em reformas fiscais, medidas para o setor financeiro e reformas estruturais destinadas a reduzir o papel do estado nas atividades econômicas, melhorar o ambiente de negócios e encorajar a participação do setor privado no investimento em infraestrutura”, diz a Moody’s em nota.

A agência cita ainda a “melhora da eficácia da política monetária”, que reduziu fortemente a taxa de juros e melhorou a dinâmica da dívida, fornecendo suporte para os esforços de consolidação fiscal, o que resultou em um ritmo mais lento de acumulação de dívida.

“No entanto, as consequências econômicas do surto do coronavírus adiarão a agenda de reformas e levarão a um aumento significativo da dívida pública neste ano”, diz o documento.

A Moody’s diz ainda que “o equilíbrio entre a necessidade de políticas efetivas para a crise econômica e de saúde pública e a necessidade de uma retomada da consolidação fiscal no próximo ano serão considerações importantes para a visão sobre o perfil de crédito do país nos próximos anos”.

Novas projeções

No comunicado, a agência diz que antes do choque econômico relacionado ao coronavírus, esperava uma melhora do desempenho fiscal neste ano e uma continuidade da estabilização da dívida.

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Porém, como consequência direta da contração econômica e da resposta à crise neste ano, a Moody’s agora espera uma deterioração do desempenho fiscal e que a dívida aumente novamente, para cerca de 88% do PIB em 2020 e 2021.

“Nesse patamar, o estoque da dívida será maior que o previsto anteriormente; no entanto, as dinâmicas subjacentes da dívida permitem que o governo tenha algum espaço fiscal para administrar o aumento do endividamento, uma vez que o afrouxamento da política monetária em resposta ao choque econômico continua a fornecer suporte à dinâmica da dívida”, diz a agência de risco.

A Moody’s prevê inflação em torno de 2,5% neste ano, e 3% em 2021, o que, segundo ela, permite que o Banco Central mantenha uma postura acomodatícia por um prazo mais longo que o esperado antes da crise.

A sustentabilidade desse ambiente de inflação mais baixa e taxas de juros favoráveis fornece ao governo espaço fiscal adicional para absorver um aumento da dívida bruta relacionado à crise atual, sem deteriorar significativamente sua força fiscal”, explica a nota.

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