Lupa nos preços

Mercado ainda não vê risco de inflação sair do controle nos EUA, aponta JPMorgan

Avaliação tem como base a correlação entre ações e títulos do Tesouro americano

(Shutterstock)

(Bloomberg) — A correlação entre ações e títulos é o “indicador mais importante” nos mercados globais no momento e mostra que investidores ainda não veem risco de a inflação sair do controle, de acordo com estrategistas do JPMorgan Chase.

O fato de que as correlações de curto prazo entre os dois ativos não subiram, mesmo com o aumento das expectativas de inflação, sugere que operadores ainda não estão preocupados com o impacto negativo da alta dos preços, segundo relatório de Mixo Das e equipe divulgado na segunda-feira.

Uma medida de alta frequência da correlação de 72 horas entre os futuros do S&P 500 e os equivalentes dos títulos do Tesouro de 10 anos dos EUA ficou em 0,35 negativo na segunda-feira em relação a -0,57 no final de janeiro, segundo cálculos da Bloomberg.

“Uma correlação alta/positiva mostra que os mercados são movidos por preocupações com a inflação ou mudanças na reação das políticas”, escreveu Das em comentários por e-mail. “Por exemplo, se a inflação estivesse alta e subindo, os rendimentos dos títulos aumentariam e as ações cairiam com expectativas de políticas mais apertadas.”

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A inflação dos EUA indicada pelo mercado de títulos se acelerou no ritmo mais rápido desde 2014, enquanto o petróleo sobe com maiores expectativas de recuperação econômica.

O S&P 500 acumula alta acima de 3% no ano e fechou em nível recorde na sexta-feira, com o retorno da aposta de reflação por investidores. O rendimento de referência dos Treasuries subiu cerca de 27 pontos-base, para pouco menos de 1,20%.

Uma alta correlação entre ações e títulos significa que os últimos já não funcionam como proteção para as oscilações das ações, o que poderia afetar as alocações dos portfólios, disse Das. Isso também significa que a volatilidade da carteira de ativos cruzados está aumentando. Com isso, portfólios com foco em volatilidade reduziriam a alavancagem, explicou.

“Se a correlação se mantiver positiva, será bastante negativa para os mercados”, escreveu Das. “Muito mais para os títulos, mas também para as ações, já que os níveis de alavancagem precisarão cair.”

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