Mercados abrem agosto com bom desempenho, graças a indicadores e resultados

Ibovespa atinge maior nível desde agosto de 2008 e encosta nos 56 mil pontos; dólar cai pela terceira sessão, a R$ 1,836

SÃO PAULO – Após resultados do setor financeiro acima das projeções e da divulgação de diversos indicadores importantes, a sessão foi de ganhos nos principais mercados nesta segunda-feira (3). Seguindo o ritmo internacional, o Ibovespa encerrou no maior nível desde 28 de agosto do ano passado.

O Ibovespa marcou alta de 2,25%, atingindo 55.997 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 4,428 bilhões. Assim como o Ibovespa, as principais bolsas internacionais fecharam a segunda-feira em alta.

Com os resultados das instituições financeiras, os papéis do setor tiveram fortes altas em Wall Street, com destaque para HSBC e Barclays, que fecharam o dia com valorização acima de 7%. Os papéis da Ford também tiveram valorização (4,12%), após registrar seu primeiro avanço mensal nas vendas de veículos nos EUA desde novembro de 2007.

Resultados animam

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No Brasil, dando início à temporada de resultados oficiais dos principais bancos, o Bradesco reportou lucro de R$ 2,29 bilhões no segundo trimestre, 33% superior ao atingido nos primeiros três meses deste ano.

No cenário internacional, o HSBC surpreendeu analistas com lucro de US$ 3,35 bilhões no segundo trimestre – cifra 57% abaixo do resultado no mesmo período do ano passado, mas acima do prejuízo estimado por analistas. Já o Barclays decepcionou, com lucro na casa de £ 3 bilhões, o que representa um avanço de 10% na comparação com o mesmo período do último ano.

Além dos bancos, a Gafisa também anunciou seus resultados, mostrando avanço de 35% no lucro líquido no segundo trimestre, que atingiu R$ 57,76 milhões. A empresa declarou que medidas do governo, como juros e inflação baixos e forte incentivo governamental à compra da casa própria contribuíram para o resultado.

Novos Indicadores

Nos EUA, frente aos poucos resultados corporativos de Wall Street, a segunda-feira foi focada na divulgação de indicadores econômicos, como os gastos com construção civil, que avançaram 0,3% no mês de junho, superando estimativas. O ISM Index, que mede o nível de atividade industrial nos Estados Unidos, também ficou acima do esperado no mês de julho.

Na Europa, destaque para a queda menos pronunciada que o esperado da atividade industrial no continente, apontada pelo Instituto Markit no mês de julho, e a primeira expansão da indústria no Reino Unido em mais de um ano.

Por aqui, a produção industrial avançou 0,2% na passagem de maio para junho, segundo a Pesquisa Industrial da Produção Física, formulada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Destaques do Ibovespa

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O principal destaque positivo ficou com os papéis da Embraer, que dispararam 9,21%, estendendo a boa recepção dos resultados trimestrais da empresa, divulgados na última semana, e impulsionados pela revisão do Credit Suisse, que elevou sua recomendação para os papéis da empresa para neutra.

Além da Embraer, os ativos de B2W, Rossi e All também fecharam o dia com fortes altas, todas acima de 6%. As ações da Petrobras também tiveram valorização na sessão, após a notificação da empresa à ANP (Agência Nacional do Petróleo) sobre nova descoberta de petróleo na bacia de Santos.

Por outro lado, as ações da Gafisa lideraram as perdas no Ibovespa, com queda de 1,89% após a divulgação dos resultados.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
EMBR3 Embraer ON 9,96 +9,21 +13,05 64,41M
BTOW3 B2W Varejo ON 46,70 +6,62 +97,58 36,44M
RSID3 Rossi Resid ON 11,49 +6,39 +210,04 26,53M
ALLL11 ALL UNT N2 12,51 +6,20 +25,90 94,21M
LAME4 Lojas Americanas PN 11,08 +5,52 +77,39 38,67M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
GFSA3 Gafisa ON 23,35 -1,89 +124,97 64,64M
TCSL4 TIM Part PN 4,13 -0,72 +45,76 21,61M
ELET3 Eletrobras ON 28,50 -0,70 +16,16 18,66M
VCPA4 VCP PN 27,51 -0,69 +53,43 28,24M
TNLP3 Telemar ON 34,30 -0,29 +2,32 6,86M

Dólar

O dólar comercial fechou pela terceira sessão consecutiva em queda, registrando desvalorização de 1,56%, cotado a R$ 1,836. Com esta nova queda, a moeda atingiu o menor patamar visto desde 25 de setembro do ano passado, quando encerrou o dia valendo R$ 1,821.

Tendo em vista a movimentação negativa da divisa dos EUA, o Banco Central realizou nova compra da moeda através de leilão no mercado à vista. A operação, segundo o Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), teve início às 14h51 e terminou às 15h01 (horário de Brasília), cuja taxa aceita ficou em R$ 1,8314.

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O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) de 31 de julho marcou inflação de 0,34%, idêntica à registrada na medição anterior.

Ainda no cenário nacional, segundo o relatório Focus, divulgado esta manhã, espera-se uma taxa de câmbio em R$ 1,90 ao final do ano, abaixo do R$ 1,95 da semana anterior. A queda estimada para o PIB (Produto Interno Bruto) mudou marginalmente entre semanas, de -0,34% para -0,38%.

Por fim, a balança comercial brasileira registrou um saldo positivo de US$ 124 milhões na quinta semana de julho. O acumulado no ano avançou para US$ 16,913 bilhões, segundo os dados divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram sem tendência definida. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,84%, estável frente à taxa apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 131,10% de seu valor de face, o que representa uma alta de 0,46%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 249 pontos-base, baixa de 18 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais


Nos Estados Unidos, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em alta de 1,54% e atingiu 1.003 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite valorizou-se 1,52%, a 2.009 pontos.
Da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, subiu 1,25% a 9.287 pontos.


Na Europa, o

índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou alta de 1,78% e atingiu 5.427 pontos.
No mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres valorizou-se 1,61%, chegando a 4.682 pontos.
Já o CAC 40, da bolsa de Paris, subiu 1,50% a 3.478 pontos.

Veja os indicadores previstos para a próxima terça-feira
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) apresenta o IPC referente ao mês de julho. O índice é baseado em uma pesquisa de preços feita na cidade de São Paulo, entre pessoas que ganham de 1 a 20 salários mínimos.

Nos Estados Unidos, ênfase para os índices Personal Income e Personal Spending do mês de junho, que avaliam a renda individual dos cidadãos norte-americanos e os gastos dos consumidores, assim como para o núcleo do PCE, medida de inflação mais acompanhada pelo Fed.

Por fim, a National Association of Realtors anuncia o Pending Home Sales de junho, indicador responsável por medir a venda de casas existentes nos EUA com contrato assinado, mas ainda sem transação efetiva.