Morgan eleva ações de Suzano e Klabin por resiliência e aponta preferência por KLBN11

Klabin possui perfil mais resiliente, enquanto Suzano oferece risco-recompensa mais equilibrado após queda recente

Felipe Moreira

Setor de papel e celulose (Shutterstock)

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Com atenção a um ambiente de queda de preços de celulose em busca de nomes mais resilientes, o Morgan Stanley elevou a recomendação para as units da Klabin (KLBN11) de equalweight (exposição igual a média do mercado, equivalente à neutro) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e reiterou sua preferência pelo papel no setor, pois espera que ela supere seus pares neste cenário. O preço-alvo é de R$ 26, o que representa um potencial de valorização de 21,9% frente ao preço de fechamento da última sexta-feira (17) de R$ 21,33.

A equipe de research do banco também atualizou a recomendação para Suzano (SUZB3) de underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para equalweight e preço-alvo de R$ 56, após o recente desempenho inferior das ações (6,2 pontos percentuais abaixo do Ibovespa no acumulado do ano), pois agora enxerga uma relação risco-recompensa mais equilibrada.

Os analistas do banco, liderados por Eugenia Cavalheiro, esperam que a Suzano apresente forte rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) nos próximos anos, à medida que o projeto Cerrado começa a dar frutos, trazendo volume adicional e custos de produção mais baixos, combinados com menores necessidades de investimentos.

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Por outro lado, segundo relatório, o envolvimento da Suzano em uma potencial transação de fusões e aquisições que poderia aumentar materialmente a alavancagem deve permanecer.

Analistas do BTG Pactual, por sua vez, comentam que as ações atingiram um dos níveis mais baixos de múltiplos em anos (abaixo de 5 vezes EBITDA), que está bem abaixo dos níveis históricos de 7 vezes e dos pares do setor. Nos últimos dias, devido ao ruído em torno de uma possível transação com a IP, a empresa perdeu quase R$ 13 bilhões em valor de mercado devido aos temores crescentes de alocação de capital e alavancagem.

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Isso porque, segundo o BTG, o negócio é percebido pelo mercado como muito grande, complexo e sem potencial de sinergia. Além disso, o banco calcula que o valor da empresa está atualmente desvalorizado em mais de R$ 40 bilhões, o que acredita ser bastante excessivo (Cerrado ainda não foi precificado).

Embora essa seja, de certa forma, uma tese binária de curto prazo, o banco acredita que as ações da Suzano já estão refletindo um alto nível de risco. Com isso, mantém recomendação de compra para a Suzano, com preço-alvo de R$ 82, e afirma que a administração merece o benefício da dúvida, considerando seu excelente histórico em fusões e aquisições e criação de valor.

Nesse sentindo, analistas acreditam que as ações serão negociadas com uma margem de segurança até que haja mais visibilidade sobre as próximas etapas.

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Perspectivas para setor de papel e celulose

O Morgan Stanley espera que os preços da celulose atinjam o pico em maio e iniciem um declínio gradual em agosto, quando a baixa demanda sazonal coincidir com a oferta adicional proveniente do Cerrado da Suzano, os já elevados níveis de estoque, especialmente na China, e as margens baixas para os produtores de papel.

Já as mínimas, segundo o Morgan, devem ser atingidas em março de 2025, em US$ 530 por tonelada e se normalizem em US$ 615/t (a tonelada). Os analistas ressaltam esperar que o prêmio de preço da fibra longa aumente à medida que a maioria das interrupções no fornecimento atingem as usinas de fibra longa, chegando a um pico de US$ 170/t em julho, seguido por uma rápida correção para US$ 125/t até o final de 2024.

No geral, eles esperam que o preço da fibra curta (BHKP) fique em média US$ 670/t em 2024 e US$ 575/t em 2025, e a da fibra longa (NBSK) fique em média US$ 802/te US$ 700/t, respectivamente.