Nova economia

Mesmo na pandemia, empresas de tecnologia ocupam mais espaço em SP; veja regiões mais procuradas

Estudo da Binswanger Brazil mostra área ocupada, preço do metro quadrado e regiões mais requisitadas por big techs e startups

Por  Mariana Fonseca -

SÃO PAULO – As empresas de tecnologia estão ocupando o estado de São Paulo há anos. Fora as conhecidas big techs (gigantes da tecnologia como Amazon, Google e Facebook), as startups também se expandem com velocidade. Já são 2.677 delas apenas na capital paulista, segundo um estudo da empresa de inovação Distrito.

Essa ocupação em funcionários e faturamento também se vê nos espaços imobiliários. Nos últimos três anos, as startups pediram quase 82.000 m² em escritórios corporativos. Foi uma taxa de crescimento composta de 8,9%. Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, que forçou a adoção de jornadas remotas, os negócios tech estão com mais metragem hoje do que estavam no final de 2019.

É o que mostra um estudo da consultoria imobiliária Binswanger Brazil, divulgado com exclusividade ao InfoMoney. Entre o quarto trimestre de 2019 e o primeiro trimestre de 2021, a área ocupada por empresas de tecnologia na cidade de São Paulo passou de 348.294 m² para 363.575 m².

A ocupação teve variações ao longo da pandemia de Covid-19, ainda que seja maior do que antes da crise na saúde. A área ocupada por empresas de tecnologia aumentou no primeiro, no segundo e no terceiro trimestres de 2020, mas diminuiu no quarto trimestre de 2020 e no primeiro trimestre de 2021.

“Muitas empresas desse segmento já adotavam a prática de home office, então os números não foram afetados pela necessidade de jornada remota. Além disso, a mudança de sede do Facebook impactou positivamente os números de locação do setor em 2020”, afirmou a Binswanger ao InfoMoney. A rede social alugou boa parte do edifício de alto padrão B32, na região da Faria Lima.

Essa mudança de sede também levou a um grande aumento no preço por metro quadrado, visto no terceiro trimestre de 2020. Os trimestres seguintes também tiveram um metro quadrado caro porque “a falta de oferta de espaços manteve os preços altos”, segundo a consultoria imobiliária. Um quadro de baixa vacância se uniu a uma falta de previsão de entrega de novos empreendimentos.

“Porém, em números absolutos, vimos algumas devoluções de espaço por parte inclusive das empresas que estão em crescimento a partir do quarto trimestre de 2021. Isso indica um possível realocamento nos próximos períodos”, alerta a consultoria imobiliária.

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Estar com área ocupada maior do que no pré-pandemia não significa que as empresas de tecnologia vão ocupar cada vez mais espaço. “A tendência é o setor ganhar cada vez mais participação nas locações de mercado”, diz a Binswanger. Em 2018, o setor foi responsável por 12,3% do volume locado em escritórios corporativos da capital paulista. Em 2020, essa participação saltou para 25,9%.

Áreas quentes para empresas de tecnologia

Existe pouca surpresa nas regiões mais procuradas pelas empresas de tecnologia. Facebook, Google e Amazon são os negócios tech com mais ocupação do segmento na cidade de São Paulo. Os três rodeiam a região da Avenida Faria Lima.

“Tradicionalmente ocupada por escritórios de advocacia e empresas do setor financeiro, as empresas de tecnologia buscam espaço nos principais edifícios da Faria Lima. O objetivo é ter proximidade com a infraestrutura da cidade, diminuindo os tempos de deslocamento e facilitando os acessos aos comércios e serviços, o que acaba por impactar diretamente na qualidade de vida de seus funcionários”, explica a Binswanger.

As regiões da Berrini e da Faria Lima dominam a ocupação do segmento tech na cidade de São Paulo, com respectivamente 67.000 m² e 60.000 m² ocupados. Em seguida estão áreas adjacentes, como Itaim/JK (50.000 m²) e ChucriZaidan (46.000 m²). A região da Paulista também tem fácil acessa à infraestrutura da capital paulista e aparece entre as mais cotadas pelas empresas de tecnologia. Veja o mapa completo:

Distribuição imobiliária do segmento de tecnologia no primeiro trimestre de 2021, na cidade de São Paulo (Binswanger/Divulgação)
Distribuição imobiliária do segmento de tecnologia no primeiro trimestre de 2021, na cidade de São Paulo (Binswanger/Divulgação)
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