Taxas futuras de juros têm queda firme no Brasil após inflação dentro do esperado nos EUA

Nos 12 meses até janeiro, a inflação do PCE foi de 2,4%. Esse foi o menor aumento anual desde fevereiro de 2021 e seguiu-se a um avanço de 2,6% em dezembro

Reuters

Além da taxa de juros acima de 13%, crise no SBV marcaram trimestre. Foto: Pixabay

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SÃO PAULO (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em queda firme no Brasil, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries após novos dados de inflação nos Estados Unidos, dentro do esperado, reforçarem a leitura de que o Federal Reserve terá espaço para cortar juros em junho.

No início da sessão as atenções estavam voltadas para a divulgação, às 10h30, do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) — a principal referência do Fed na política monetária.

O nervosismo antes da divulgação fez os yields atingirem alguns picos da sessão e, em paralelo, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) marcarem algumas máximas no Brasil. A taxa do contrato para janeiro de 2027, por exemplo, atingiu o pico de 10,10% às 10h03 (alta de 5 pontos-base ante o ajuste da véspera).

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Quando os números norte-americanos saíram, o cenário mudou.

O Departamento de Comércio dos EUA informou que o índice PCE subiu 0,3% em janeiro e que o número de dezembro foi revisado para baixo, mostrando aumento de 0,1%, em vez do 0,2% informado anteriormente.

Nos 12 meses até janeiro, a inflação do PCE foi de 2,4%. Esse foi o menor aumento anual desde fevereiro de 2021 e seguiu-se a um avanço de 2,6% em dezembro.

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Os números foram bem recebidos por estarem dentro das projeções dos economistas. Profissionais consultados pela Reuters previam que o índice PCE subiria exatamente 0,3% em janeiro e 2,4% em base anual.

“O resumo (do PCE) é que as duas mensagens do Fomc estão mantidas: o ciclo de alta (de juros) está encerrado, mas o início do próximo ciclo de redução dos juros ainda não está definido”, disse Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, em comentário enviado a clientes. “Certamente não será em março e muito provavelmente não será em maio também. As expectativas hoje dividem-se principalmente entre junho e julho”, acrescentou.

Como não houve surpresas inflacionárias no PCE, o mercado avaliou que aumentaram as chances de o Fed iniciar o processo de corte de juros em junho, o que imediatamente pesou sobre a curva norte-americana.

Em sintonia com o exterior, as taxas dos DIs despencaram no Brasil, com investidores retirando da curva o excesso de prêmios de antes do PCE. A taxa para janeiro de 2027 marcou a mínima de 9,975% às 14h43 (queda de 7 pontos-base em relação ao ajuste anterior).

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 9,96%, ante 10% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,785%, ante 9,842% do ajuste anterior.

Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 9,975%, ante 10,047%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,23%, ante 10,306%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,66%, ante 10,734%.

Para o curto prazo, a curva a termo brasileira precificava, perto do fechamento, 87% de chances de o corte da taxa básica Selic em março ser de 50 pontos-base, como vem sinalizando o Banco Central. Atualmente a Selic está em 11,25% ao ano.

Às 16:36 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 3,80 pontos-base, a 4,2364%.