Por Dentro dos Resultados

M.Dias Branco (MDIA3): Corte de custos é urgente para mitigar disparada do trigo com guerra na Ucrânia, diz CEO

Gustavo Theodozio e o CFO Fábio Cefaly participaram de live do InfoMoney e falaram sobre redução de embalagens de produtos e foco em marcas como a Piraquê

Por  Renan Crema -

A guerra entre Rússia e Ucrânia afetou os preços das commodities no mercado internacional, inclusive a cotação do trigo. O insumo é utilizado pela M.Dias Branco (MDIA3) para a fabricação de biscoitos e massas e, mesmo que a companhia não importe diretamente do leste europeu, o conflito vai acabar pesando no bolso dos consumidores por aqui.

“A Rússia e a Ucrânia são responsáveis por 28% das exportações globais de trigo e, apesar de o Brasil não ser um importador desses países, o conflito gera uma confusão nos preços das commodities. Não vemos impacto de desabastecimento, mas sim de preço, que, por enquanto, ainda não chegou”, disse o vice-presidente e CFO da companhia, Gustavo Theodozio, em live do InfoMoney.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do quarto trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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O Brasil importa aproximadamente metade das 12 milhões de toneladas de trigo que consome anualmente. Na M.Dias Branco, o insumo vem, em sua maioria, de países do Mercosul, como a Argentina, pela facilidade com questões tributárias no bloco.

Para driblar o impacto do conflito geopolítico, o CEO da companhia enfatizou que é preciso cortar custos. Theodozio afirmou que a empresa cortou hierarquias, reduzindo o número de diretorias e gerências para ficar mais enxuta. Além disso, aposta na estratégia de priorizar marcas com mais margens de lucro, como Piraquê e Vitarella, por exemplo.

“Nós também fechamos dois centros que distribuição e descontinuamos 179 SKUs [produtos] do nosso portfólio. Algumas linhas de produção foram remanejadas”, explicou o executivo. A companhia também investiu em parceiros digitais para venda de produtos online e manteve desembolso em marketing para tentar vender mais.

“Nós temos feito, por exemplo, downsizing de embalagens. O cliente pode não ter o dinheiro para comprar o pacote tradicional, mas haverá uma versão menor, mais compacta e mais barata. O importante é ele comprar, não ficar sem o produto”, contou o CEO, citando a dificuldade de repassar preços no cenário atual: além da guerra na Ucrânia e a pressão sobre as commodities, o Brasil enfrenta uma crise interna, com juros altos, perda do poder de compra dos consumidores por causa da inflação elevada e instabilidade política em ano eleitoral.

Sobre o efeito do câmbio na cotação do trigo, Fábio Cefaly, diretor de relações com investidores da M.Dias Branco, disse que a companhia possui desde 2020 uma proteção cambial (hedge). “Nosso custo é em dólar, com a importação do trigo, por exemplo, mas nossa receita é em reais, pois vendemos no Brasil. As exportações ajudam a balancear um pouco isso. Hoje, 5% da nossa receita vem das exportações. Parece pouco, mas há pouco tempo era 1%.”

Aquisições e dividendos

Sobre M&A (fusões e aquisições), o diretor financeiro da companhia falou que elas continuam no pipeline da empresa, inclusive levando em conta novas categorias. Em meados do ano passado, a M.Dias Branco adquiriu a Latinex, dona da Fit Food, visando entrar no mercado de Healthy Food. “A Fit Food tem boa precificação, boa margem e produtos de qualidade, mas precisava de investimento para alcançar escala.”

Já em relação a dividendos, Cefaly afirmou que a política de remuneração ao acionista da empresa vai permanecer a mesma do ano passado: 60% do lucro líquido, com quatro pagamentos trimestrais e um anual. Segundo o DRI, a distribuição extraordinária em forma de JCP (juros sobre capital próprio) que a empresa realizou em 2021 não prejudicou o balanço da empresa.

Os executivos falaram ainda sobre a parceria com aplicativos e a estratégia de exposição da empresa nas mídias digitais, qual a expectativa de ganho de market share na área de ataque e de defesa, sobre o nível de alavancagem que ainda está num patamar considerado confortável e sobre o que esperar para os volumes em 2022. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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