Latinvest enxerga expansão da alta frequência no Brasil como oportunidade

Para sócio da empresa de investimentos, objetivo é liberar o gestor da parte de execução, com soluções sob medida

Por  Tainara Machado

SÃO PAULO – A Latinvest Capital inicia suas operações com um objetivo bastante claro em mente: oferecer soluções sob medida de negociação eletrônica, como algoritmos, por exemplo, para grandes investidores institucionais. Para Marcos Martins, sócio e diretor responsável pela área de operações da empresa, a companhia surgiu justamente dessa oportunidade vislumbrada no mercado brasileiro, que em meio à atual evolução e amadurecimento, tende a migrar para as negociações de alta frequência

“O mercado está gigante, com uma infinidade de fundos”, comenta Martins, lembrando que os operadores das mesas não são mais capazes de dar conta de toda essa demanda. Além disso, as estratégias desses fundos estão mais sofisticadas, explica, e exigem instrumentos e acessórios para sua condução – justamente os algoritmos ou o servidor direto na Bolsa, que diminui a latência de execução, exemplifica. 

Soluções sob medida
O que os gestores buscam na Latinvest, além das soluções “de prateleira”, que buscam a melhor oferta ou o melhor spread, por exemplo, são as soluções sob medida, já que existe uma preocupação com a confidencialidade quando a gestora decide envolver um terceiro participante em suas operações. 

O benefício, explica Martins, é a capacidade de eliminar da vida do gestor o dia-a-dia da execução, liberando tempo para o desenvolvimento das estratégias e da condução do negócio. “Atualmente é inadmissível que um investidor institucional perca tempo com colocação de ordens. Para a maioria dos gestores, está claro que a tecnologia agrega valor ao negócio”, comenta o sócio, lembrando ainda que por causa dessa situação não há dificuldade alguma na prospecção de novos clientes. 

Para Martins, a participação do volume de negócios na Bolsa brasileira feita através de algoritmos só deve crescer, já que essa é a tendência observada há mais tempo na Bolsa de Nova York. Por aqui, a BM&F Bovespa já tomou as medidas necessárias para possibilitar essa evolução, com investimentos expressivos na capacidade de negociação e de número de negócios, ressalta o sócio, lembrando ainda que recentemente a instituição passou a permitir o acesso direto integral do cliente ao sistema Bovespa, aumentando a velocidade e a capacidade de processamento de informações, ao eliminar o intermediário na colocação de ordens. 

Além dos fundos de investimento
Além das gestoras de pequeno e médio porte e fundos quantitativos, que em geral rodam apenas no automático, a Latinvest prospecta clientes em outros segmentos. Por enquanto, os fundos de pensão e de previdência complementar ainda não aderiram aos algoritmos, mas Martins avaliam que esses são potenciais clientes, dependendo do modelo de gestão adotado. 

A Latinvest tem também estrutura comercial em Nova York, a fim de buscar gestores que operam em mercados emergentes. “Passamos por um movimento de crescimento da economia, e naturalmente o investidor passa a procurar a renda variável. Dentre os mercados emergentes, o Brasil é o que oferece melhor taxa de remuneração”, destaca o executivo, citando também o tamanho do mercado.

Martins ressalta ainda as parcerias bem-sucedidas da companhia, como com a ICAP, provedora final, já que os produtos são oferecidos através das operações da corretora, só que com foco no cliente institucional. 

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